Capítulo 11 – Mais dúvidas.
Derek
-
Dirige que eu conto tudo. – Sua voz parecia preocupada.
Mesmo
assim quando elas entram eu acelero e dirijo em direção à escola. Parecia que
nenhuma das duas queria falar a respeito, principalmente Aurora que parecia
muito afetada.
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Podem me contar agora? Ou vão esperar para me contar no natal? – Tento uma brincadeira,
mas nenhuma das duas riu.
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Certo, - Erika se inclina para frente e fica com a cabeça entre a minha e de
Aurora. – Tem umas coisas acontecendo, estamos achando que o bruxo, irmão de Becca,
é o Nick. E tem também...
-
Espera o Nick? – Interrompo. – Como assim?
-
É só uma teoria, - Erika continua. – Aurora acha que Nick é irmão de Becca
porque ela mesma admitiu que seu irmão estava na detenção conosco. E a
aparência do dois é semelhante. Sem contar o sobrenome dele, Reynard.
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Mas Becca não é uma Reynard é? – Interrompo mais uma vez.
-
Eu não sei, mas se você analisar Reynard é o mesmo sobrenome do nosso
antepassado em comum.
Ela
tinha razão. Talvez Nick fosse mesmo um bruxo. Porém eu não consigo acreditar
que durante tanto tempo eu e Erika fomos observados por ele.
Já
estávamos chegando à escola, não iria dar tempo para eu pensar. O meu próximo
movimento talvez fosse o mais inútil ou o mais eficaz pra nós. Eu sentia raiva
dentro de mim, me sentia como um rato de laboratório, sendo observado de perto
sem nem ao menos perceber.
Chego
ao estacionamento e saiu do carro, Nick estava logo a minha frente encostado em
uma parede, ele estava sozinho e ouvindo música em seu Ipod. Faço um sinal para
que as garotas esperem e elas entendem, param a uma distância relativamente
boa, perto o suficiente para me ajudar caso algo dê errado, e longe o suficiente
para não me ouvirem.
Aproximo-me
a passos largos dele. Ele me vê e olha para os lados para ter certeza que
ninguém está vendo. Chego mais peto e ele abre um sorriso.
Seu
sorriso é desfeito quando eu ponho minhas mãos no seu pescoço, forte o
suficiente para prender o ar na garganta, mas sutil para que ninguém veja muito
menos as garotas.
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O-o que você está fazendo? – Seu sorriso some completamente e em seu lugar vejo
uma face completamente amedrontada. – C-cara, não consigo respirar, calma.
-
Admita logo, você estava me espionando? – Falo, mas não espero ouvir nenhuma
resposta. – Desde quando? Fala!
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E-eu não estava... – Ele para de falar, prendo seu ar completamente e tudo que
consigo ouvir são seus gritos abafados.
-
Se você é mesmo um bruxo, você vai conseguir se livrar de mim, se não... Foi
bom te conhecer.
O
ódio dentro de mim se foi instantaneamente depois das minhas palavras. Eu não
acreditei no que eu estava fazendo. O solto e fico sem jeito, olhando-o. Ele me
olha de volta. Seu sorriso voltou.
-
Derek! - Ouço a voz da Aurora de longe.
Olho
para ela e atrás de mim estava uma raiz de arvore, eu não acreditei até ela
começar a se mover e me acertar na cabeça. Eu caio e meus olhos são obrigados a
se fecharem.
-
Muito tarde Aurora. – Nick continua. – Ele já deve estar morto.
Mas
eu não estava pelo menos eu acho que não. Eu escutava tudo perfeitamente, eu
ainda estou vivo, meu ainda sinto o chão em baixo de mim, e o sol na minha
pele. Isso não era a morte para mim, mas ele não sabia.
Tento
pegá-lo de surpresa, mas tudo que consigo mexer são minhas mãos, meus
movimentos são tão sutis que ele não percebe. Então faço a única coisa que
estava ao meu alcance, um feitiço. Lembro do que Erika me falou, mesmo que não
esteja de noite, talvez eu consiga fazer alguma coisa se eu me concentrar.
Ergo
minha mão e um vento forte se forma, quando finalmente abro os olhos vejo Nick
em uma parede, inconsciente. Eu fiz mesmo aquilo, usei meus poderes durante o
dia.
De
repente estou de pé, as garotas me ajudaram, e surpreendentemente ninguém da
escola viu ou ouviu nada daquilo que aconteceu.
Depois
que consegui ficar de pé sozinho lembro-me do verdadeiro motivo de estar lá. Eu
precisava tirar algumas informações de Nick. Mas dessa vez eu não poderia
enforcá-lo, as garotas estavam muito perto para que eu pudesse fazer algo sem
que elas percebam. Em vez disso apenas falo:
-
Nick, só vou perguntar mais uma vez, - Minha voz é clara e objetiva. – Você estava
nos espionando ou não? E agora eu tenho certeza que você é um bruxo. Então
porque nunca nos contou nada?
-
Certo, - Nick fala em tom baixo. – Eu sou um bruxo tá legal? Mas você não
deveria estar falando assim tão alto, sabe que possivelmente nós estejamos
sendo vigiados por caçadores?
-
Sim eu sei. – Falo, mas na verdade os caçadores não me importavam naquele
momento. – Mas, se você é um bruxo, porque nunca nos contou nada?
-
Eu nunca contei nada porque, - ele faz uma pausa, mas não aprecia estar
inventando um história, ele estava procurando alguém, depois eles se volta a
nós outras vez, e tenta falar um pouco mais baixo. – eu nunca soube se
realmente alguém aqui em Wave City era mesmo um bruxo, apenas quando o circulo
dos cinco portadores dos colares está completo, os bruxos conseguem se
reconhecer. – ela faz outra pausa e olha de novo para mim. – Acho que sentiu
isso quando bateu na porta da casa de Aurora há dois dias.
Eu
apenas faço sinal com a cabeça, era esquisito, mas realmente eu senti algo,
algo que me obrigou a ir falar com os novos vizinhos.
-
Espera, - Aurora interrompe. – Você disse que só quando o circulo está completo
é que nos reconhecemos. Isso significa que o bruxo do tempo-espaço está na
cidade?
-
Exato. – Ele olha-a com ar de superioridade. Ouço um suspiro, e era Erika e sua
paixonite por Nick. – Mas acho que o termo correto não é mais “bruxo do
tempo-espaço”. Talvez apenas “bruxo do espaço”. Até porque há alguns anos nossos
avós se juntaram para tirar o poder de tempo dos bruxos. Meu pai me contou que
os bruxos do tempo-espaço conseguiam voltar no tempo, mas ficavam presos no
tempo, escravos do passado. Temos sorte do colar do tempo-espaço não aceitar
viagens no tempo.
Metade
do que Nick estava dizendo não fazia sentido para mim. Ele estava muito mais
avançado do que nós em termos de bruxaria, isso parecia uma completa injustiça
já que todos nós éramos bruxos.
-
Quem é o bruxo do espaço? – Erika diz, seu tom de voz é tão esquisito que me
faz pensar em um bruxo astronauta...
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Bem, - Nick faz mais uma das suas pausas constrangedoras. – Eu não sei.
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O que? – EU e as garotas falamos ao mesmo tempo.
-
Meio que, se o bruxo quiser não ser encontrado, ele não será. – Ele fala como
se fosse óbvio. – Isso me faz levantar uma questão: Como vocês me acharam?
-
Sua irmã nos deu algumas pistas, - Aurora fala, e eu me pergunto desde quando
ela confia nele. – Só juntamos tudo.
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Vocês... – Ele parecia nervoso. – Falaram com minha irmã? Como ela está, onde
ela está?
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Ta de brincadeira? – O ar romântico de Erika desapareceu por completo. – Nós tivemos
aula com ela ontem.
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Ela está no colégio? – Nick olha por todos os lados. – Isso não é bom, quando
meu pai souber...
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Essa conversa está ficando cada vez mais maluca. – Digo.
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Desculpa, - Nick volta a olhar para nós. – Bem, nosso clã consegue transformar
qualquer coisa da natureza, em outra coisa. Acontece que conseguimos fazer isso
com nosso corpos também.
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Uau, - Exclama Erika, e mais uma vez o ar de apaixonada volta. – esse sim é um
poder que se preze.
-Então,
- Ele volta a falar. – Quem ela é?
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A professora de álgebra. – Aurora fala. – Rebecca Patson. Pelo que ela nos contou
vocês dois trabalham juntos desde sempre, você encarregado de encontrar bruxos
na cidade e ela fora da cidade.
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Isso não é verdade. – exclama ele mais uma vez. – Não nos falamos há anos.
Parte
da história que Becca nos contou ontem é verdadeira, a outra parte é falsa,
basta apenas nós julgarmos o que foi verdadeiro e o que não foi...
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Qual o verdadeiro nome da sua irmã? – Pergunto. Se soubermos seu nome já é um
começo.
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Jenna Reynard. – Ele responde. – Mas ela não pode usar esse nome, meu pai a
proibiu de qualquer coisa relacionada à nossa família.