quinta-feira, 31 de julho de 2014

Solstício - Capítulo 17



Capítulo 17 – Um falso incêndio



Nick



 


                Sinto meu celular vibrar. Era uma mensagem de Aurora. “JENNA É PHILIP. ESTOU COM ELA AQUI.”
                Minha irmã estava tão perto de mim e não falou comigo, por quê? Meu corpo todo estremece e levo um tempo até voltar para mim. Tenho que ligar para Aurora, preciso saber onde elas estão.
                - Hey, – Aurora atendeu. – sua irmã está aqui.
                - Oi irmãozinho. – Ela fala. – As pessoas te chamam de Nick agora? Eu preferia Rey, mas quem sou eu para julgar.
                - Jenna onde vocês estão? – Falo. – Se você fizer alguma coisa com a Aurora eu juro que te mato.
                – Calma, eu e sua namorada vamos dar um passeio. – Ela diz levando tudo na brincadeira.
                - Estou falando sério. – Falo.
                – Até mais. – Ela me interrompe e desliga o celular na minha cara.
                E agora que devo fazer? Para onde as duas foram? Eu amo minha irmã, mas tenho medo que ela possa fazer algo contra Aurora, eu não posso deixá-la fazer isso... Eu não aguentaria.
                Tenho que tomar mais alguma atitude, não posso ficar parado aqui. Mando uma mensagem para Erika avisando que Aurora está com a Jenna e que ela me encontre no estacionamento. Parece que esse ano eu não vou ganhar nenhum prêmio por presença nas aulas.
                Corro em direção à saída e percebo que se eu tivesse saído um pouco antes talvez eu impedisse que Jenna levasse Aurora. Vejo as duas em um carro saindo do estacionamento. Jenna está com sua aparência normal. A aparência que eu me lembro sempre, a única que me faz lembrar que eu ainda tenho uma irmã que era carinhosa comigo.
                Meu carro está muito longe, e eu me sinto completamente imóvel, o temor que me sinto só de pensar que talvez eu nunca mais veja as duas é maior. Fico paralisado no meio do estacionamento até que sinto uma mão em meu ombro. Era Erika.
                - Onde elas estão? – Ela pergunta.
                - Jenna levou Aurora. – Falo. – Cheguei muito tarde.
                Sinto-me horrível por dentro, mas por quê? Eu não sabia sobre isso, eu não poderia prever, eu não sei por que me sinto assim.
                Meu cérebro parece ter sofrido uma lavagem e tudo está misturado, coisas estão faltando. Minha respiração está acelerada. Minha pulsação está sem ritmo. É aí que eu percebo. É só nesse momento de perda que eu percebo, estou apaixonado. Estou apaixonado por uma garota. Eu amo Aurora Collins.
                - Você está bem? – Erika me pergunta. E é quando percebo que não posso viver no meu mundo, tenho que salvar Aurora.
***
                Estamos no carro há aproximadamente duas horas, procuramos por Jenna e Aurora por todos os lugares onde eu pude lembrar, menos um, a casa de Aurora, e é para lá onde estamos indo.
                Erika, assim como eu, está perdida em seus pensamentos. Ambos só falamos algo quando nos lembramos de algum lugar para procurar. O que será que Erika está pensando?
                Tento ligar para o telefone de Aurora de novo, ele está desligado. Posso sentir uma lágrima se formando no meu olho, mas pisco para não deixar que a lágrima escorra por meu rosto.
                Chegamos à casa de Aurora, eu nunca havia entrado lá, desde que Aurora saiu de sua casa para morar com Erika, ela só foi à sua casa uma única vez, foi na vez em que ela foi supostamente atacada por minha irmã.
                Há uns dez dias Aurora me contou o que havia acontecido com eles dentro da casa dela, ela me falou sobre o incêndio, sobre a carta e sobre Ezra, aparentemente o mesmo Ezra em que eu e minha irmã confiávamos que agora se tornou um ínvido.
                Desço do carro e vou em direção a porta da frente, a porta não está trancada então eu entro. Pela descrição que Aurora me deu eu pensei que a sala inteira estaria torrada e não tinha sobrado nada, porém quando entro na sala, tudo que vejo são alguns móveis de alguém que tem um gosto particularmente esquisito.
                - Erika, - Grito, ela ainda não entrou na casa. – Vocês não disseram que a sala tinha pegado fogo?
                - Disse. – Ela grita de volta e depois entra na casa. – Puta m... O que aconteceu com o lugar? Eu posso jurar que a sala estava queimada, eu vi com meus próprios olhos.
                - Acho que não foi minha irmã quem invadiu o lugar. – Digo. – Os ínvidos estiveram aqui, tudo não passou de um jogo mental deles.
                Por um instante uma ponta de esperança apareceu em mim, minha irmã não tinha feito nenhum mau para eles naquele dia. Mas então minha ficha caiu, há quanto tempo e com que frequencia, os ínvidos brincam com nossas cabeças?
                Sinto-me completamente inútil, eu sei como acabar com eles, mas não consigo sem minha irmã, por um momento meus pensamentos tentaram buscar alguma alternativa, alguma coisa que eu pudesse fazer, mas tudo que consegui pensar é uma coisa que não me agrada muito.
                Jenna pegou a Aurora para as duas tentarem acabar com os ínvidos sozinhas, por algum motivo Jenna não quer me envolver, sei disso porque a conheço há muito tempo. Ela sempre quis me defender, e eu sempre a odiei por isso.
                A odeio mais que nunca agora, ela não podia ter levado Aurora para longe de mim, ela não podia simplesmente ter me descartado dessa maneira, ela não poderia usar Aurora dessa maneira, e o pior ela não podia arriscar a vida da Aurora. Se acontecer algo com a Aurora, eu juro que vou me certificar que o mesmo aconteça com minha irmã.
                Pela primeira vez noto o rosto de Erika, ele se torna um pouco sombrio, o que será que ela está pensando?
                - Eu juro, que na hora que eu encontrar esse ínvidos... – Ela faz uma pausa. – Eu irei matar cada um deles. Não se brinca com a vida de ninguém, não se brinca com a cabeça de ninguém assim.
                -Vamos pocurar por alguma pista. – Falo, tento soar o mais controlado possível, mas os meus pensamentos me consomem, o que Erika disse está me consumindo. Quando eu achar algum ínvido, eu mesmo o matarei.
               
               
               



               

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