Capítulo 14 – Verdades
Nick
Há
muitas coisas acontecendo nesse momento, mas eu não pude resistir, eu não
entendi muito bem o que eu mesmo estava fazendo até fazer.
Um
beijo, eu beijei mesmo uma garota que conheci ontem. Eu não sabia o porquê, mas
eu tinha que fazer isso. Mas não pareceu agradá-la muito, nosso beijo durou
algum tempo, mas ela recuou.
Quando
finalmente volto a abrir meus olhos lá estava ela, na minha frente, sua
expressão era de completa surpresa.
-
Cameron. – Ela falou me confundiu com outra pessoa, é angustiante. Meu peito se
despedaça e imagino que meu coração nesse momento parou. – Eu o ouvi... Era
Cameron.
-
Quem? – Nada disso fazia sentido, primeiro ela recua do meu beijo, depois ela
me olha com uma cara esquisita, e por fim ela escuta a voz de outra pessoa. –
Eu não ouvi nada.
-
Ele estava... Na minha cabeça. – Ela parecia mais confusa do que eu. – Ele me
libertou na caverna, ele realmente existiu. – Um sorriso se forma na sua face,
mas logo depois é substituído por uma expressão de pavor. – Ele era um ínvido,
para ele eu não passava de parte de um plano.
Ela
volta a chorar, tento consolá-la, mas desta vez nada funciona, então tudo que
posso fazer é esperar.
-
Quem é esse tal de Cameron? – Pergunto, mesmo não parecendo à hora correta para
isso.
-
Ele era meu namorado. – Ela fala sua voz ainda abafada por seu choro. – Nos
conhecemos em Nova Iorque, ele terminou comigo quando vim para cá, eu não
entendi o seu motivo, ainda não entendo, mas eu não sei qual a relação disso
tudo.
-
Parece que temos mais um ínvido pra exorcizar. – Eu falo e ela me olha com uma
cara engraçada, ela sentiu vontade de rir, mas não parecia apropriado. Então eu
simplesmente rio, e ela me acompanha.
-
Temos que encontrar logo sua irmã. – Ela pare de rir e se solta de mim. – Mas primeiro
você vai me explicar como vocês fazem esse feitiço.
-
Não vou mentir para você. – Digo, será difícil contar toda a verdade, mas será
necessário. – Há alguns anos, quando éramos crianças, eu com cinco anos e ela
com nove, nós meio que conseguimos prender um ínvido e... Torturá-lo. – Faço
uma pausa, mas não é necessária ela absorve minhas palavras com imensa
facilidade, talvez o ódio pelos ínvidos a tenha mudado. – O corpo era de uma criança
e, bem, nós descobrimos que se um ínvido quiser, ele pode sair do cérebro de
alguém sem deixar danos. Tanto psicológicos quanto na memória. E a parte de
deixar jovem de novo é por nossa conta.
-
Mas como vocês conseguem fazer com que os ínvidos saiam do cérebro de alguém? –
Ela me pergunta.
-
Bem é pra isso que eu preciso da minha irmã. – Falo e tento me lembrar com
detalhes daquele dia. – No dia em que prendemos o ínvido, outros vieram
resgatá-lo, parecia o fim do mundo, era como ter milhares de mentes em sua
cabeça, cada uma mandando você fazer uma coisa diferente, a sensação é de que o
corpo pode explodir a qualquer momento.
“Parecia
meu fim. Eu e minha irmã nos debatíamos e do nada ela consegue se controlar. De
alguma forma ela conseguiu o controle total do seu cérebro, aprisionando assim
todos os ínvidos que controlavam seu cérebro dentro dela.”
“Metade
dos corpos que estavam a nossa volta caíram, a outra metade me libertou com
medo. O ínvido que estava preso por correntes saiu do corpo de garoto. Acontece
que esse garoto que tinha uns onze anos, na verdade era Ezra. O mesmo homem que
nós vimos hoje.”
“A
amizade de nós três começou ali, e quando minha irmã fez quinze anos, os dois
começaram a sair juntos. Mas o que é importante é que, alguns anos mais tarde
eu descobri como tirar um ínvido do corpo de alguém, mas eu preciso de outro
corpo para ser o hospedeiro.”
-
E é aí que sua irmã entra. – Aurora fala, e eu aceno com a cabeça em sinal de
concordância.
-
O problema é que com tantos ínvidos tomando o corpo da minha irmão, o colar da
minha família me escolheu e não a escolheu. – Falo. – Meio que ela ainda tem
raiva de mim por isso.
-
Então Jenna na verdade não é má. – Aurora fala e mais uma vez concordo.
-
Ela só tentou salvar minha vida. – Falo e tento lembrar mais uma vez daquele
dia, da dor que eu senti, do medo que tive de morre e de perder minha irmã para
sempre. – Precisamos ir.
-
Agora não. – Aurora me interrompe. – Precisa me falar mais algumas coisa.
-
Podemos falar enquanto andamos, - falo e me levanto. – será uma longa
caminhada. – Ela se levanta e me acompanha.
-
Esse Ezra... – Ela começa a falar, mas algo a impede. – Ele é como nós?
-
A princípio eu achava que não, na verdade nunca passou pela minha cabeça. Mas
um dia ele aparece com um colar semelhante ao da minha família. – Tiro meu
colar da camisa e mostro a ela. Ele tem o formato de uma folha seca. - O colar
dele não era igual a esse, no pingente tinha um relógio de bolso que servia
como bússola. A principio eu e minha irmã estranhamos, mas ele nos explicou
tudo sobre o seu clã e foi aí que nós três dedicamos nossa vida a encontrar
outros clãs e exterminar alguns ínvidos.
“A
princípio de tudo certo, descobrimos o suficiente sobre quatro clãs e paramos
de procurar por respostas por um alguns anos, depois de um tempo Ezra descobriu
um novo clã e foi atrás de informações isso foi...”
-
Há dois anos... – Ela me interrompe, mas era exatamente o que eu ia dizer. –
Por que tudo está interligado nesse únicos dois anos? É como se minha vida
começasse somente ali.
Ela
para e eu também paro, só solto sua mão quando percebo que estou a segurando.
-
Você... – Ela começa. – Me deu a pensar que você era gay. Quando nos conhecemos
você praticamente disse isso, então porque me beijou?
-
É sério? – Me sinto um pouco envergonhado. – Com tantos problemas você está
preocupada com isso?
-
Sim. – Ela fala, e me sinto preso e tenho que falar a verdade.
-
A verdade é que eu sou gay, mas... – Continuou. – Com você é diferente, eu não sei
o que é, mas, eu não sinto que quando eu estou com você é errado, pelo
contrario, me sinto eu mesmo.
Eu
nunca tinha falado com ninguém sobre isso, então porque eu estava falando com
ela daquele jeito? Ela devia estar
fazendo alguma coisa.
-
Aurora, - Começo, mesmo sem saber qual o rumo que essa conversa vai levar. –
Qual o seu clã? Qual sua especialidade?
-
Bem eu não sei... – Ela fala meio sem graça. – Eu não tenho certeza, mas quando
eu toco algum bruxo, seus poderes se ampliam. Esse é talvez o pior clã de
todos.
-
Ou talvez o mais sensacional. – Era incrível, se eu tivesse meus poderes
ampliados talvez eu conseguisse ter o mesmo poder que minha irmã tem talvez eu
seja tão forte quanto ela.
-
Não pense nisso. – Ela fala como se estivesse lendo minha mente. – Se você
tentar prender um ínvido no seu corpo e dominá-lo você se tornará impuro e
perderá a pose do colar. E com tudo que estamos enfrentado, ele é muito importante
não acha?
Ela
estava preocupada comigo, e eu estava muito feliz por isso.
-
Temos que tentar uma coisa. – Falo.
Dou
um beijo nela. E uma voz ecoa na minha cabeça, demora um tempo para eu perceber
que a voz não está vindo da minha cabeça e sim do mundo real. Era Erika.
-
Posso interromper?
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