quarta-feira, 9 de julho de 2014

Solstício - Capítulo 14



Capítulo 14 –  Verdades



Nick



 


                Há muitas coisas acontecendo nesse momento, mas eu não pude resistir, eu não entendi muito bem o que eu mesmo estava fazendo até fazer.
                Um beijo, eu beijei mesmo uma garota que conheci ontem. Eu não sabia o porquê, mas eu tinha que fazer isso. Mas não pareceu agradá-la muito, nosso beijo durou algum tempo, mas ela recuou.
                Quando finalmente volto a abrir meus olhos lá estava ela, na minha frente, sua expressão era de completa surpresa.
                - Cameron. – Ela falou me confundiu com outra pessoa, é angustiante. Meu peito se despedaça e imagino que meu coração nesse momento parou. – Eu o ouvi... Era Cameron.
                - Quem? – Nada disso fazia sentido, primeiro ela recua do meu beijo, depois ela me olha com uma cara esquisita, e por fim ela escuta a voz de outra pessoa. – Eu não ouvi nada.
                - Ele estava... Na minha cabeça. – Ela parecia mais confusa do que eu. – Ele me libertou na caverna, ele realmente existiu. – Um sorriso se forma na sua face, mas logo depois é substituído por uma expressão de pavor. – Ele era um ínvido, para ele eu não passava de parte de um plano.
                Ela volta a chorar, tento consolá-la, mas desta vez nada funciona, então tudo que posso fazer é esperar.
                - Quem é esse tal de Cameron? – Pergunto, mesmo não parecendo à hora correta para isso.
                - Ele era meu namorado. – Ela fala sua voz ainda abafada por seu choro. – Nos conhecemos em Nova Iorque, ele terminou comigo quando vim para cá, eu não entendi o seu motivo, ainda não entendo, mas eu não sei qual a relação disso tudo.
                - Parece que temos mais um ínvido pra exorcizar. – Eu falo e ela me olha com uma cara engraçada, ela sentiu vontade de rir, mas não parecia apropriado. Então eu simplesmente rio, e ela me acompanha.
                - Temos que encontrar logo sua irmã. – Ela pare de rir e se solta de mim. – Mas primeiro você vai me explicar como vocês fazem esse feitiço.
                - Não vou mentir para você. – Digo, será difícil contar toda a verdade, mas será necessário. – Há alguns anos, quando éramos crianças, eu com cinco anos e ela com nove, nós meio que conseguimos prender um ínvido e... Torturá-lo. – Faço uma pausa, mas não é necessária ela absorve minhas palavras com imensa facilidade, talvez o ódio pelos ínvidos a tenha mudado. – O corpo era de uma criança e, bem, nós descobrimos que se um ínvido quiser, ele pode sair do cérebro de alguém sem deixar danos. Tanto psicológicos quanto na memória. E a parte de deixar jovem de novo é por nossa conta.
                - Mas como vocês conseguem fazer com que os ínvidos saiam do cérebro de alguém? – Ela me pergunta.
                - Bem é pra isso que eu preciso da minha irmã. – Falo e tento me lembrar com detalhes daquele dia. – No dia em que prendemos o ínvido, outros vieram resgatá-lo, parecia o fim do mundo, era como ter milhares de mentes em sua cabeça, cada uma mandando você fazer uma coisa diferente, a sensação é de que o corpo pode explodir a qualquer momento.
                “Parecia meu fim. Eu e minha irmã nos debatíamos e do nada ela consegue se controlar. De alguma forma ela conseguiu o controle total do seu cérebro, aprisionando assim todos os ínvidos que controlavam seu cérebro dentro dela.”
                “Metade dos corpos que estavam a nossa volta caíram, a outra metade me libertou com medo. O ínvido que estava preso por correntes saiu do corpo de garoto. Acontece que esse garoto que tinha uns onze anos, na verdade era Ezra. O mesmo homem que nós vimos hoje.”
                “A amizade de nós três começou ali, e quando minha irmã fez quinze anos, os dois começaram a sair juntos. Mas o que é importante é que, alguns anos mais tarde eu descobri como tirar um ínvido do corpo de alguém, mas eu preciso de outro corpo para ser o hospedeiro.”
                - E é aí que sua irmã entra. – Aurora fala, e eu aceno com a cabeça em sinal de concordância.
                - O problema é que com tantos ínvidos tomando o corpo da minha irmão, o colar da minha família me escolheu e não a escolheu. – Falo. – Meio que ela ainda tem raiva de mim por isso.
                - Então Jenna na verdade não é má. – Aurora fala e mais uma vez concordo.
                - Ela só tentou salvar minha vida. – Falo e tento lembrar mais uma vez daquele dia, da dor que eu senti, do medo que tive de morre e de perder minha irmã para sempre. – Precisamos ir.
                - Agora não. – Aurora me interrompe. – Precisa me falar mais algumas coisa.
                - Podemos falar enquanto andamos, - falo e me levanto. – será uma longa caminhada. – Ela se levanta e me acompanha.
                - Esse Ezra... – Ela começa a falar, mas algo a impede. – Ele é como nós?
                - A princípio eu achava que não, na verdade nunca passou pela minha cabeça. Mas um dia ele aparece com um colar semelhante ao da minha família. – Tiro meu colar da camisa e mostro a ela. Ele tem o formato de uma folha seca. - O colar dele não era igual a esse, no pingente tinha um relógio de bolso que servia como bússola. A principio eu e minha irmã estranhamos, mas ele nos explicou tudo sobre o seu clã e foi aí que nós três dedicamos nossa vida a encontrar outros clãs e exterminar alguns ínvidos.
                “A princípio de tudo certo, descobrimos o suficiente sobre quatro clãs e paramos de procurar por respostas por um alguns anos, depois de um tempo Ezra descobriu um novo clã e foi atrás de informações isso foi...”
                - Há dois anos... – Ela me interrompe, mas era exatamente o que eu ia dizer. – Por que tudo está interligado nesse únicos dois anos? É como se minha vida começasse somente ali.
                Ela para e eu também paro, só solto sua mão quando percebo que estou a segurando.
                - Você... – Ela começa. – Me deu a pensar que você era gay. Quando nos conhecemos você praticamente disse isso, então porque me beijou?
                - É sério? – Me sinto um pouco envergonhado. – Com tantos problemas você está preocupada com isso?
                - Sim. – Ela fala, e me sinto preso e tenho que falar a verdade.
                - A verdade é que eu sou gay, mas... – Continuou. – Com você é diferente, eu não sei o que é, mas, eu não sinto que quando eu estou com você é errado, pelo contrario, me sinto eu mesmo.
                Eu nunca tinha falado com ninguém sobre isso, então porque eu estava falando com ela daquele jeito?  Ela devia estar fazendo alguma coisa.
                - Aurora, - Começo, mesmo sem saber qual o rumo que essa conversa vai levar. – Qual o seu clã? Qual sua especialidade?
                - Bem eu não sei... – Ela fala meio sem graça. – Eu não tenho certeza, mas quando eu toco algum bruxo, seus poderes se ampliam. Esse é talvez o pior clã de todos.
                - Ou talvez o mais sensacional. – Era incrível, se eu tivesse meus poderes ampliados talvez eu conseguisse ter o mesmo poder que minha irmã tem talvez eu seja tão forte quanto ela.
                - Não pense nisso. – Ela fala como se estivesse lendo minha mente. – Se você tentar prender um ínvido no seu corpo e dominá-lo você se tornará impuro e perderá a pose do colar. E com tudo que estamos enfrentado, ele é muito importante não acha?
                Ela estava preocupada comigo, e eu estava muito feliz por isso.
                - Temos que tentar uma coisa. – Falo.
                Dou um beijo nela. E uma voz ecoa na minha cabeça, demora um tempo para eu perceber que a voz não está vindo da minha cabeça e sim do mundo real. Era Erika.
                - Posso interromper?
               
               

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