Capítulo 15 – Andamos de Raio
- Espero que
aproveite bem seu Novo potencial. – A deusa falou, sua voz era tão suave, e não
parecia nem um pouco ameaçadora.
-
Quanto a você. – Poseidon interrompe a fala de Atena. E vira-se para Tamires
sua filha. – Agora que não tem mais seu arco, acho que deve usar uma arma com a
qual seus combinem. – Poseidon estendeu suas mãos e delas saiu um tridente do
mesmo tamanho da lança e da foice de John e Clícya. – Espero que seja muito
útil.
Tamires
olha para o pai, e sorri, quando a garota pega a arma parece que tudo nela
muda, sua posição completamente insegura quando estava sem nenhuma arama, agora
está completamente diferente, ela agora transpirava confiança, era como se a
arma de alguma forma a ligava a metade deusa dela.
-
E há mais uma coisa que todos vocês precisam saber. – Fala Hades, e de alguma
forma sinto que ele vai falar de sua filha. – Algo que eu nem contei a minha
filha. Algo que apenas meus dois irmãos, Zeus e Poseidon sabiam. - Por um
instante ouve muito silêncio até mesmo Zeus parecia incomodado com a situação. –
Minha filha, de alguma forma não nasceu meio sangue. Quando o Alter-ego dela
toma conta dela, sua humanidade se esvai, E quando isso acontece, o que resta
da sua essencial é apenas divindade pura e incontestável.
Demorou
um tempo para eu conseguir assimilar tudo isso, e ao que parece aconteceu o
mesmo com todos os outros. Ao que parece, todos nós estamos pensando na mesma
coisa, como iremos matar uma deusa?
-
Então significa que além de ter basicamente o poder de todo o submundo, ela
ainda é uma deusa? – Falo. Minha voz quase não sai. – Como poderemos derrotar uma
deusa?
-
Foi por isso que te dei minha benção Chrystian. – Atena falou, por um momento
tinha esquecido sua presença ali. – Não faça com que me arrependa de tal
escolha.
-
O Tempo de vocês aqui acabou, iremos olhar tudo daqui. – Fala Zeus. – E como
sabem não poderemos interferir nesse assunto, então quando voltarem lá, estarão
por conta própria.
-
Esperem. – Era a voz do meu pai, ela estava acompanhado de alguns outros
deuses, entre eles sua irmã gêmea Artemis que aparentava ter treze anos. – Meu filho,
tenho algo pra você. – Ele me entrega uma espada exatamente igual à Mercuris, a
única diferença era que nela tinha uma pérola negra. – Essa espada fará com que
consiga acertar as almas que Clícya controla.
Olho
para o lado e vejo que a arma que Tamires recebeu também possuía a mesma pérola
negra, um plano já começará a aparecer em minha mente.
-
Obrigado pai. – Quando falo isso lhe dou um abraço que é na mesma hora
retribuída, e olho pra Ártemis, e só vejo dois olhos de puro ódio.
-
Quando voltarem terão um minuto de vantagem então se decidam a respeito do seu
plano. – Zeus levanta sua mão e um raio cai em nossas cabeças, mas ao contrario
do que pensei o raio não nos feriu, ele estava nos transportando.
Olho
para todos, e cada um estava olhando para mim de volta, estava esperando por um
plano meu.
-
Certo pessoal, pensei em algo. – Falo. – Eu e Tamires temos as armas que podem
ferir as almas, então nós dois iremos ao combate, ao passo que vocês dois -
Aponto para John e Jake. -, esperam abrir uma brecha no escudo para que possam
entrar e tentar falar com clícya.
-
Entendido. – Todos falam, embora não pareça um bom plano, é a melhor coisa que
podemos fazer.
Nosso
minuto parecia estar se esgotando.
-
Quando voltarmos estaremos de frente com ela. – Digo em voz alta. – Então desviem.
O
raio parou e realmente estávamos no mesmo lugar que antes, levou apenas meio
segundo para todos nos movermos e desviar dos ataques dela.
-
O que? – Falou ela com sua voz alterada. – Seus ferimentos estão curados. E
parecem mais forte. Malditos deuses.
Ela
recua, parece nos temer por um tempo, e pela primeira vez sinto uma ínfima
possibilidade de vitória. Mas então tudo muda várias almas saem de dentro dela,
formando o escudo que Tanato fez antes. É agora.
Tamies
me olha, e se aproxima. Ela me dá um beijo e depois diz:
-
Não se contenha não dessa vez.
Eu
não tinha entendido o que ela tinha falado mas mesmo assim ergui minhas duas
espadas na esperança que a pérola funcionasse nas duas armas. Tamires levanta
seu tridente e nós dois corremos.
Assim
como em filmes de guerra, nessa hora, minha mente estava funcionando em câmera lenta,
meus movimentos estavam certeiros, eu não errava um só golpe, acho que dever ter
algo a ver com minha benção que recebi de Atena.
Tamires
estava muito bem também, acertava todas, aparecia que conhecia os movimentos
das almas, devo agradecer isso a Hades depois.
À
medida que íamos nos aproximando mais ainda de Clícya mais almas estavam
acumuladas, ela tinha soltado muitas de uma única vez, e pela primeira vez
percebo que John e Jake estão atrás de nós e que conseguem acertar as almas,
mesmo que não tão eficiente quanto eu e Tamires.
As
almas estavam se dispersando, eu consegui ver um corpo de uma mulher, não mais
de uma adolescente, mas de uma verdadeira mulher, que tinha seus vinte e oito
anos, seus cabelos agora estavam curtos, e suas pele mais branca ainda, seus
olhos estavam inteiramente roxos. Agora ela parou de soltar almas, e
simplesmente esperou que nós acabássemos com todas as restantes.
-
Agora a escolha é de vocês. – Ela falou e sua voz pareceu ainda mais sinistra,
e sua boca quando aberta lançava uma luz roxa escura. – Ou juntam-se a mim e me
ajudam a matar os deuses, ou morreram aqui e agora.
-
Clícya, me escuta, por favor. – Falei o mais alto que minha voz pode dizer. – Essa
não é você, tome o controle de tudo, tome o controle do seu corpo.
Com
um simples gesto de mãos ela me ergueu a vinte metros de altura e depois me
jogou no chão.
-
Acho que já falei que não há mais nenhuma Clícya nesse corpo. – Falou a mulher
que agora desconheço inteiramente. – Meu nome é SoulQueen.
-
Chrystian, acho que não há mais jeito, - Tamires gala com uma voz baixa. –
Temos que enfrentá-la.
Eu
apenas aceno com a cabeça então automaticamente John e Jake pulam para
atacá-la, e pararam de frente com ela. Os dois se olharam e depois a fitaram,
bastou um gesto de mãos para cima e dois raios cortaram o céu e acertou
SoulQueen. Ela pareceu levemente afetada, Tamires levantou seu tridente e uma
onda gigante acertou a mulher. Não pareceu afetá-la mas acho que ela tinha um
plano maior.
-
Mais uma vez John e Jake. – Falou Tamires confiante.
SoulQueen
tentou escapar mas John a impediu.
-
Fique parada onde está não vai doer muito. – John falou e ela permaneceu
parada, acho que tem algo a ver com a benção de Afrodite.
Os
dois levantam suas mãos novamente. Minha mente começa a pensar com muito mais
velocidade e o mundo inteiro parece estar em câmera lenta outra vez. Então me
dou conta de que Atena me deu sua benção não pela estratégia em batalha, mas
pela inteligência. Estou pensando em tudo que aconteceu nas ultimas três
semanas.
A
morte dos meus pais, Matt, Cury, o acampamento, meus irmãos, a profecia, minha
missão e meus amigos. Lembrei de uma vez quando eu e meu pai estávamos
conversando e me disse: “Quando um verdadeiro amigo estiver mau, o ajude, tente
de tudo para ajudá-lo sacrifique até mesmo o que você acha correto para o bem
estar dele.”
Sacrificar,
uma palavra de todas as outras me chama mais atenção. Então me lembro que meus
irmãos meio-sangues me ensinaram no meu primeiro jantar que um sacrifício para
um deus é algo poderoso. E então o mundo volta à velocidade normal.
-
Esperem. – Falou para que os dois não ataquem SoulQueen.
Eles
me olharam com olhos curiosos, até mesmo a mulher estava curiosa.
Então
pensei, em Apolo – meu pai olimpiano que iria me apoiar em quase tudo- , em
Atena – a deusa que gostava de mim – e finalmente pensei em Ártemis, a única
deusa que gostaria do resultado do meu pedido. Fecho meus olhos e penso.
Por favor, Ártemis, eu suplico, ofereço
minha vida em troca da metade humana de Clícya.
Por um
instante nada acontece, mas então meu corpo inteiro pega fogo, dessa vez estava
doendo, eu sabia que Ártemis não iria desistir da oportunidade de me ver morto,
ao passo que meu pai e Atena hesitariam.
Então
a dor se torna maior ao ponto de eu não aguentá-la mais. E a ultima coisa que
eu escuto é o grito agudo e de tom angustiante de Tamires.
-
Nãao.
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