quarta-feira, 25 de junho de 2014

Solstício - Capítulo 11



Capítulo 11 – Mais dúvidas.



Derek



                - Dirige que eu conto tudo. – Sua voz parecia preocupada.
                Mesmo assim quando elas entram eu acelero e dirijo em direção à escola. Parecia que nenhuma das duas queria falar a respeito, principalmente Aurora que parecia muito afetada.
                - Podem me contar agora? Ou vão esperar para me contar no natal? – Tento uma brincadeira, mas nenhuma das duas riu.
                - Certo, - Erika se inclina para frente e fica com a cabeça entre a minha e de Aurora. – Tem umas coisas acontecendo, estamos achando que o bruxo, irmão de Becca, é o Nick. E tem também...
                - Espera o Nick? – Interrompo. – Como assim?
                - É só uma teoria, - Erika continua. – Aurora acha que Nick é irmão de Becca porque ela mesma admitiu que seu irmão estava na detenção conosco. E a aparência do dois é semelhante. Sem contar o sobrenome dele, Reynard.
                - Mas Becca não é uma Reynard é? – Interrompo mais uma vez.
                - Eu não sei, mas se você analisar Reynard é o mesmo sobrenome do nosso antepassado em comum.
                Ela tinha razão. Talvez Nick fosse mesmo um bruxo. Porém eu não consigo acreditar que durante tanto tempo eu e Erika fomos observados por ele.
                Já estávamos chegando à escola, não iria dar tempo para eu pensar. O meu próximo movimento talvez fosse o mais inútil ou o mais eficaz pra nós. Eu sentia raiva dentro de mim, me sentia como um rato de laboratório, sendo observado de perto sem nem ao menos perceber.
                Chego ao estacionamento e saiu do carro, Nick estava logo a minha frente encostado em uma parede, ele estava sozinho e ouvindo música em seu Ipod. Faço um sinal para que as garotas esperem e elas entendem, param a uma distância relativamente boa, perto o suficiente para me ajudar caso algo dê errado, e longe o suficiente para não me ouvirem.
                Aproximo-me a passos largos dele. Ele me vê e olha para os lados para ter certeza que ninguém está vendo. Chego mais peto e ele abre um sorriso.
                Seu sorriso é desfeito quando eu ponho minhas mãos no seu pescoço, forte o suficiente para prender o ar na garganta, mas sutil para que ninguém veja muito menos as garotas.
                - O-o que você está fazendo? – Seu sorriso some completamente e em seu lugar vejo uma face completamente amedrontada. – C-cara, não consigo respirar, calma.
                - Admita logo, você estava me espionando? – Falo, mas não espero ouvir nenhuma resposta. – Desde quando? Fala!
                - E-eu não estava... – Ele para de falar, prendo seu ar completamente e tudo que consigo ouvir são seus gritos abafados.
                - Se você é mesmo um bruxo, você vai conseguir se livrar de mim, se não... Foi bom te conhecer.
                O ódio dentro de mim se foi instantaneamente depois das minhas palavras. Eu não acreditei no que eu estava fazendo. O solto e fico sem jeito, olhando-o. Ele me olha de volta. Seu sorriso voltou.
                - Derek! - Ouço a voz da Aurora de longe.
                Olho para ela e atrás de mim estava uma raiz de arvore, eu não acreditei até ela começar a se mover e me acertar na cabeça. Eu caio e meus olhos são obrigados a se fecharem.
                - Muito tarde Aurora. – Nick continua. – Ele já deve estar morto.
                Mas eu não estava pelo menos eu acho que não. Eu escutava tudo perfeitamente, eu ainda estou vivo, meu ainda sinto o chão em baixo de mim, e o sol na minha pele. Isso não era a morte para mim, mas ele não sabia.
                Tento pegá-lo de surpresa, mas tudo que consigo mexer são minhas mãos, meus movimentos são tão sutis que ele não percebe. Então faço a única coisa que estava ao meu alcance, um feitiço. Lembro do que Erika me falou, mesmo que não esteja de noite, talvez eu consiga fazer alguma coisa se eu me concentrar.
                Ergo minha mão e um vento forte se forma, quando finalmente abro os olhos vejo Nick em uma parede, inconsciente. Eu fiz mesmo aquilo, usei meus poderes durante o dia.
                De repente estou de pé, as garotas me ajudaram, e surpreendentemente ninguém da escola viu ou ouviu nada daquilo que aconteceu.
                Depois que consegui ficar de pé sozinho lembro-me do verdadeiro motivo de estar lá. Eu precisava tirar algumas informações de Nick. Mas dessa vez eu não poderia enforcá-lo, as garotas estavam muito perto para que eu pudesse fazer algo sem que elas percebam. Em vez disso apenas falo:
                - Nick, só vou perguntar mais uma vez, - Minha voz é clara e objetiva. – Você estava nos espionando ou não? E agora eu tenho certeza que você é um bruxo. Então porque nunca nos contou nada?
                - Certo, - Nick fala em tom baixo. – Eu sou um bruxo tá legal? Mas você não deveria estar falando assim tão alto, sabe que possivelmente nós estejamos sendo vigiados por caçadores?
                - Sim eu sei. – Falo, mas na verdade os caçadores não me importavam naquele momento. – Mas, se você é um bruxo, porque nunca nos contou nada?
                - Eu nunca contei nada porque, - ele faz uma pausa, mas não aprecia estar inventando um história, ele estava procurando alguém, depois eles se volta a nós outras vez, e tenta falar um pouco mais baixo. – eu nunca soube se realmente alguém aqui em Wave City era mesmo um bruxo, apenas quando o circulo dos cinco portadores dos colares está completo, os bruxos conseguem se reconhecer. – ela faz outra pausa e olha de novo para mim. – Acho que sentiu isso quando bateu na porta da casa de Aurora há dois dias.
                Eu apenas faço sinal com a cabeça, era esquisito, mas realmente eu senti algo, algo que me obrigou a ir falar com os novos vizinhos.
                - Espera, - Aurora interrompe. – Você disse que só quando o circulo está completo é que nos reconhecemos. Isso significa que o bruxo do tempo-espaço está na cidade?
                - Exato. – Ele olha-a com ar de superioridade. Ouço um suspiro, e era Erika e sua paixonite por Nick. – Mas acho que o termo correto não é mais “bruxo do tempo-espaço”. Talvez apenas “bruxo do espaço”. Até porque há alguns anos nossos avós se juntaram para tirar o poder de tempo dos bruxos. Meu pai me contou que os bruxos do tempo-espaço conseguiam voltar no tempo, mas ficavam presos no tempo, escravos do passado. Temos sorte do colar do tempo-espaço não aceitar viagens no tempo.
                Metade do que Nick estava dizendo não fazia sentido para mim. Ele estava muito mais avançado do que nós em termos de bruxaria, isso parecia uma completa injustiça já que todos nós éramos bruxos.
                - Quem é o bruxo do espaço? – Erika diz, seu tom de voz é tão esquisito que me faz pensar em um bruxo astronauta...
                - Bem, - Nick faz mais uma das suas pausas constrangedoras. – Eu não sei.
                - O que? – EU e as garotas falamos ao mesmo tempo.
                - Meio que, se o bruxo quiser não ser encontrado, ele não será. – Ele fala como se fosse óbvio. – Isso me faz levantar uma questão: Como vocês me acharam?
                - Sua irmã nos deu algumas pistas, - Aurora fala, e eu me pergunto desde quando ela confia nele. – Só juntamos tudo.
                - Vocês... – Ele parecia nervoso. – Falaram com minha irmã? Como ela está, onde ela está?
                - Ta de brincadeira? – O ar romântico de Erika desapareceu por completo. – Nós tivemos aula com ela ontem.
                - Ela está no colégio? – Nick olha por todos os lados. – Isso não é bom, quando meu pai souber...
                - Essa conversa está ficando cada vez mais maluca. – Digo.
                - Desculpa, - Nick volta a olhar para nós. – Bem, nosso clã consegue transformar qualquer coisa da natureza, em outra coisa. Acontece que conseguimos fazer isso com nosso corpos também.
                - Uau, - Exclama Erika, e mais uma vez o ar de apaixonada volta. – esse sim é um poder que se preze.
                -Então, - Ele volta a falar. – Quem ela é?
                - A professora de álgebra. – Aurora fala. – Rebecca Patson. Pelo que ela nos contou vocês dois trabalham juntos desde sempre, você encarregado de encontrar bruxos na cidade e ela fora da cidade.
                - Isso não é verdade. – exclama ele mais uma vez. – Não nos falamos há anos.
                Parte da história que Becca nos contou ontem é verdadeira, a outra parte é falsa, basta apenas nós julgarmos o que foi verdadeiro e o que não foi...
                - Qual o verdadeiro nome da sua irmã? – Pergunto. Se soubermos seu nome já é um começo.
                - Jenna Reynard. – Ele responde. – Mas ela não pode usar esse nome, meu pai a proibiu de qualquer coisa relacionada à nossa família.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Solstício - Capítulo 10



Capítulo 10 – Ínvidos

Aurora

 


                Acordo ouvindo o som dos pássaros, em Nova Iorque isso não seria possível, o som dos carros e a distância do Central Park não me deixaria ouvi-los pela manhã.
                A luz do sol está no meu rosto, mas eu não me incomodo, por enquanto. Fico deitada por cerca de meia hora, sem me mexer, não queria acordar Erika.
                Ontem, quase o dia inteiro, ela foi completamente horrível comigo. Tudo que ela fazia era para me atingir de uma forma ruim, mas ontem à noite nós nos entendemos, foram quase dez minutos, e ela me tratou muito bem. Por um minuto me sinto culpada pela mentira que contei a respeito do Nick Reynard.
                Nick, o garoto dos olhos verde-esmeralda. Os olhos parecidos com o de... Becca. A garota que descende do mesmo bruxo que eu. Robert Reynard... Reynard. Ai Meu Deus, como eu pude ser tão estúpida.
                Levando-me rapidamente, meus planos de tentar não acordar a Erika já eram. Joguei-me no chão e sacudi o corpo dela.
                - É o Nick, - Falei o mais devagar que consegui, mas não era possível, meu coração estava acelerado. – É o Nick, acorda.
                - O que? – Ela suspira e leva um tempo para ela assimilar tudo o que estava acontecendo. – Nick está aqui? O que ele está fazendo aqui?
                - Não, ele não está aqui. – Sua cara de decepção me afeta, mas eu não hesito. – É o Nick, ele é o irmão da Becca. Ele é o bruxo portador do amuleto da natureza.
                - O que? – Ela levanta e tenta se equilibrar, mas o estado de sono é maior e ela tomba por cima da cama. Sento-me ao seu lado. – Tem certeza? Como chegou a essa conclusão? Sonhou com isso?
                - Não, presta atenção. – Tento ais uma vez falar devagar. – Os olhos dos dois são da mesma tonalidade e o sobrenome dele é Reynard, o mesmo sobrenome de James e Robert, nossos antepassados.
                - Garota, calma. – Ela fala ainda tentando pensar. – Sab como sobrenome Reynard é comum? E outra Becca é do clã da natureza, ela pode mudar a natureza dos seus olhos e colocá-los da cor que quiser.
                - Tem razão, mas a Becca disse que o irmão dela estava na detenção conosco. – Eu tento arrumar mais argumentos, mas agora que parei para pensar parecia um tipo no escuro. – E pelo que eu sei Nick mora aqui há muito tempo, fato que Becca confirmou sobre seu irmão.
                Ela para e pensa, seu rosto muda de expressões e vão de “essa garota está completamente insana” para a expressão “talvez ela tenha razão”.
                - Está começando a fazer sentido. – Ela diz e mais uma vez ela tenta se levantar, dessa vez tem sucesso. – Mas não vamos nos precipitar, se Nick é um bruxo ele já deve saber disso há muito tempo, talvez há mais tempo que eu. Não vamos falar nada pro meu pai até termos certeza, temos que fazer isso o mais sigiloso possível.
                Eu não entendi o porquê do seu pai não poder saber, mas depois pensei direito. Talvez se fosse verdade tudo isso, significaria que Nick estava mentindo, o que faria o Sr. Grey ficar desconfiado, e o plano dela namorar Nick iria por água a baixo.
                Eu sabia que não seria possível que Nick fosse ficar com a Erika, mas apenas eu sabia. Esse não era um segredo para se revelar, pelo menos agora não.
                Eu apenas aceno com a cabeça em sinal de aprovação e Erika vai em direção ao guarda roupa e joga uma blusa azul e um jeans escuro.
                - Se vira com isso. – Ela diz e depois sorri. – Não vou te emprestar uma calcinha. Tem um banheiro aí em frente.
                Abro a porta do banheiro e me vejo em um corredor sem iluminação do sol, o que era esquisito visto que são bruxos do clã do sol. Abro a porta do banheiro e me vejo em um banheiro mais escuro ainda. Um ruído entra pelo meu ouvido e minha visão fica turva. Tento me concentrar e esquecer isso.
                Tiro minha roupa e entro no Box do banheiro, ligo o chuveiro e fecho meus olhos. A água estava quente. Muito quente. Abro meus olhos e me vejo tomando banho com sangue. Tudo que consigo fazer é gritar. Fecho meus olhos tentando entender o que estava acontecendo.
                Sinto uma mão me puxando para longe do chuveiro e uma toalha me cobre. Só percebo que ainda estou gritando quando volto a abrir meus olhos. Ao meu lado estão Erika e sua mãe.  O banheiro agora estava completamente iluminado e o ruído no meu ouvido acabou. Eu tinha imaginado tudo isso, mas o que isso significava?
                Erika olha para sua mãe, e ela entende. A mulher sai do banheiro e nos deixa a sós.
                - O que aconteceu? – Erika falou, seu tom de voz era preocupado.
                - Nada, eu imaginei tudo. – Sinto-me completamente tola.
                - Aurora somos bruxas - Ela fala olhando diretamente em meus olhos. – nada nesse mundo é fruto de mera imaginação, me conta exatamente o que aconteceu, meu pai pode ajudar.
                Ela tem razão, não tinha o porquê de eu esconder essa história dela. Conto tudo para ela, sobre a casa ficar escura, sobre minha visão ficar embaçada, sobre o ruído agudo no meu ouvido e principalmente o banho no sangue quente.
                Enquanto eu falo, percebo que o banheiro que eu entrei não era o banheiro que eu estava agora, esse banheiro era claro e ligeiramente pequeno. O banheiro que eu entrei era escuro e enorme.
                - Termina de tomar seu banho. – Ela diz com firmeza. – Vou falar com meu pai, ele sabe fazer feitiço de proteção mental.
                Eu concordo e ela levanta e vai embora, termino meu banho e saio do banheiro pronta para ir à escola.
                A mãe e os irmãos da Erika já estão a comendo café da manhã. Olho para trás e vejo Erika e seu pai. Ele levanta a mão e coloca na minha testa. Meus olhos são obrigados a serem fechados, uma dor agonizante percorre meu corpo, e então me sinto leve.
                - Foram os Ínvidos. – Não fazia ideia do que isso significava, o pai de Erika continuou. – Eles têm colocado coisas na sua cabeça há anos. Isso vai ser difícil de ouvir, mas talvez os dois últimos anos, com exceção do dia de ontem, podem ter sido apenas imaginação sua.
                Fico paralisada, não sei o que fazer, nem o que dizer. O que será que aquilo significava?
                - O que são ínvidos? – É talvez a última pergunta que me veio à mente, mas é a única que não iria me fazer chorar.
                - Os ínvidos são um tipo de ser sobrenatural, eles não são um clã, eles não são bruxos. – Ele tenta explicar, mas fico mais confusa ainda. – Eu não sei muito sobre eles, mas o básico eu sei. Eles entram na cabeça de alguém, geralmente com sentimento de inveja, por isso o nome, eles criam outras realidades. A mentira foi quebrada da sua mente no momento que você entrou na cidade e conheceu Derek. Talvez a presença de um bruxo tão perto de você tenha interferido nos poderes deles. O que vimos agora foi à tentativa de se infiltrar novamente no seu cérebro. Felizmente eu interferi a tempo, eles não vão mais entrar na sua cabeça...
                A partir de certo momento eu parei de prestar atenção, os últimos dois anos da minha vida foram pura imaginação. Fruto de seres que eu nem sei como se parecem ou o porquê entraram na minha mente.
                - Depois da aula, se quiser é claro, posso ajudá-la a lembrar de tudo. – Ele falou com calma, e me senti culpada por não prestar atenção em tudo que ele falou, sorrio em concordância.
                O Som de uma buzina interrompe meus pensamentos. Erika abre a porta e posso ver que é Derek, ele veio nos buscar de carro. Mas agora eu não tinha muita certeza se eu estava preparada para ir à escola, eu não tenho certeza se quando eu sair da casa de Erika eu estarei segura.
                Erika me puxa e sou obrigada a entrar no carro, Derek nos olha desconfiados.
                - O que aconteceu?
                - Longa história, - Erika diz, após perceber que eu não estava pronta para falar nada. – Dirige que eu conto tudo.

sábado, 14 de junho de 2014

Solstício - Capítulo 9



Capítulo 9 – A Hóspede



 



Erika



                O quarto de Derek não era como eu imaginava. Tudo era muito arrumado e com exceção da sua cama, que estava ainda por fazer, se quarto não parecia habitado há anos.
                 - Pessoal essas folhas são cartas. – Derek diz, e depois para. Ele lê um pouco de cada folha e depois diz. – Posso notar pela forma que é escrito.
                - Então leia. – Aurora quase o obriga em um tom de voz completamente autoritário.
                - Eu leria, se eu conseguisse. – Derek parecia um pouco confuso com a situação. – Deve ter sido escrito por um bruxo de outro clã.
                - Deixe-me ver. – Pego as folhas e ciente que meu colar estava em meu pescoço eu tento ler. – O bruxo que escreve isso também não é do meu clã. Aurora.
                Aurora entende e pega as folhas. Ela olha atentamente cada página, mas tenho certeza que ela não compreende completamente nada.
                - Nada. – Ela só confirma aquilo que eu já suspeitava. – Deve ter sido de alguém do outro clã. Talvez tenha sido alguém do clã da Becca.
                - Você não entendeu? – Perguntei sem acreditar que Aurora não houvesse desconfiado. – Foi Becca que pôs fogo na sua casa, ela tentou te enforcar, ela roubou a carta da sua mãe... Talvez tenha sido ela que a sequestrou.
                Talvez minhas palavras tenham sido duras de mais, mas Aurora não demonstrou qualquer sinal de tristeza ou fraqueza. Eu poderia ter tocado em uma ferida aberta dela, mas ela não daria o braço a torcer.
                - Então tenho uma idéia, precisamos procurar aquele garoto. – Aurora fala e eu instantaneamente lembro. – O garoto da detenção, ela admitiu ser irmã dele, e disse também que ele era o portador do colar. Temos que achá-lo e pedir ajuda, se ele não nos ajudar ele terá problemas... São três bruxos contra um.
                Eu não sabia de onde essa Aurora vingativa tinha vindo, mas eu a adorei. De repente me pego desejando que Aurora fosse sempre assim. Mas o sentimento de culpa não me invade, muito menos o de compaixão, eu devia estar preocupada com a mãe dela nesse momento, mas eu não estava.
                Algo me vem à mente, se a mãe de Aurora estava em perigo, meus pais também estavam.
                -Temos que ir para minha casa agora. – Eu surpreendo todos com a mudança repentina de assunto. – Meus pais, eles podem estar em perigo agora.
                Não é preciso dizer duas vezes, os dois entenderam toda a situação e rapidamente esqueceram o problema com as cartas e o irmão de Becca. Descemos as escadas e saímos da casa de Derek muito rápido.
                - Temos que correr. – Falo ofegante.
                - Ou podemos dirigir, - Derek aponta para um carro conversível vermelho, tinha esquecido o quanto ele era rico. Isso era em parte a causa de quase todas as meninas do colégio desejar sair com ele. – tenho quase certeza que é mais efetivo.
                Entramos no carro, Derek e Aurora na frente e eu atrás, não dizemos mais nada até chegar à minha casa. As luzes estavam acessas, eu ouvia as vozes dos meus irmãos mais novos brigando e o cheiro de comida sendo feita estava forte. Ou seja, parecia tudo normal, mas mesmo assim não acredito nisso e imagino que isso seja um truque.
                Corro em direção da porta e vejo todos lá. Quando olho para trás vejo Aurora e Derek, que tinham me seguido, no chão. Tinha esquecido o feitiço contra pessoas que nunca entraram na casa.
                Eu o desfaço, com esforço por conta da lua. E peço desculpa aos dois pelo ocorrido, e depois meu pedido de desculpas se apaga quando uma gargalhada rompe da minha garganta ao ver seus narizes vermelhos.
                Meu pai para em minha direção, sua face completamente enfurecida, quando ele nota a presença de Derek e Aurora sua expressão muda.
                - Pai, eles são... – Minhas palavras fogem de mim.
                - Eu sei minha filha, - Os olhos escuros dele percorrem em toda a sala. – a garota, é melhor colocar o colar para dentro da camiseta, nunca se sabe onde um caçador está até que você é morto por um.
                Meu pai tinha muito medo dos caçadores, eles mataram sua mãe e seu irmão, por sorte não o mataram. Minha mãe vem correndo da cozinha e no caminho começa a gritar.
                - Detenção? Desde quando uma Grey vai parar na detenção? – Ela chega à sala e vê Derek e Aurora. – Amigos? Você trouxe amigos para casa? Prazer podem me chamar de Melissa, esse é meu marido Tim.
                Vergonha, esse era o único sentimento que eu conseguia sentir.
                - Melissa, esses são... Bruxos. – Meu pai fala e os olhos da minha mãe não mudam.
                - De qualquer forma, se precisarem de ajuda com qualquer coisa é só pedir. – Ela fala enquanto vai para cozinha. – Enquanto vocês falam sobre bruxaria eu vou fazer o jantar. Estão convidados os dois.
                Derek e Aurora estavam perplexos, eu também ficaria se não conhecesse minha mãe. Ela é uma ótima pessoa, mas quando o assunto é bruxaria ela tenta não falar nada a respeito, ela foge o máximo que pode do assunto e nunca é a primeira a tocar no assunto.
                - Sua mãe, é legal. – Aurora diz.
                - Obrigada. – É tudo que eu falo.
                Meu pai nos pergunta tudo sobre o dia de hoje e eu conto toda a história. Eu lhe digo sobre como encontre mais três bruxos de três clãs diferentes em um só dia. Conto também sobre as cartas conto sobre alguém chamado Ezra que foi mencionado na carta da mãe da Aurora. Meu pai diz que não conhece ninguém chamado Ezra e um silêncio constrangedor para a conversa.
                - Então, - Aurora começa a falar e eu dou graças a Deus por ela ter cortado o silêncio. – alguma idéia de onde minha mãe esteja.
                - Infelizmente não, - Meu pai fala e depois acontece outra pausa, mas logo é cortada novamente. – ainda mais se tratando de um fantasma. Como vocês mesmos disseram a garota estava fugindo do fantasma de Seth Howel. Eu não tenho certeza se ela é realmente a vilã da história.
                Eu abro a boca para discutir, mas logo mudo de opinião, em todas as nossas discussões meu pai sempre ganhava com todos os seus argumentos que pareciam terem sido preparados há tempos.
                - Aurora, - Meu pai vota a falar. – enquanto sua situação atual não se resolve, seria uma honra tê-la como hóspede, pode ficar no quarto com Erika.
                - Sem chance. – Eu falo e olho para a cara de Aurora, imediatamente me sinto obrigada a retirar o que disse. – Foi mal, deve estar sendo difícil tudo isso, você pode ficar.
                - Obrigada. – Então depois ela sussurra com o intuito de fazer somente eu escutar. – Bipolar.
                - Amanhã depois da escola vocês vêem aqui para casa depois de falar com o irmão de Becca. – Meu pai fala e sabe que tem a atenção de todos. – Precisamos pensar em um contra-feitiço para acabar com a maldição. Tudo indica que está cada vez mais próxima de se concretizar.
                Minha mãe nos interrompe para o jantar. Na mesa o assunto era outro, nada de bruxaria, e sim “como foi seu dia?” Ou “seus pais deixam ficar até tarde fora de casa?” Meu pai estava na mesa ao lado da minha mãe, ao lado dela estava eu e Derek, do outro lado da mesa estavam meus irmãos Aysha e Sammy, e Aurora.
                O resto da noite foi focado na vida de Aurora em Nova Iorque, isso foi muito bom, eu não tinha idéia que a vida deles eram daquela forma.
                O jantar acabou e fomos até a porta nos despedirmos de Derek, depois andamos para o meu quarto no fim do corredor. Eu arrumo minha cama para Aurora e depois pego alguns lençóis para improvisar uma cama para mim.
                - Eu durmo no chão. – Aurora diz.
                - Sem chance, você é a hospede. – Eu falo. – Além do mais, você vai ficar me devendo no futuro.
                - Certo, - Aurora fala e um bocejo aparece. – qualquer coisa.
                - Quero ir para Nova Iorque quando tudo isso acabar. – Falo, mas percebo que Aurora já adormeceu, desligo as luzes e me deito, tudo que consigo pensar é que a partir de agora meu sonho era conhecer Nova Iorque.