Capítulo 13 - Apolo
O
lugar onde estávamos parecia uma extensão do próprio Olimpo, mas não havia construção
alguma. Estávamos em frente de vários homens e mulheres, já sabia que todos
eram deuses, mas tinham alguns que eu não reconhecia. Na verdade eu nem sabia
que existiam tantos deuses no mundo.
Eu
estava completamente imóvel, não sabia como agir, não sabia como lidar, meu pai
estava ali, diante de mim, mas eu não sabia o que fazer. Fiquei parado por um
bom tempo, e ao que parece os outros assim como eu ficaram imóveis.
Não
sabia direito como eu tinha chegado ali, provavelmente os deuses nos salvaram
de SoulQueen, mas quem salvará o mundo dela? Ou melhor, quem irá salvar Clícya
dela mesmo?
-
Se pudermos... – Falou John em tom constrangedor. – Poderíamos conversar a sós?
Os
deuses nos deram licença e saímos em direção a nada. Ficamos calados mesmo
sabendo que de qualquer forma eles iriam nos ouvir, quer dizer eles são deuses,
podem muito bem ouvir o que estou pensando agora deles.
Jake
parou e fizemos um circulo em sua volta. Ele se vira para John.
-
Nos diga exatamente o que aconteceu, ainda tem coisas que eu não entendo.
John
nos contou tudo, desde quando desmaiamos até a hora que acordamos, mas foi
exatamente quando ele falou a respeito do comportamento estranho de Clícya que
eu realmente percebi tudo.
Jake
me olha com cara desconfiada, mas decidiu não falar nada.
John
continuou a falar.
-
Eu pensei que tivesse acabado com todas as fobias, quando eu matei o chefão. –
Ele olhava ara cada um de nós. – Eu estava muito feliz que finalmente nosso
nome estaria tão popular quanto do de Percy Jackson. Mas então Clícya começou a
agir diferente, e fiquei completamente paralisado enquanto ela engolia centenas
de almas. A culpa é toda minha. – John olha para baixo e continua andando.
Jake
vai atrás dele e faz sinal para que eu e Tamires não os sigam. Foi a primeira
vez que ficamos a sós depois do beijo. Tamires não olhava na minha cara, estava
esperando que eu falasse algo.
Abri
minha boca para falar, mas ele começou.
-Chrystian,
sobre o beijo... – Ela agora me fitava com seus olhos bem abertos. – Antes de
tudo gostaria de falar primeiro com a minha Senhora Ártemis.
-
Cla- claro – Olhei para ela de volta e acrescentei. – Mas mesmo assim se você
ainda quiser esquecer tudo isso, por mim tudo bem.
Nesse
momento Tamires se projeta para frente e me beija mais uma vez, mas dessa vez
não houve dúvidas, nem medos. Ela demorou bem mais que antes, e eu não queria
que ela me soltasse nunca mais.
Fomos
interrompidos por uma sombra que tapava a luz. Era Apolo, meu pai, parecia que
ele queria falar comigo, mas não conseguiu esperar. Obrigado pai.
Seu
rosto representava o de um pai orgulhoso, ou talvez de um irmão que estava se
divertido da irmã, Ártemis apareceu atrás de Apolo com uma cara um tanto
furiosa. Olhei uma ultima vez para Tamires e ela sorriu de volta. Depois acompanhou
Ártemis. Fiquei só com Apolo, ele ainda olhava para mim. Ele não parecia ter
mais de 18 anos, é esquisito como seu pai é apenas um ano mais velho que você.
Apolo
se sentou e materializou uma cadeira na hora para ele, e depois materializou
outra pra mim, me sentei e ele começou a falar:
-
Estou orgulhoso. – Falou ele olhando com seus grandes olhos azuis. – É a
primeira vez em anos que um filho meu é tão bem sucedido em uma missão. Você
realmente é especial. – Olhava para ele sem saber o que dizer. – Mas não estamos
aqui para falar do sucesso de uma missão que anda nem acabou. Chrystian preciso
que pense muito bem em tudo que já foi feito durante essa missão, tenha a
certeza que não está esquecendo algo. Algum detalhe reflita bem, meu futuro
assim como o dos outros deuses está em suas mãos.
Ele
levanta e me olha sorrindo, os dentes tão brancos que refletiam o sol da mesma
maneira que o chalé sete do acampamento. Foi então que eu lembrei o
acampamento, meus irmãos, Matt, os poucos campistas, a falta de poder.
Parecia
que fazia séculos que eu não pisava no acampamento, quando na verdade só fazia
três dias.
Então
lembrei os presentes que eu ganhei dos meus irmãos e de Matt, eles tinham me dado
presentes, mesmo sem me conhecer direito. Então me lembrei da harpa que Matt me
deu e tirei do meu bolso.
Fitei
a harpa e ela cresceu diante dos meus olhos, então lembrei o que Matt tinha me
dito. A harpa, quando tocada, podia clarear minha mente e desembaraçar minhas
idéias.
Comecei
a tocar e por um bom tempo foi só no que pensei nada mais me importava, eu
apenas pensava em tocar a harpa. Então um pensamento me veio à mente, toda a
profecia já tinha sido realizada, com exceção dos dois últimos versos:
Um sacrifício
será feito
Para salvar o
imperfeito.
Eu só precisava
saber exatamente do que se tratava o resto da profecia já havia sido realizada:
Na casa dos grandes se Instalou /O medo, mais forte que os deuses se mostraram (as
fobias tinham tomado os reinos de cada um dos três grandes, deixando-os fracos.).
Por provações os semideuses devem passar /Se o Olimpo quiser salvar (cada um
dos filhos dos três grandes acabaram com as fobias que venceram seus
respectivos pais olimpianos.). A morte pode não ser /Aquilo que se esperou (Clícya
com certeza nunca foi imaginada sendo a nova senhora da morte) Então só havia
mais dois versos, apenas mais dois versos até o fim da missão, aí saberíamos se
nossa missão seria bem ou mal sucedida.
Quando olho para o lado
percebo que Tamires vem em minha direção, ela vem com uma expressão irreconhecível.
- Minha Senhora Ártemis, permitiu
que eu saísse do grupo das caçadoras, o problema é que ela me amaldiçoou não
posso mais pegar em um arco que seja, ou errarei meu alvo sempre. – Falou ela
parecendo animada. – A parte boa é que posso ficar contigo, a parte ruim é que
não sou mais imortal. – Ela me beija mais uma vez dessa completamente
despreocupada – Então... De nada.
Eu a abracei, não sabia que
gostava tanto dela, até esse momento. Ela tinha desistido de sua imortalidade,
por mim.
***
Ponto de Vista da Jake***
Eu me sinto muito mal em ver
John daquele jeito, desde que me apaixonei por ele, nunca o vi tão deprimido. A
verdade é que eu já estava apaixonada por ele antes mesmo de sermos convocados
para a missão.
Agora a forma com que olhava
para o chão, completamente culpado, me cortava o coração, então faço uma coisa
que talvez tenha sido o melhor a fazer. Dei um beijo nele, ele ficou
completamente surpreso, quer dizer, já nos beijamos várias vezes, mas ele
sempre tomava a atitude primeiro, eu sempre tentei bancar a difícil.
Ele agora abriu um sorriso, e eu
sussurrei para ele: A culpa não foi sua. De
repente ele parecia completamente tranquilo.
-
O sentimento de culpa pode ser uma coisa boa minha filha. – Afrodite fala para
mim – Posso conversar com você um pouco?
Nenhum comentário:
Postar um comentário