Capítulo 15 – O rebelde
Erika
Raiva.
É o único sentimento que consigo definir no meio de um mar inteiro de emoções
que estou vivendo nesse momento. Ela sabia. Ela sabia que eu gostava dele, mas
ainda assim ela ficou com ele, e o pior enquanto eu estava presa naquela caverna
ridícula.
Os
dois me olham com expressão de surpresa e eu os olho com olhar mais feio
possível, não quero aceitar o que está acontecendo bem na minha frente, naquele
exato momento. Mas percebo Aurora já havia soltado Nick, mas os braços dele
ainda estão em volta do corpo dela. Uma vontade de vomitar me envolve, mas não
posso me dar ao luxo de ele perceber que isso me afetou de alguma maneira.
Mas
Aurora, ela sim sabia de tudo, sabia que eu gostava dele, sabia que eu ainda o
queria, talvez por isso ela tenha ficado com ele, ela queria me atingir. Ela...
Conseguiu.
-
Erika. – Grita a Traidora. – Você está bem? – Ela vem correndo em minha direção.
-
Estou. – Só é preciso falar isso para que ela pare de correr e perceba que eu
não gostei do que vi. – Mas que horas os dois iam parar de se pegar e tentar me
resgatar? – Uma pontada no meu coração me surpreende, pela primeira vez eu
percebi que talvez os dois nem estivessem ligando para mim.
-
O Nick tinha uma forma de tirar o ínvido do seu cérebro. – Aurora responde. –
Mas já não é mais necessário. Como você escapou?
-
Tinha um ínvido que se revoltou com seu chefe, e me libertou. – falei. – Causou
muitos problemas para os ínvidos na caverna. Aurora tenho um recado do ínvido
revoltado para você, antes de eu sair ele entrou em mim e me falou para eu te
dizer que ele sente muito. Então... Recado dado.
-
Ele... Sente muito? – Isso me pega de surpresa, eu não imaginei que Aurora
realmente conhecesse o ínvido revoltado, mas parece que ela o conhecia. E pior
parece que ela sabia exatamente o porquê das desculpas.
-
tem algo para nos contar? – Falo. – Tipo, sei lá, quem é ele?
-
Ele se chama Cameron, pelo menos eu acho que esse é seu verdadeiro nome. –
Aurora começa a falar e percebo que essa será uma longa história. – Ele era meu
namorado em Nova Iorque, mas agora sabemos que eu nunca morei lá, então ele
fingiu ser meu namorado. Bem, ele terminou comigo ontem, no dia em que eu cheguei
em Wave City. Eu acho que ele sempre foi um ínvido, e eu era somente uma parte
do seu plano.
-
Resume que a história está chata. – Falo.
-
Certo. – Ela me olha de canto de olho e se vira para o mar. – Eu não tenho
certeza, mas acho que foi ele quem me trouxe para essa cidade.
-
O que? – Nick interrompe.
-
É faz sentido. – Aurora continua. – Alguém deve ter me trazido para cá, e tenho
quase certeza que não foi Ezra, muito menos minha mãe. – Na última palavra ela
apenas abaixa a cabeça e não fala mais nada?
-
Mas por quê? – Falo. – Porque ele a traria para essa cidade?
-
Eu não sei. – Ela responde. – Para me proteger talvez?
-
Você acha mesmo que um ínvido tem sentimentos? – Nick parece ofendido com a
teoria de Aurora. – O único sentimento que eles possuem são a inveja e a raiva.
Não são humanos, não são como nós.
-
Nós não somos humanos. – Aurora completa. – E ainda assim temos sentimentos.
Talvez não seja diferente com os ínvidos, talvez nem todos estejam metidos
nessa causa, se é que há uma causa, que os ínvidos estão.
Essas
palavras pareceram decepcionar Nick, e isso era bom. Nick se afasta de Aurora e
grita.
-
Os ínvidos fizeram minha irmã se tornar impura. – Essa eu não sabia. – Ela foi
banida da minha família por ter me ajudado, ela não teve culpa. Aqueles
malditos ínvidos tiveram.
-
Tem certeza? – Aurora grita também. – Foram eles quem torturaram e depois se
tornaram uma espécie de caça ínvido? Acho que não.
Isso
deixou Nick sem palavras. Eu não estava entendendo metade das coisas que eles
estavam falam, mas eu tinha que entra no meio da conversa, mesmo que eu não
fique muito feliz com o que vou dizer.
-
Parem de brigar. – Digo. – Talvez os dois estejam certos. Os ínvidos são maus,
mas talvez nem todos sejam.
Os
dois voltaram a se olhar, mas não falam nada. Essa conversa tinha
desestruturado o que quer que os dois tenham.
-
Agora, por favor, me expliquem toda essa história de irmã impura e caçadores de
ínvidos. – Digo.
Nick
me conta tudo. Que ele e sua irmã prenderam e torturaram um ínvido no corpo de
um garoto de cerca de dez ou onze anos. Que esse ínvido chamou outros do seu
bando e Nick e Jenna quase morreram por isso. Que por algum acaso Jenna
descobriu como controlar os ínvidos no seu corpo. Que conseguiu tirar o ínvido
do corpo do garoto. Que depois de alguns anos se tornaram um trio de bruxos
caçadores de ínvidos e que tentavam encontrar bruxos de outros clãs.
-
Então... – Falo. – O que estamos esperando? Temos que encontrar sua irmã. Derek
ainda precisa de nossa ajuda.
Quatorze dias depois.
-“Continua
desaparecido o garoto de dezessete anos de idade conhecido como Derek McAll.
Fontes informam que ele foi visto pela última vez no estacionamento da Wave
City High School há quatorze dias. Saiu de carro com três amigos antes mesmo
das aulas começarem. – O jornal local mostra a foto minha de Nick e de Aurora. –
Os três adolescentes foram interrogados e o julgamento de policia ainda não foi
divulgado. O garoto foi o primeiro a desaparecer, por toda Wave City,
desaparecimentos estão acontecendo com frequência. O que a policia recomenda é
que...”
Desligo
a Televisão, eu não consigo aguentar esse tipo de coisa, principalmente co tudo
que está acontecendo.
Nas
últimas duas semanas eu, Nick e Aurora temos tentado encontrar Jenna, mentir
para a polícia e encontrar Derek, mas nada se saiu muito bem, exceto pela
história que contamos a polícia. Dizemos que fomos roubados, isso custou ao
Derek seu carro que agora estava no fundo do mar. Espero que quando ele voltar
a si ele nos agradeça em vez de nos matar.
São
sete horas da manhã e estou tomando café preto para ver se consigo me manter em
pé, não tenho dormido quase nada porque meus pais não sabem do meu plano de
encontrar Jenna e tentar acabar com um bando de ínvidos, então nós três temos procurado
por ela durante a madrugada.
Aurora
acaba de se levantar e eu a ofereço uma xícara de café. Ela senta-se ao meu
lado e aceita. Eu estava com raiva dela, ma depois de um tempo e de tantas
coisas para nós fazermos eu meio que esqueci minha raiva por um momento, e além
do mais, Nick e ela não estão se esfregando um no outro, pelo menos não na
minha frente.
-
Liga a televisão. – Aurora me pede. – Eleonor a madrasta de Derek vai dar uma
entrevista para o jornal.
Faço
o que ela pede. Eleonor está mesmo na televisão, ela está na frente da casa dos
McAll e está falando para o jornalista que sente falta do Derek e que espera
que ele volte logo para casa, e ainda avisa aos assaltantes – mesmo que eles
não existam – que devolvam o Derek, que ela dará o que for preciso para tê-lo
de volta.
Isso
me deixa aflita, mas afeta ainda mais Aurora, sinto-me forçada a desligar a
televisão para que Eleonor não fale mais alguma coisa que nos afete.
Nick
vem nos buscar de carro, e vamos para a escola, no caminho as palavras trocadas
são de total foco em relação a encontrar Jenna, pelo que parece ela ainda está
na cidade, mas por algum motivo não quer deixar ser encontrada.
Paramos
na vaga mais longe da escola e fomos andando, enquanto andávamos arquitetamos
um plano para encontrar a Jenna.
-
Certo. – Falou Nick. – As duas procuram na parte do litoral da cidade hoje à
noite, enquanto isso eu irei me disfarçar e procurar naquele bairro vagabundo
onde tem hotéis baratos e bares.
-
Não. – falei. – Nós não vamos nos separar, precisamos ficar juntos, mas a idéia
do disfarce é boa. Falo com vocês depois, as aulas vão começar daqui a pouco.
Para
não criar muita fofoca por parte dos alunos da escola eu desfiz o feitiço do
horário de Aurora e agora nós só tínhamos algumas aulas juntas. Entro pelo corredor
esquerdo e Nick e Aurora seguem em frete.
Desde
que Derek desapareceu metade dos alunos pensam que eu e os outros temos alguma
coisa a ver com isso e nos julgam por isso. Eles não estão totalmente certos,
mas não estão errados, me sinto culpada por ter deixado Derek na caverna há duas
semanas, mas não podia ajudá-lo. Isso é frustrante.
Minha
primeira aula é de Aritmética e o Professor Jones já estava de volta. O que os
alunos dizem pelo corredor é que ele não tinha ficado doente muito menos tinha
mandado nenhum substituto. Todos diziam que o homem já estava ficando louco por
conta da idade. Mas eu sabia a verdade, Jenna fizera isso.
Eu
não pude acreditar que deixei passar um detalhe na nossa procura por ela, eu
devia estar procurando ela pela escola. Ela não ficaria muito longe do Nick
sabendo que ele estava com problemas. Afinal de contas foi por isso que ela
fingiu ser professora.
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