Capítulo 12 – A caverna
Erika
Mesmo
tendo consciência que Nick é e sempre foi um bruxo meus sentimentos por ele não
mudaram. Me pego pensando em como seriam nossos filhos, um tipo de híbrido
entre clãs, isso seria permitido? Uma vez meu pai me falou que um bruxo nunca
pode ter relações com outro bruxo, ele me disse que mesmo antes dos clãs serem
separados era proibido pela natureza o nascimento de um bebê filho de dois
bruxos.
Mas
o que há de errado comigo? Eu não sou o tipo de garota que pensa em filhos e
casamento, muito menos quando o garoto nunca pareceu interessado. Eu sou o tipo
de garota que se fecha para o mundo e tenho que ser assim.
Pela
primeira vez noto que existem mais pessoas na frente co colégio, até então tudo
que me interessava era saber a verdade a respeito de Nick. Eu estava rezando aos deuses que ele não
fosse um bruxo, mas os deuses não me concederam esse pedido, pelo menos ele não
ficou como o vilão da história, e estou grata pro isso.
Todos
estão se dirigindo para dentro da escola, o sinal havia tocado, mas eu não o
ouvi. Meus pensamentos estavam muito altos e algo me diz que meu dia será
completamente desse jeito.
Nick
ainda nos olha com uma cara constrangedora, eu sei que ele não é culpado e não
o julgo por esconder esse segredo de nós, mas eu sinto que tem algo que ele não
está nos contando.
-
Não sei vocês, mas eu não estou a fim que ter aula com minha irmã psicopata
hoje. – Nick diz e demora um tempo para terminar sua fala. – O que acham de ir
à praia? Aurora você já conhece nosso litoral?
- hm... Não. – Ela fala com a
voz rouca. Sei exatamente no que ela está pensando, sua mãe. – Acho que pode
ser uma boa idéia.
Demorou
um pouco até eu entender, mas a Aurora queria mesmo matar aula. Ela me pareceu
tão certinha ontem. Parece que eu consigo mesmo mudar uma pessoa em um dia de
convivência.
Todos
nós nos dirigimos ao carro do Derek e eu e Nick nos sentamos no banco de trás.
Derek abre o teto do carro e posso sentir o sol na minha pele, deve ser a
melhor sensação do mundo para mim. Antes de eu saber a verdade sobre meus
poderes eu sempre me perguntava por que algumas pessoas iam à praia e não
ficavam no sol, ou até mesmo passavam protetor.
Eu
adoro os raios solares e odeio a sensação que sinto quando uso protetor é como
se algo estivesse bloqueando minha felicidade.
Derek
acelera e vamos para a parte baixa da cidade, em direção ao litoral. Não me
parecia uma hora oportuna para música, mas quando menos espero Aurora liga o
rádio, uma daquelas emissoras para pré-adolescentes está sintonizada, e uma
música está tocando, não reconheço o cantor, mas a música me agradou muito.
A
cidade pode ser pequena, mas demora cerca de vinte minutos para chegarmos à
estrada que percorre a praia inteira, vejo algumas pessoas, na verdade para
essa época do ano a praia está cheia, mas Derek não para na praia.
-
Para onde estamos indo? – Pergunto.
-
Na verdade não acreditei muito no que Nick falou. – Derek rebate e fico sem reação,
assim como Nick e Aurora. – A verdade é que ontem à noite quando cheguei
comecei a ler alguns dos papeis que minha mãe deixou para mim. E encontrei algo
que podemos usar.
Foi
uma resposta incompleta e totalmente sem nexo, mas ainda assim ninguém falou
nada.
Percorremos
a estrada por mais ou menos uns dez minutos a mais, a música já havia cessado e
todos ainda estavam em silêncio.
De
repente paramos, a praia estava deserta, e não havia nada por perto, nem casas
nem pessoas, nem carros.
-
Chegamos onde? – Nick começa a falar, mas depois que Derek o olha ele para.
-
Sigam-me. – É tudo que Derek fala.
Noto
algo de errado com Derek, algo totalmente diferente, era como ver outra pessoa
no corpo dele. Ele estava... Diferente.
Nós
o seguimos por um caminho que termina em uma caverna. Entramos e levou apenas
dois segundos até sentir que meus poderes haviam desaparecido por completo. A
sensação não ficou apenas comigo, mas Aurora e Nick também sentiram. Algo estava errado... Muito errado.
Derek
continuou andando, e algo me força a acompanhá-lo, mesmo que eu lutasse, meu
corpo parecia não querer receber ordens do meu cérebro. Agora é oficial, algo está
errado com Derek, algo muito errado.
Na
caverna seguimos por um corredor estreito e escuro até chegarmos a uma grande
abertura, estava mobiliada, alguém estava morando lá. Tento falar alguma coisa, mas nenhum som sai
das minhas cordas vocais. Derek se vira e fala.
-
Só poderão falar quando eu, ou meus amigos permitirmos. – Derek fala, e agora
posso ouvir no seu tom de voz, a fala de outra pessoa.
Ficamos
parados sem entender nada, sem poder fazer nada, nem falar nada. Estávamos ali simplesmente
parados. Então me dou conta que estávamos ali esperando alguém.
Demorou
muito mais tempo até eu perceber quem nós estávamos esperando... Ínvidos. Fazia
todo sentido, meu pai protegeu a mim e à Aurora contra a possessão completa dos
ínvidos, mas nunca protegeu ao Derek. De qualquer forma, os ínvidos encontraram
uma forma de penetrar na magia do meu pai e conseguiram controlar parte do meu
corpo, assim como fizeram com Nick e Aurora.
Mas
Derek estava totalmente possuído, isso estava claro. Talvez nem os pensamentos
que estão se formando em sua cabeça seja dele.
-
Como já devem ter percebido, - Derek começa a falar, e noto que esse pode ser
um daqueles discursos feitos por vilões de desenhos animados. – eu não sou
exatamente o Derek, e bem, eu não posso falar muito agora, mas vocês fizeram
uma bagunça em nossos planos...
-
Já chega. – A voz de um homem rompe o silêncio. – Você fala de mais.
O
homem aparece e vejo uma figura alta e com cabelos grisalhos, rugas se formam
por todo seu rosto e braços, e de certa forma aquela velhice não parecia
natural.
-
Essa caverna não é interesantes? – O homem começa a falar e não sei exatamente
em que ponto ele quer chegar. – Eu encontrei aqui, um refugio para meus filhos,
nós tentamos possuir corpos de bruxos, sempre que pudemos, afinal somos
invejosos. O problema é que vocês têm um bloqueio que nos impedi de tal feito.
Mas aqui não. Aqui seus poderes são inúteis.
“Quem
poderia imaginar uma caverna que foi palco de uma das maiores maldições já
lançado pela humanidade, atualmente não possui magia alguma e é completamente
imune a poderes.”
-
De que maldição vocês está falando? – Falo e logo consigo perceber que minha
fala foi devolvida.
-
A maldição que vocês estão querendo quebrar. – Ele me responde como se fosse óbvio.
– Pensei que soubesse da verdadeira história.
-
A maldição que queremos quebrar foi feita por Seth, - Digo. – ele amaldiçoou a
cidade em praça pública.
-
Essa era a história que James queria que vocês acreditassem. – Ele diz e depois
da uma risada disfarçada. – A verdadeira história está aqui. – ele nos mostra
um caderno antigo. – O diário de Seth Howel, a verdadeira história por trás da
James Reynard.
Fico
em silêncio, nunca cogitei que a história havia sido contada de uma forma
diferente da verdade. Mas não podia ceder aos jogos psicológicos de um ínvido.
-
Afinal de contas, - Começa Aurora. – Quem é você.
-
Meu nome não é importante, não lhe trará nenhuma explicação. – Ele faz uma
pausa. – Mas o nome do homem que eu estou habitando talvez lhe seja familiar. –
Vejo sem seu sorriso um pouco de ansiedade. – Ezra.
Nenhum comentário:
Postar um comentário