quarta-feira, 9 de julho de 2014

Solstício - Capítulo 13



Capítulo 13 – O inicio de um plano



Aurora



                Ouço esse nome e por um instante esqueço onde eu estou. Meu pensamento estava na carta escrita pela minha mãe, o nome do homem em quem eu devia confiar estava escrita nela, e eu acabo de ouvir seu nome, saindo da boca cheia de rugas de um senhor possuído por um ínvido.
                Eu não sei o que fazer, tudo que eu sinto é mais confusão. A cada segundo que se passa meus problemas ficam maiores e já não sei em quem confiar.
                Sinto uma lágrima escorrendo por meu rosto, o que era estranho já que eu não sentia nada físico há dois segundos. Por um instante sinto minha mente sendo esvaziado, o ínvido que está tomando conta do meu corpo está me libertando.
                “Não fuja agora, espere até eu dizer à hora de sair daqui.” Era uma voz masculina, eu já ouvi essa voz antes, mas não lembro quem é o dono dela. Minha única alternativa era esperar até a voz me dizer o que fazer.
                - Ezra, - tento tirar alguma informação dele. – o que você fez com a mina mãe?
                “Não faça esse tipo de pergunta”. É tudo que ouço da voz misteriosa na minha cabeça. Instantaneamente me arrependo de ter perguntado algo. O rosto de Ezra abre-se em um sorriso que logo se transforma em uma gargalhada. “Eu queria te contar”. Mais uma vez a voz fala, e tenho a impressão que tem um traço de pena no seu tom de voz.
                - Sua mãe? – Ezra se abre em uma risada mais alta. – Sua mãe morreu há dois anos.
                Meu corpo se congela, não fazia sentido minha mãe estar morta por tanto tempo se eu mesma convivi com ela em todos esses anos, não fazia sentido, o problema era desde ontem as coisas que não faziam sentido começaram a acontecer. Uma onda de terror invade meu corpo. E minhas lágrimas escorrem ainda mais. Sinto que tenho controle total sobre meu corpo, mas não arrisco limpar as lágrimas.
                - Morta? – Minhas lágrimas tomaram conta do meu rosto, e isso é tudo que consigo dizer.
                - Você está sobre o controle dos ínvidos há dois anos, - Fala Ezra com uma voz seca. – Todos a sua volta em cerca de dois anos eram ínvidos, na verdade você nunca esteve em Nova Iorque. Você vivia em um apartamento abafado e...
                - Então por quê? – Minha voz agora adquiriu um tom alto a ponto de gritar. – Porque fez isso, porque se preocupar comigo? Porque me fazer passar por coisas que eu não passei? Por quê? – Minha garganta se fechou e não conseguia dizer mais nenhuma palavra, eu apenas soluçava. Uma dor forte tomou conta do meu peito.
                - Eu precisava da sua mente sã. – Ele fala como se isso fosse uma resposta óbvia. – Mas de alguma forma você fugiu e veio parar direto nessa cidade, posso afirmar com certeza que isso não pode ser uma coincidência.
                Pergunto-me o que me trouxe aqui? Quem me trouxe aqui? Quais os planos que esse alguém tinha? E porque me salvar?
                Outras perguntas se formam na minha cabeça, mas não posso falar nada, o ínvido que estava me controlando, me calou. Talvez com medo do que eu dissesse talvez com medo que eu o entregasse, mas a verdade é que eu não sabia quem tinha me tirado do meu inferno particular.
                Estou enterrada nos meus pensamentos quando vejo Nick se mover. Talvez não houvesse apenas um ínvido traidor. Nick me puxa pelo braço, e posso ver a cara de surpresa na face de Ezra e de Derek, ambos totalmente controlados por ínvidos.
                Nick tenta pegar o braço de Erika também, mas é impedido por Derek. Viramo-nos para a saída e corremos o mais rápido que pudemos. E então penso: “quem quer que tenha controlado a mente de Erika, por favor, cuide dela”.
                Corremos o mais rápido que podemos e encontramos a saída de caverna. Assim que passamos da entrada um formigamento percorre todo meu corpo, meus poderes estavam de volta. E para que todos os ínvidos lá fora saibam, Nick usa seus poderes para fazer uma raiz crescer e tampar a entrada.
                Continuamos a correr e só paramos quando não restava mais nenhum sinal da caverna, ou de ninguém.
                - Você está bem? – Nick me pergunta e ao mesmo tempo tenta recuperar o fôlego.
                - Sim e você? – Ele me responde com um aceno de cabeça, concordando.
                Por um tempo ficamos nos olhando sem saber o que fazer ou pra onde ir. Sem as chaves do carro de Derek não tínhamos a mínima condição de sair daquele lugar.
                Sento-me com as mãos no meu rosto e meus cotovelos estão nos joelhos, tento não me lembrar de minha mãe, mas era impossível. Eu não sabia quem era a mulher com quem vivi por dois anos.
                Milhões de perguntas se formam na minha cabeça. Porque minha mãe foi morta? Porque não me mataram? Porque me fizeram passar dois anos pensando haver uma realidade à minha volta? Por que...
                Tudo está silencioso e tudo que posso ouvir é o som vindo do mar, as ondas batendo...
                - Aurora, - Nick senta-se ao meu lado. – vai ficar tudo bem, vou descobrir o que aconteceu com sua mãe, vou descobrir isso por você.
                Eu não falei nada, parte de mim queria apenas sumir e nunca mais aparecer, a outra parte de mim queria ficar nessa praia para sempre, para nunca mais ouvir a voz de mais ninguém, mas Nick estava ali, do meu lado.
                Nick estava do meu lado... Mas não consegui salvar a Erika, muito menos o Derek. Sinto meu rosto arder com as novas lágrimas que escorrem no meu rosto, não podia ver minha cara, mas sabia que ela estava muito vermelha.
                Nick me abraça e isso me ajuda, minhas lágrimas são substituídas por soluços e logo minha vontade de chorar acaba.
                Eu acabo de descobrir que os últimos dois anos da minha vida não aconteceram como eu me lembro que minha mãe está morta, que talvez eu nunca tenha conhecido o Cameron ou a Vic. E tudo isso foi silenciado por um simples abraço de Nick. Apenas dois minutos de choro e depois... Nada.
                Sinto-me horrível, talvez eu seja a pior pessoa do mundo. Mas sinto que no momento em que Nick me soltar, vou desabar e nunca mais me reerguer, então eu apenas o abraço de volta e peço para que ele fique comigo para sempre.
                Mas eu não podia, eu não podia simplesmente largar Derek e Erika lá dentro daquela caverna e ficar abraçada com Nick na praia, eu simplesmente não podia fazer isso com eles.
                - Erika. – Falo em um sussurro, - Derek. – Me levanto e saio correndo em direção à caverna. – Derek, Erika. – Olho para trás e vejo Nick correndo atrás de mim. – Derek! Erika! – Grito. Mas logo sou parada por Nick.
                - Para, - ele fala com uma voz controlada, seus olhos verdes me fitando. – o que acha que está fazendo?        
                - Eu tenho que salvá-los. – Falo, tento manter o mesmo tom controlado que Nick, mas parecia impossível. – Eles precisam de mim.
                - Espera. – Ele me puxa para trás e me leva de volta ao local onde estávamos antes de eu surtar. Para entrarmos lá iremos precisar de um plano. Pelo menos já sabemos o que eles são. Precisamos saber o que eles querem.
                Ínvidos... Era isso que eles eram, mas do que isso ira adiantar?
                - É o seguinte, - Ele continua. – Há algum tempo eu e minha irmã descobrimos como tirar os ínvidos da dominação da mente de uma pessoa.
                - O pai da Erika fez esse feitiço comigo. – Falo.
                - Não exatamente. – Ele diz. – O feitiço que eu estou falando é diferente, como pode perceber aquele homem chamado Ezra tinha aparência de um velho. Mas há dois anos ele não era assim, ele tinha a idade da minha irmã, os dois já foram... Namorados. – Tento imaginar tudo isso, como A irmã de Nick, Jenna, poderia conhecer a Ezra?E o pior, como minha mãe poderia conhecê-lo? – Bem, como já deve ter percebido, os ínvidos envelhecem muito rápido quando possuem o corpo de alguém. Eu e minha irmã sabemos como tirar um ínvido da cabeça de alguém e fazer esse alguém lembrar tudo e voltar a sua idade normal.
                Uma ponta de esperança aparece e me sinto muito bem, talvez Nick saiba como eu possa me lembrar dos últimos dois anos, talvez eu saiba onde e como minha mãe morreu talvez tudo se explique.
                - Não vamos perder tempo, - Falo me sentindo animada. – Vamos tirar todos os ínvidos das cabeças dos meus amigos.
                - Não é assim tão fácil. – Ele fala, e faz uma cara um pouco esquisita. – Para eu realizar o feitiço precisarei da minha irmã.
                Toda a esperança que me cercava acabou indo embora, eu não podia confiar em Nick, mas acima de tudo, eu não poderia confiar na irmã dele, eu não poderia confiar em Jenna, ou em Becca, ou em quem quer que ela queira que seja chamada.
                - Calma vai ficar tudo bem, - Ele diz. – assim que Jenna souber que Ezra está no meio disso ela vai querer nos ajudar, vocês terá seus amigos, e sua memória de volta.
                Suas palavras eram confortantes, eu me sentia muito bem agora, mas precisávamos encontrar Jenna logo.
                Quando dou conta do que está acontecendo nesse momento, a boca de Nick já estava colada na minha, mas eu não o afasto pelo contrário, eu o agarro como se fossemos um só. Um beijo, e me sinto melhor. Um beijo e já me sinto esperançosa de novo. Quando nossos lábios se afastam Nick não fala nada, mas eu posso ouvir uma voz.
                “Eu esperava mais de você.” Era a voz do ínvido de novo na minha cabeça, mas dessa vez eu reconheci a voz. Era a voz de Cameron.

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