Capítulo 17 – Um falso incêndio
Nick
Sinto
meu celular vibrar. Era uma mensagem de Aurora. “JENNA É PHILIP. ESTOU COM ELA
AQUI.”
Minha
irmã estava tão perto de mim e não falou comigo, por quê? Meu corpo todo estremece
e levo um tempo até voltar para mim. Tenho que ligar para Aurora, preciso saber
onde elas estão.
-
Hey, – Aurora atendeu. – sua irmã está aqui.
-
Oi irmãozinho. – Ela fala. – As pessoas te chamam de Nick agora? Eu preferia
Rey, mas quem sou eu para julgar.
-
Jenna onde vocês estão? – Falo. – Se você fizer alguma coisa com a Aurora eu
juro que te mato.
–
Calma, eu e sua namorada vamos dar um passeio. – Ela diz levando tudo na
brincadeira.
-
Estou falando sério. – Falo.
–
Até mais. – Ela me interrompe e desliga o celular na minha cara.
E
agora que devo fazer? Para onde as duas foram? Eu amo minha irmã, mas tenho
medo que ela possa fazer algo contra Aurora, eu não posso deixá-la fazer
isso... Eu não aguentaria.
Tenho
que tomar mais alguma atitude, não posso ficar parado aqui. Mando uma mensagem
para Erika avisando que Aurora está com a Jenna e que ela me encontre no
estacionamento. Parece que esse ano eu não vou ganhar nenhum prêmio por
presença nas aulas.
Corro
em direção à saída e percebo que se eu tivesse saído um pouco antes talvez eu
impedisse que Jenna levasse Aurora. Vejo as duas em um carro saindo do
estacionamento. Jenna está com sua aparência normal. A aparência que eu me
lembro sempre, a única que me faz lembrar que eu ainda tenho uma irmã que era
carinhosa comigo.
Meu
carro está muito longe, e eu me sinto completamente imóvel, o temor que me
sinto só de pensar que talvez eu nunca mais veja as duas é maior. Fico
paralisado no meio do estacionamento até que sinto uma mão em meu ombro. Era
Erika.
-
Onde elas estão? – Ela pergunta.
-
Jenna levou Aurora. – Falo. – Cheguei muito tarde.
Sinto-me
horrível por dentro, mas por quê? Eu não sabia sobre isso, eu não poderia
prever, eu não sei por que me sinto assim.
Meu
cérebro parece ter sofrido uma lavagem e tudo está misturado, coisas estão faltando.
Minha respiração está acelerada. Minha pulsação está sem ritmo. É aí que eu
percebo. É só nesse momento de perda que eu percebo, estou apaixonado. Estou
apaixonado por uma garota. Eu amo Aurora Collins.
-
Você está bem? – Erika me pergunta. E é quando percebo que não posso viver no
meu mundo, tenho que salvar Aurora.
***
Estamos
no carro há aproximadamente duas horas, procuramos por Jenna e Aurora por todos
os lugares onde eu pude lembrar, menos um, a casa de Aurora, e é para lá onde
estamos indo.
Erika,
assim como eu, está perdida em seus pensamentos. Ambos só falamos algo quando nos
lembramos de algum lugar para procurar. O que será que Erika está pensando?
Tento
ligar para o telefone de Aurora de novo, ele está desligado. Posso sentir uma lágrima
se formando no meu olho, mas pisco para não deixar que a lágrima escorra por
meu rosto.
Chegamos
à casa de Aurora, eu nunca havia entrado lá, desde que Aurora saiu de sua casa
para morar com Erika, ela só foi à sua casa uma única vez, foi na vez em que
ela foi supostamente atacada por minha irmã.
Há
uns dez dias Aurora me contou o que havia acontecido com eles dentro da casa
dela, ela me falou sobre o incêndio, sobre a carta e sobre Ezra, aparentemente
o mesmo Ezra em que eu e minha irmã confiávamos que agora se tornou um ínvido.
Desço
do carro e vou em direção a porta da frente, a porta não está trancada então eu
entro. Pela descrição que Aurora me deu eu pensei que a sala inteira estaria
torrada e não tinha sobrado nada, porém quando entro na sala, tudo que vejo são
alguns móveis de alguém que tem um gosto particularmente esquisito.
-
Erika, - Grito, ela ainda não entrou na casa. – Vocês não disseram que a sala
tinha pegado fogo?
-
Disse. – Ela grita de volta e depois entra na casa. – Puta m... O que aconteceu
com o lugar? Eu posso jurar que a sala estava queimada, eu vi com meus próprios
olhos.
-
Acho que não foi minha irmã quem invadiu o lugar. – Digo. – Os ínvidos
estiveram aqui, tudo não passou de um jogo mental deles.
Por
um instante uma ponta de esperança apareceu em mim, minha irmã não tinha feito
nenhum mau para eles naquele dia. Mas então minha ficha caiu, há quanto tempo e
com que frequencia, os ínvidos brincam com nossas cabeças?
Sinto-me
completamente inútil, eu sei como acabar com eles, mas não consigo sem minha
irmã, por um momento meus pensamentos tentaram buscar alguma alternativa, alguma
coisa que eu pudesse fazer, mas tudo que consegui pensar é uma coisa que não me
agrada muito.
Jenna
pegou a Aurora para as duas tentarem acabar com os ínvidos sozinhas, por algum
motivo Jenna não quer me envolver, sei disso porque a conheço há muito tempo.
Ela sempre quis me defender, e eu sempre a odiei por isso.
A
odeio mais que nunca agora, ela não podia ter levado Aurora para longe de mim,
ela não podia simplesmente ter me descartado dessa maneira, ela não poderia
usar Aurora dessa maneira, e o pior ela não podia arriscar a vida da Aurora. Se
acontecer algo com a Aurora, eu juro que vou me certificar que o mesmo aconteça
com minha irmã.
Pela
primeira vez noto o rosto de Erika, ele se torna um pouco sombrio, o que será
que ela está pensando?
-
Eu juro, que na hora que eu encontrar esse ínvidos... – Ela faz uma pausa. – Eu
irei matar cada um deles. Não se brinca com a vida de ninguém, não se brinca com a cabeça de ninguém
assim.
-Vamos
pocurar por alguma pista. – Falo, tento soar o mais controlado possível, mas os
meus pensamentos me consomem, o que Erika disse está me consumindo. Quando eu
achar algum ínvido, eu mesmo o matarei.