domingo, 25 de maio de 2014

Fanfic - Capítulo 16



Capítulo 16 – UM ANO DEPOIS

***Ponto de vista da Tamires***
            Eu realmente gosto daqui, quer dizer, não é um acampamento normal onde só sentamos em frente a uma fogueira e assamos mashmellows. E tirando a parte de ter que sair para cumprir missões, o acampamento não oferece perigo algum, se você estiver dentro dele...
            Já faz um ano desde que Chrystian se sacrificou pelo bem de todo o Olimpo. Desde então o Olimpo nunca esteve tão calmo, as únicas missões que tinham era para trazermos novos semideuses para o acampamento.
            Foi em uma dessas missões que conheci Alex, ele é filho de Atena, é alto e tem olhos e cabelos pretos, nada parecido com sua mãe Atena. Demorou muito tempo até ele conseguir me tirar o primeiro beijo. Demorou muito tempo para eu superar meu luto por Chrystian.
            Amanhã irá fazer um ano desde o dia em que nós derrotamos SoulQueen, desde então John e Jake ficaram noivos, e Clícya voltou ao normal, ela não possuía mais medo do escuro. Tornamos-nos melhores amigas e de todos no acampamento ela é a pessoa em quem mais confio, por que ela foi a pessoa em quem Chrystian confiou.
            Alex não me lembra Chrystian em nada, é inútil querer fazer comparações, mas os dois são muito diferentes. Eles eram totalmente diferentes fisicamente, mas era na forma de pensar que eles mais se distinguiam. Talvez por isso eu quisesse ficar com Alex, talvez eu estivesse cansada demais de ficar de luto por Chrystian.
            Nos verões o acampamento voltou a ser lotado, com toda essa história de fobias mortas, os semideuses voltaram a creditar nos deuses, e de certa forma até os deuses estão mais fortes, até mesmo eu me sinto mais forte.
            Foi difícil me levantar hoje de manhã, mas tento acordar o mais cedo possível, eu faço o mesmo ritual todos os dias, eu me levanto cedo e vou até o campo de arco e flecha.
            Pego um arco grande e uma flecha e atiro, e como de costume minha flecha erra o alvo a cerca de cinco metros.
            - Porque ainda tenta isso todas as manhãs? – Era a voz de Alex, seu sorriso era largo e cheio de dentes brancos. Inclino-me para beijá-lo, mas não sorrio. – O que aconteceu?
            - Você sabe que dia é hoje? – Falo ainda olhando para meu arco que era inútil.
            - Sei, - Alex dá uma pausa. – O dia do sacrifício, hoje faz um ano desde então.
            O nome foi dado por motivos óbvios, mas ainda assim tem um grande significado pra mim. Não agüento nem lembrar o dia em que o corpo de Chrystian começa a pegar fogo e eu sou incapaz de tocá-lo, sou incapaz de apagar o fogo.
            Lembro-me que o trouxe nas costas de Cury, sua pele totalmente queimada e seus olhos ainda abertos, intactos.
            Clícya passou meses se culpando por tudo, assim como eu, mas nós duas sabíamos que nada disso era nossa culpa, em parte esse foi o nosso único assunto durante meses.
            Solto o arco e pego na mão de Alex.
            - Vamos tenho que visitar um amigo antes de falar com o Senhor D. a respeito da comemoração hoje a noite.- Falo a respeito da comemoração com um tom abatido.
            Enquanto caminhávamos, o silêncio nos acompanhava, a única coisa que consigo fazer é pensar no último beijo que dei no filho do Sol.
            Cheguei ao estábulo, Cury estava lá, ficou aqui desde que voltamos da missão, ele gosta da companhia dos semideuses.
            Cury me vê e fica muito feliz, ele voa em minha direção e eu abro meus braços o convidando para um abraço, ele se aproxima de mim e fico fazendo carinho nele por um tempo.
            - Sabe que dia é hoje não sabe? – Falei mesmo sabendo que não poderia ouvi-lo, ele acenou com a cabeça devagar. – Chrystian foi um herói e gostaria muito que você estivesse na cerimônia hoje à noite.- Mas uma vez ele acena com a cabeça e me despeço dele.
            Agora vamos em direção ao chalé treze, vou acordar Clícya.
            - Como está? – Pergunta ela a mim. – Esquece, tenho uma coisa pra te contar. Advinha quem está no chalé um?
            As regras do acampamento diziam claramente “Nada de semideuses dormirem no chalé de um deus que não seja seu pai”, mas John e Jke sempre conseguiam burlar essa lei.
            Corremos em direção ao chalé um, já faz um tempo que não vejo os dois, talvez tenham chegado ontem de noite.
            Entramos no chalé mesmo sem convite, e gritamos para acordar os dois. Era bom finalmente ter nossa equipe reunida novamente.
            - Como vocês conseguem ter bom humor de manhã? – Falou Jake com uma voz suave, mesmo tendo acabado de acordar. – Sério vocês são humanos? Ah, esqueci, vocês não são. – A garota ri e se levanta pra nos dar um abraço.
            John se levanta também e nos dá um abraço também.
            Fomos todos em direção a grande casa no meio do Chalé, o Senhor D. estava nos esperando lá, juntamente com os quatro irmãos de Chrystian, era óbvio que ele tinha mais irmãos agora, mas apenas eles quatro conheceram Chrystian. Ally, Jeremy, Cassie e Daniel me Olharam com expressões consoladoras e Senhor D. pede para nos sentarmos.      
            - Bem semideuses, esse é um grande dia. – Fala ele. – Para uns o dia da grande vitória, para outros representa uma grande perda.
            Enquanto Senhor D. falava eu me perco em meus pensamento, estava pensando em qual deus acolheu o pedido de sacrifício de Chrystian. Eu poderia estar sentada na mesa em que o assassino estava sentado também.
            Tento livrar tudo de ruim que eu estava pensando e seguro a mão de Alex, o único no meio de todos que não havia conhecido Chrystian, mas mesmo assim estava ali por mim.
            A reunião acabou, assim como ela o dia todo passou muito rápido, já era hora do jantar e como de costume todos se levantam e jogam um pedaço da refeição no fogo como prova de agradecimento e sacrifício. A única coisa que posso pensar é que tudo está bem o Olimpo está em paz, e ninguém mais morreu durante todo o ano, mas ainda assim eu sinto um vazio, eu sinto um vazio por um garoto que só conheci em quatro dias.
            Durante a refeição Senhor D. para de falar e todos se concentram em suas mesas, eu estava sozinha, como de costume, então uma figura senta-se na minha frente. Era Matt o sátiro que trouxe Chrystian para o acampamento.
            - Oi, sei que esse dia está sendo uma droga, mas gostaria de te dar isso. – Ele estendeu a mão e me entregou uma miniatura de harpa. – Essa harpa se queimou junto de Chrystian, mas desde então eu venho tentando restaurá-la, acho que você é a melhor pessoa para ficar com isso.
            As intenções de Matt foram as melhores, mas para mim foi a gota d’água. Saí correndo, Matt foi atrás de mim, juntamente com Alex, Clícya, John e Jake.
            Tento correr rápido para o meu chalé e trancar a porta, quero ficar sozinha, mas talvez eu não corra tão rápido quanto eu pensei.
            Sinto meu braço sendo puxado e paro no mesmo instante. Alex apenas olha para mim, e me abraça. Ele realmente gosta de mim, se fosse o contrário eu não agüentaria competir com uma semideusa morta com fama de heroína que volta sempre pra atormentar meu namorado.
            Mas com ele era diferente, ele era calmo e seus abraços não me pareciam tão vagos quanto os primeiros que ele me dava. Acho que agora estou apaixonada por ele.
            Todos os outros chegam e entram no chalé também. Estava cada vez mais tarde, e nenhum de nós falava nada, eu apenas murmurava uma música que Chrystian cantava enquanto dormia na noite em que passamos no reino de Poseidon.
            O silêncio foi cortado pelo som da porta se abrindo.
            - Acho que temos um problema.
            Meu coração quase disparou, era ele. O garoto pelo qual me apaixonei em quatro dias. Era ele, o filho do Sol, Chrystian Haramys.
           

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