Capitulo 2 – Nova Família
Foi bom sentir
o vento bagunçando meu cabelo loiro, se eu não estivesse com meu casaco vermelho,
provavelmente eu estaria com frio, mas de qualquer forma subo as mangas do meu
casaco e sinto uma sensação boa, é como se o Sol estivesse retirando toda a
minha negatividade e me deixando mais forte, mental e fisicamente. Então me
veio um estalo.
-
Você não disse seu nome homem/bode –
falei tentando soar casual.
-
Meu nome é Mattew, mas pode me chamar de Matt – Falou ele – E, aliás, o termo
correto é sátiro.
-
Certo Matt – Falei – Para onde estamos indo? Você falou algo sobre um
acampamento.
-
O nome é acampamento meio-sangue e lá existem vários outros como você, filhos
de deuses do Olímpio.
Indo para o acampamento? Certo. Poderia
jurar que essa voz veio da minha cabeça.
-O que? Falou algo – Pergunto,
agora virando a cabeça para traz para ver o sátiro.
- Não – falou ele como se fosse
uma piada. – O grifo deve ter falado com você. Não me admira, na verdade, seu
pai os criou.
Da
próxima vez que quiser falar comigo, apenas fale. A propósito, meu nome é Cury.
Esse dia está ficando cada vez mais louco. Primeiro um sátiro, depois um grifo
que sabe falar.
Depois de umas duas horas de
viagem, o que não pareceu ser tudo isso, chegamos ao acampamento. Na verdade,
paramos numa colina acima do acampamento. Só
posso entra se você me convidar. Mesmo eu não vendo nada que pudesse
impedir um grifo de continuar andando eu o convidei a entrar.
O acampamento era grande, tinham
vários chalés, alguns deles pareciam ser feitos há pouco tempo, outros já
deveriam estar ali há anos. Mesmo com uma quantidade enorme de chalés, os
campistas não pareciam ser muitos. Deveria haver umas oitenta pessoas do lado
de fora dos chalés, todos eles treinado com espadas, escudos, arcos e lanças.
Tive que desviar várias vezes
para não perder um membro do meu corpo. Parecia que o sátiro estava me levando
para uma grande casa, que ficava no centro de todos os chalés. O Cury continuava
nos acompanhando.
- Hey Clicya - Falou Matt – Pode
levar o grifo para o estábulo? Ou
para o aviário? Ou sei lá.
Uma garota de pele tão pálida quanto a lua, se
virou e pude ver seus olhos, orbitas pretas e com um certo brilho.
- Claro, de onde ele veio? –
Falou a garota – Nunca vi um desses.
- O pai dele mandou – Falou Matt
apontando para mim, e então com um gesto nada sutil sussurrou – Filho de Apolo.
- Ah – Falou a garota – Não sei
não Matt, não poderia trazer algum semideus útil? Filho de Apolo...
A garota saiu ainda reclamando e
o sorriso que tinha demonstrado antes desaparecera completamente. Agora tive
que desviar de uma espada que, por algum motivo pulou da mão de um campista.
Quando entramos na casa grande,
vi um homem de cadeiras de rodas e outro homem que aparentava ter seu quarenta
anos, mas, com o rosto bem cansado.
- Matt! – Falou o cadeirante com
animação – Conseguiu seguir a pista do semideus? Foi a mais forte dos últimos
tempos, então, onde está ele?
- Aqui está ele Quíron – Falou Matt,
como se algo estivesse errado – Ele é filho de Apolo.
Quíron finalmente me percebeu no
recinto. Ficou me admirando e de alguma forma um seu rosto deixou a expressão
animada e foi ganhando um tom de preocupação.
- Qual o seu nome? – Perguntou Quíron.
- Meu nome é Chrystian, senhor –
Falo em um tom de respeito – Chrystian Haramys
- Como conseguiu sobreviver até
agora? – Perguntou o outro senhor que até então não havia falado nada.
Em um tom de censura, Quíron vira
para o outro senhor.
- Dionísio, por favor, procure
não assustar o nosso campista logo no primeiro dia.
- Espera aí – Digo eu com
espanto – Dionísio? Tipo o Dionísio deus do vinho?
- Exatamente garoto. Agora por
favor, saia, estávamos no meio de uma coisa importante. – Falou Dionísio com
sua voz cansada. – Matt leve-o para o chalé sete.
Segui Matt até um chalé que
quando me aproximei, percebi ser feito de ouro puro. A luz do sol refletiu no
chalé e chegou a doer a vista, mas foi quando eu percebi que, talhado nas
paredes do chalé, havia notas musicas, de todos os tipos, mas uma em particular
se sobressaia, a clave de sol. Mas... Como eu sabia disso?
Abri a porta e me vi dentro de
um quarto cheio de ouro e com paredes também revestidas em ouro. Era um
ambiente bem aberto, acho que para deixar a luz do sol entra ao máximo. As
paredes refletiam minha imagem, agora eu parecia bem feliz, meus olhos azuis,
não estavam mais inchados de noites sem dormir, agora pareciam bem saudáveis e meu
rosto estava bem corado.
Dentro do chalé estavam dois
campistas. Um alto e bronzeado, que estava escrevendo algo, e outra baixa e de cabelos
longos que, quando percebera minha presença, parara de tocar uma harpa e
levantou para me cumprimentar.
- Oi meu nome é Ally e aquele
anti-social ali – Ally apontou para o garoto que continuava escrevendo – Se chama
Daniel. Prazer em conhecê-lo e bem vindo ao chalé de Apolo.
Depois disso me apresentei e
Matt me falou que queria me ver no jantar para acertar algumas coisas. Passei o
resto da tarde dentro do chalé conversando com Ally e Daniel, eles eram legais
e falavam comigo normalmente, mesmo sabendo que eu tinha sido reclamado agora,
não perguntaram nada sobre o fato de ainda estar vivo. Contei-lhes sobre o grifo,
Cury, e eles ficaram impressionados. Falaram-me um pouco sobre nosso pai, e de
como tinham o conhecido quando os Titãs tentaram voltar ao comando.
Falaram-me sobre alguns heróis
que salvaram o mundo inúmeras vezes, me falaram sobre Percy Jackson, um garoto
filho de Poseidon, que aparentemente, salvara todos praticamente todos os anos.
Falaram de Luke e Silena, que eram dois traidores que no final morreram por uma
boa causa.
O tempo foi passando, e quando
percebi já era hora do jantar. Todos do acampamento estavam presentes, conheci mais
dois campistas do chalé de Apolo, Cassie e Jeremy. Os dois me falaram que
antigamente o acampamento era lotado e agora, por algum motivo os campistas
desistiram de ficar no acampamento.
Todos levantaram e jogaram no
fogo, o melhor pedaço de cada refeição. Ally disse que era um sacrifício para
os deuses, e que antigamente a comida que era jogada no fogo cheirava a
sacrifício (ela não soube explicar), mas agora só cheirava a comida queimada.
Jeremy me falou que quando jogar a comida no fogo eu devo agradecer ao meu pai
por algo. Já sabia exatamente o que agradecer.
Obrigado por me dar uma família nova no momento que eu estraguei a
antiga...
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