Capitulo 6. – Bico de bronze
Meu
pescoço ainda doía, e pelo que pude ver o pescoço de Tamires ainda dolorido e
todo vermelho. Subimos em silêncio, O salão principal que antes estava vazio,
agora parecia transpirar vida.
Estava
cheio de pessoas com pele de escamas, outras pessoas tinham um olho só, e
algumas pareciam normais. No trono, agora estava sentado um homem que parecia
feliz cuja barba estava por fazer. Parecia ser Poseidon, pois quando Tamires o
viu abriu um grande sorriso.
-
Pai – Falou Tamires correndo em direção a Poseidon – O Senhor está bem?
-
Tamires, minha filha – Falou Poseidon soltando seu Tridente, parecia mais tranqüilo,
como se acabasse de perceber que estava fora de perigo. – Foi você não foi?
Você me salvou. Salvou a todas as criaturas míticas do mar.
-
Não fui só eu – Falou ela dando um passo pro lado e me deixando cara a cara com
o deus dos mares – Chrystian também me ajudou, ele descobriu como derrotar
solidão.
-
Solidão? – Falou o homem parecendo confuso. – Não me lembro de nenhum inimigo
com esse nome. Não é o tipo de inimigo que eu já enfrentei antes, muito menos
nos últimos tempos.
-
Senhor esse não é um inimigo antigo – Falei um pouco sem jeito – Zeus e os
outros deuses do Olimpo, incluindo o Senhor, criaram ele sem perceber. Ele é a
personificação do medo que Vocês implantaram nos humanos como forma de posição
de poder.
-
Só tenho a agradecer a você minha filha e aos seus amigos – Falou o homem agora
se levantando do trono. – Salvaram a mim e a todo o Olimpo.
-
Ainda não Senhor – Falou Clícya - Ele disse que não está sozinho, mas pelo que
eu pude perceber a maior concentração dos medos está nos reinos de cada um dos
três grandes, é natural pensar que destruindo cada fobia presente neles o
Olimpo inteiro seja salvo.
-
Você pode estar certa filha de Hades – Poseidon agora parecia pensativo –
Fiquem aqui até amanhã, descansem e depois sigam seu caminho para o submundo.
Mus ciclopes já estão tratando os grifos que deixaram desmatados no meio do meu
salão, amanhã de manhã eles estarão fortes o suficiente para prosseguir na
viagem.
***
Foi
uma noite difícil, principalmente depois da mina primeira luta, agora que já sabíamos
o que estávamos enfrentando eu poderia aguardar qualquer tipo de coisa.
Estávamos
todos em um único quarto onde parecia ter sido trocado água por ar
recentemente. A cama era feita de esponja e era bem macio, o problema era que
todos estavam dormindo e eu era o único acordado, isso me lembrava Autofobia,
eu sabia que ele estava morto, mas não significava que a memória dele ainda
estava em viva em mim.
Finalmente
consigo dormir. Hey, acorde vamos, olhe
para mim, olhe como eu estou. Parecia que já era de manhã. Parecia também
que alguém havia falado comigo, olho para o lado e todos ainda estão dormindo. TOC TOC TOC. Havia alguém a porta.
Levanto-me
rapidamente e abro a porta. Cury estava no corredor, ele parecia bem, na
verdade parecia melhor do que antes. O seu bico estava revertido com bronze
celestial, dou mais uma olhada e vejo que a mudança não foi só essa, nas patas
da frente, suas garras de águia estavam revestidas também com bronze celestial
e havia agora uma sela nele. Ele virou de costas e me mostrou sua pata traseira,
nela havia sido colocada uma ferradura também em bronze. Ele se voltou pra mim,
ele parecia extremamente feliz, isso fazia de mim feliz também.
-
Hey! – Gritou um cara, era um ciclope – Desculpe pelo grifo, ele acordou e
fugiu como se quisesse estar em outro lugar. Desculpe, vou levá-lo, ele não irá
mais lhe incomodar.
-
Não é incomodo. – Falo eu – Sem problemas esse grifo é meu, acho que ele pode
ficar no meu quarto até a hora de irmos. Aliás, meu nome é Chrystian. - estendo
a mão a ele.
-
Tudo bem – Ele aperta minha mão – Tyson. – e depois sai.
Foi muito legal de sua parte me deixar
entrar, espere pra ver a cara dos outros grifos quando eu falar isso. Ficamos
conversando em voz baixa esperando os outros acordarem. Eles deviam estar muito
cansados, pois demoraram muito para acordar.
Quando
finalmente acordaram arrumamos nossas coisas e me certifiquei que todos os meus
presentes estavam no lugar certo. Estávamos prontos para partir. Tomamos café e
foi realmente bom ter comido algo na manhã passada que não fosse futos do mar,
eu já estva começando a enjoar.
Poseidon
despediu-se de nós e nos agradeceu mais uma vez, deu a Tamires um colar que
parecia ser um tipo de amuleto.
-
Enquanto estiver com ele, seus poderes irão funcionar, mesmo fora da minha
propriedade.
Os
outros grifos estavam a nossa espera no salão central, os dois possuíam os
mesmos adereços novos que Cury possuía com um diferencial, a sela era para dois.
Jake
e John subiram no grifo preto e Tamires e Clícya no branco. Eu montei em Cury e
Poseidon abriu as águas o suficiente para nós passarmos. Cury e os outros
levantaram vôo e as águas atrás de nós iam se fechando.
Voamos
muito mais rápido do que antes, parecia que Poseidon tinha feito algo.
-
Vá em direção ao submundo Cury – Falei olhando para ele – Eu confio em você.
Cury
mudou a rota e avançamos dito até chegarmos a terra firme. Agora ele estava
perdendo altitude, parecia que ele queria aterrissar, dois minutos depois estávamos
no chão.
-
Cury agora é com a gente, não dá pra você e os outros nos acompanharem.
Certo, estaremos
esperando vocês aqui fora, amigo. E foi com essa despedida que entramos em
um estabelecimento vazio.
-Tem
certeza que é aqui? – Falou Jake, sua mão segurando a de John.
-
Claro que tenho certeza, já vim aqui algumas vezes. – Falou Clícya que parecia
um pouco confusa. – Geralmente tem um porteiro, vamos descer, tem algo errado.
O
submundo parecia como eu havia imaginado antes, quer dizer tirando o fato de
não possuir nenhuma alma, nem viva nem morta... Continuamos a andar e tudo parecia
muito silencioso. O castelo de Hades já estava à vista, estava cada vez mais
quieto, nem nós estávamos nos falando.
O
castelo de Hades parecia ter sofrido reformas recentes. Estava completamente novo,
parecia que havia sido feito há pouco tempo. Era muito grande e suas paredes
eram escuras, a porta de entrada era de um tom de vermelho escuro, assim como
sangue coagulado.
HAHAHA!
Escutamos um barulho oco que parecia que vinha de dentro do castelo. Entramos
nele e tudo que se via estava revestido por espelhos, cada parede, cada degrau de
escada, cada porta, até mesmo objetos eram feitos de feitos com superfícies reflexíveis.
HAHAHA!
Agora o barulho estava mais próximo, agora consegui identificar como uma
risada. Não parecia um riso de humor, muito pelo contrário, parecia sarcástico.
Como se soubesse que estaríamos aqui, exatamente agora.
-
HAHAHA! Humanos tolos! – Falou uma garota que parecia ser da nossa idade, era
ruiva e tinha seus olhos iguais o de Autofobia orbitas brancas. – Deviam ter
aproveitado a sorte que tiveram com meu irmão Autofobia e desistido enquanto
dava tempo.
-
Quem é você? – Falamos todos ao mesmo tempo.
-
Meu nome? – Falou a Garota, mudando a cor de seus olhos e desaparecendo. – Me chamem
de Eiso ou se preferirem Eisoptofobia.
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