Capitulo 10 – Grifos VS. Quimera.
O
som do vento em meus ouvidos e o bater das asas de Cury, foram as únicas coisas
que eu ouvi por cerca de meia hora.
– Acho
que lhe devo uma explicação. – Clícya falava em um tom de voz que eu nunca ouvi
sair de seus lábios. Pareciam desculpas. – Antes de tudo, devo começar do
inicio.
“Quando
você chegou ao acampamento foi no mesmo dia em que meu pai parou de falar comigo,
nos falávamos todos os dias por mensagem de Íris e sem nenhum aviso prévio ele
parou de falar comigo.”
“Associei
que você tinha algo a ver com tudo isso, quer dizer, um semideus chio de poder
chega num acampamento onde todos os outros estão com quase nenhum. Pensei que
você tivesse escondendo alguma coisa, eu senti todo seu poder e senti um pouco
de inveja por você ter o Cury também.”
O
grifo olhou para nós dois. Já estou
começando a gostar dela, amigo. Eu olhei para ele e depois de volta a ela.
-
Ele me disse que está começando a gostar de você. – Falei. – Não comece a se
achar, ele gosta de qualquer um. – Clícya deu mais um de seus sorrisos, não
parecia ser uma coisa que ela fazia sempre.
-
Continuando... – A garota fez uma longa pausa. – Bem... O fato de eu ter
conseguido ver Cluo no escuro não foi exatamente pelo motivo que eu te falei...
Um
rugido muito alto cortou a linha de raciocínio de Clícya, atrás de nós uma
figura se aproximava rapidamente. Estava começando a questionar se eu queria
mesmo o Olimpo.
Parecia
um híbrido de leão, morcego e lagarto. Sua pele inteira era revertida com
escamas verdes, ele possuía asas parecidas com as de morcego e seu físico era
de um leão com exceção da cauda que parecia ser de lagarto.
É uma quimera, descendente
da primeira Quimera. Temo que não esteja aqui por sua causa meu amigo. Grifos e
quimeras são inimigos à anos, eles possuem inveja de nós por sermos sempre
perfeitos animais, alguns deles nascem com anomalias, desde então cravaram uma
guerra conosco, com a crença de que quando morrermos não se sentirão mais
imperfeitos.
- Cury desça-
Falei alto. – Vamos enfrentar essa quimera por você.
Não senhor, sua
missão é mais importante, devo levá-lo o mais rápido possível até o Monte
Olimpo, podemos lutar contra ele pelos céus, além do mais, quero experimentar
essas garras novas.
A
quimera veio se aproximando mais. Deixe conosco.
Um primeiro ataque contra o grifo branco quase deixou Tamires cair. O grifo
branco revidou e cravou as garras em uma das assas da quimera.
O
leão se desestabilizou um pouco, mas logo já estava pronto para continuar o
combate. Revidou o ataque agora no grifo preto, que por sua vez contra-atacou com
seu bico de bronze. O leão rugiu, seu rugido parecia tão alto que desnorteou os
grifos, eles começaram a cair, foi então que eu tive de entra na briga. Peguei
o arco e puxei uma flecha da minha aljava.
A
flecha acertou a garganta da quimera que
logo parou de rugir, devo ter acertado nas cordas vocais.
Automaticamente
os grifos voltaram à consciência. Obrigado
amigo, mas agora é minha vez. Cury fez um barulho que águias fazem quando
vão caçar. Avançou em cima do leão e o enforcou com suas garras.
Tivemos
que nos segurar muito bem para não cairmos. A quimera parecia completamente
perdida, então Cury a soltou e ela caiu em queda livre, parecia que já havia
morrido.
Voltamos
à direção normal em que estávamos seguindo, havia sangue escorrendo das patas
de Cury, mas o sangue não era dele. Cury tinha enforcado a quimera no local
onde eu lancei uma flecha, o sangue da quimera tinha uma aparência roxa.
Demorou
uma hora para Clícya tomar coragem para terminar de contar o que estava me
contando antes da interrupção da quimera.
-
Chrystian – Falou a garota, olhei para trás e vi seu rosto. – A verdade é que
quando um semideus tem uma doença física ele se cura muito rápido e às vezes
nem parece que está doente. Mas em casos de doenças psicológicas, os semideuses
se submetem a elas. - Olhei para Clícya, não estava entendendo o que ela queria
me dizer. – Tenho bipolaridade, isso afeta diretamente em mim. A verdade é que
possuo duas personalidades, e a personalidade que você conhece é a boazinha.
-
Como... – Tentei falar, mas não consegui formular uma pergunta.
-
Só consegui ver Cluo porque no escuro assumo a outra personalidade, - Falou a
garota agora em tom de lamentação. – E tenho medo do escuro sim, porque nunca
sei quando vou voltar a ser eu... E também nunca sei se irei voltar a ser eu.
“Acho
que o fato de eu ter trocado de personalidade e não temer mais o escuro me fez
superar o medo naquele momento. Mas não tenho certeza se realmente superei o medo.
Pra falar a verdade eu não me lembro da minha luta contra Cluo, lembro apenas
de alguns flashes, é como se eu não tivesse presenciado e sim ter escutado uma
história.”
“Eu
só voltei a ser eu mesma quando vi a cabeça de Clou no chão e você fez uma
piada, disso eu lembro bem – falou a garota como tentando lembrar-se de mais
detalhes. – Voltei a ser eu quando mudei minha Expressão de forma completamente
brusca, queria contar isso a alguém já faz um tempo. Obrigada por me escutar.”
-
Por nada. – Falei pensando. – Mas você disse que eu só conhecia sua
personalidade boazinha, mas a outra nos ajudou, isso a torna do bem né?
-
Não necessariamente. – Falou Clícya incapaz de me olhar nos olhos. – Minha outra
personalidade não perde a oportunidade de matar, eu sei disso porque quase me
peguei tentando matar meus pais adotivos. Tive que me mudar para o acampamento
desde então. Não tenho coragem de aparecer para os meus pais, não depois do que
fiz.
Mais
uma vez a única coisa que eu conseguia ouvir eram as asas de Cury.
-
Por isso falava toda noite com meu pai Hades. – Falou ela.
-
ham?! – Falei sem entender.
-
Hades, desde que me reclamou,
tem me ajudado a tentar controlar minha dupla personalidade. Tenho ido ao
submundo várias vezes desde então. E or favor Cury, não conte nada aos seus
amigos grifos.
Clícya
fez tal pedido mesmo sabendo que Cury não poderia responder em sua língua, ele
apenas acena com a cabeça.
Ao
chegarmos à Nova Iorque fomos direto para o edifício do Empire State, não havia
ninguém na recepção, então resolvi deixar Cury e os outros na recepção mesmo. Se algo acontecer de errado basta apenas
assobiar. Despedi-me de Cury. Fomos ao elevado e algo inesperado acontece,
Quiron aparece em mais uma mensagem de Íris.
-
Pessoal, vejo que já venceram a fobia que aprisionou Hades em seu reino. – Mas temo
que tenha más noticias. Nosso oráculo revelou mais dois versos da profecia que achávamos
que havia sido terminada:
“Um
sacrifício será feito,
Para salvar o imperfeito.”
“Espero
que ajude para decisões futuras. Ao sorte semideuses, o Olimpo está em suas
mãos”
“Com
o acréscimo dos novos versos a profecia será a segunte:
Na casa dos
grandes se Instalou
O medo, mais
forte que os deuses se mostrou.
Por provações
os semideuses devem passar
Se o olimpo
quiserem salvar
A morte pode não ser
Aquilo que se
esperou
Um sacrifício
será feito
Para salvar o
imperfeito.”
O que nos
resta agora é pensar de que forma os últimos quatro versos irão se significar
para o nosso futuro.
Finalmente a
porta do elevado abre e o que se vê são apenas construções em cima de nuvens,
sem deuses, sem heróis, sem ninguém. O ultimo dos nossos desafios estava ali em
algum lugar, e algo me diz que ele não aprendeu bons modos para receber seus
convidados.
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