Capitulo 8 – Garota mutante de sete anos de idade e dois metros de altura.
A
porta se fechou e tudo o que víamos era escuridão total. Ainda com as armas em
mãos ficamos completamente parados, não havia nada que pudéssemos fazer a não
ser voltar. Tentei abrir a porta, mas alguém a trancou.
-
Já sei, irei produzir fogo, talvez ajude. – Faço gestos com as mãos, mas nada acontece.
– Esperem. – Peguei uma flecha da minha aljava presa no meu tornozelo. Produzo
fogo, tenho certeza que sim, sinto o calor das chamas.
-
Oh cuidado aí. – Falou Clícya. –Está muito quente, mas não vejo nenhuma luz,
você fez certo? Ou a única coisa que passa por sua cabeça é “quando é que eu
vou poder me bronzear”?
Com
a flecha ainda em mão, pego meu arco e desdobro-o, preparo a flecha, está
pronta para acertar, só não sei qual alvo eu queria acertar. Escolho a resposta
menos maneira.
-
Pessoal –digo – Saiam da frente da porta. – E solto a flecha em direção a
porta, um efeito contrário ao esperado aconteceu. Minha flecha se quebrou
inteira, eu sei por que pude ouvi-la se rachando. Talvez eu devesse mesmo ter
acertado em Clícya, pelo menos não teria estragado uma flecha a toa. – Bem pessoal
a única forma de sairmos daqui é tentarmos achar outra saída, Tentem apalpar o
lugar todo em busca de uma porta ou janela.
Passaram-se
vinte minutos, o cômodo mesmo grande não possuía nem portas nem janelas, muito
menos algum objeto, parecia um vão completamente vazio.
-
Não há nenhuma outra saída – Falou John. – Nossa única alternativa é sentar e
esperar.
Encostei-me
em uma parede, estava muito cansado, provavelmente o fato de uma noite mal
dormida não ajudou muito. Ao meu lado sinto uma presença. Pego minha espada.
-
Calma sou só eu. – Disse Tamires ouvindo o som metálico da minha espada. – Queria
saber se está com fome, trouxe uns sanduíches, mas ninguém quis prová-los. Em
outras circunstâncias eu também não provaria, quer dizer foram feitos há dois
dias, mas eu estou com muita fome.
-
Eu quero sim, obrigado. – Falei agradecendo silenciosamente a Apolo. – Tamires,
posso te fazer uma pergunta?
-Claro
– disse a garota depois de um tempo.
-
Lembra quando estávamos lutando contra Solidão, e você disse que não se
enturmou com as caçadoras, por que elas acharam que foi você que começou a
enfraquecer os deuses?
-
Lembro sim – Falou Tamires, e prevendo minha próxima pergunta ela falou. – Eu sou
caçadora de Artemis somente há dois anos, diferente das outras que já são bem
mias velhas. Quando eu cheguei Artemis começou a sentir os efeitos das Fobias,
mas não era muito intenso. Nas últimas semanas Artemis perdeu totalmente seus
poderes. Acho que o fato de ter escolhido ser uma deusa virgem acabou a
prejudicando, na sociedade que estamos inseridos atualmente, ninguém mais
acredita em perder a virgindade depois do casamento.
“O fato é que
minha Senhora estava perdendo seus poderes e com isso a verdadeira idade as
caçadoras estava aparecendo. Muitas delas morreram por causa disso, não aguentaram
e morreram de velhice. Mas esse fato ajudou minha senhora a perceber tudo que
estava acontecendo antes que o pior acontecesse. Posso te falar uma coisa?”
- Claro. –
falei.
- Eu sempre
pensei que aconteceria isso tudo, não exatamente dessa maneira que está
acontecendo atualmente. –Disse ela – Quer dizer Cronos derrotou o pai, e esse
por sua vez foi derrotado por Zeus, sempre achei que Zeus seria desbancado por
um de seus filhos, um semideus sabe.
- Sei – Falei –
Eu já havia pensado nisso, quer dizer, muito antes de eu virar um semideus, eu
estudei mitologia grega e romana nas aulas de história da minha escola. Eu
sempre tive esse pensamento, mas é claro nunca pensei que fosse real.
- É bom
finalmente conhecer alguém com que eu possa conversar. – Falou Tamires, mesmo
que você seja um garoto, você é mais inteligente que muitas caçadoras. – Então eu
sinto a respiração dela mais perto de mim. Ela me beijou, deve ter durado uns
dois segundos. – Me desculpe. – Ela se afastou. – Eu não posso fazer isso, não
me entenda mal, eu não queria. Sou leal a minha Senhora, pode, por favor,
esquecer isso?
- Claro. –
Digo eu sem saber direito o que falar. – Você só estava distraída e precisava
de alguém pra conversa, não há problemas eu nunca direi isso a ninguém. – Falei
o mais baixo que pude.
- Ow! – Falou
Clícya. – Pessoal não conseguem ver isso? A luz voltou, está tudo claro. Espera
quem é você?
Tudo ainda
estava escuro, parecia que soa Clícya podia enxergar. Isso poderia ser por que
era filha do rei do submundo ou... Estamos passando por mias uma das provações
e não percebemos.
- Desculpe
minha arrogância – Falou uma voz infantil. – Eu não queria deixar vocês sozinhos
no escuro, mas é que eu adoro observar.
***Ponto
de vista da Clícya ***
Que droga de
lugar idiota é essa? Agora eu percebi esse não é o castelo de Hades, essa é uma
réplica barata. Aquela garota, essa criancinha de uns sete anos de idade não
poderia ter deixado a trupe de idiotas cegos, poderia?
- Só vou
perguntar mais uma vez. – Falei dessa vez levantando minha foice. – Quem é
você?
- Meu nome é
Acluofobia, mas podem me chamar de Cluo. – A garota tinha uns sete anos, seu cabelo
era partido ao meio e suas tranças eram loiras, ela seria até bonitinha, mas
seus olhos eram de um negro intenso. Isso significa que ela estaria usando seus
poderes?
Diferente da
Eiso, ela não parecia saber lutar, me daria até pena de matá-la se eu não
soubesse que ela tinha trancafiado meu pai. E agora que eu pensei nisso, sério
que Hades o grande deus do submundo foi feito refém de uma garotinha?
Parto para
cima dela, a lâmina de minha foice parecia está pedindo pra cortar a garganta
de alguém. A garota desvia, contorcendo seu corpo como em um ângulo que até
então eu achava impossível.
- Tentou me
matar? Realmente tentou, não é?! – Falou a garota com cara de choro – bem agora
vai se arrepender disso. – Essa última frase foi de uma tonalidade de voz
diferente, agora parecia que ela estava adquirindo outra forma.
Cluo estava se
transformando em uma besta, sua pele ficou escura, estava ficando preta, garras
cresceram no lugar das unhas, seu corpo estava ficando maior, agora ela passara
a medir mais de dois metros, provavelmente deva ter ficado chateada por eu ter
tentado matá-la.
- Pessoal-
Falei – Uma ajudinha aqui, por favor.
- Nós não
vemos nada- Falou Jake. – Desculpa, mas até descobrirmos como vencermos o medo,
você está por conta própria.
Ah, que legal,
tenho que destruir uma garota mutante de sete anos de idade e dois metros de
altura sozinha. Isso pode ser divertido.
Ela vem para
cima de mim, com tamanha rapidez que eu não consegui perceber direito, fui
jogada contra a parede. Ao meu lado estava John.
- Me empresta
a lança? – Falei.
Antes que ele
pudesse dizer algo, tomo a lança de sua mão e jogo na Cluo, a lança passa de
raspão por seu ombro. Quase.
A besta me
joga para o outro lado, Tamires e Chrystian estavam a menos de cinco metros de
mim. Corro e pego Mercuris da mão de Chrystian e uma flecha da aljava de
Tamires. Corro em direção da Cluo e na hora em que ela ia me alcançar pulo e
enfio a espada e a flecha em suas costas.
Cluo agora
sentiu muita dor, o que me deu tempo para mais um movimento. Corro até Jake e
pego suas adagas. A garota agora vinha em minha direção, um pouco mais lenta
que o normal, mas mesmo assim ameaçadora. Jogo as duas adagas nos olhos dela.
A besta volta
para a forma de garota.
- O escuro não
precisa de olhos para enxergar. – A garota começou a rir me lembrando um pouco
Eiso. Ela começou a tirar as adagas, a espada e a flecha que estavam cravadas
nela. Sua feição mudou.
Ela cresceu
mais uma vez, mas dessa vez seu corpo era totalmente branco, em vez de dedos,
lâminas cresceram e agora ela parecia um híbrido de garota cega, com Johnny Depp
em Edward mãos de tesoura e um lobisomem. Esquisita.
Seu tamanho
agora era maior que antes, pego minha foice, agora era minha única arma.
- Agora eu sou
mais forte ainda. – A garota agora tinha a voz mais grave que antes. – Nunca irá
me derrotar. - E agora avançando em minha direção – Morra!
Percebo que
agora Cluo está mais lenta, provavelmente por causa do excesso de peso. A
garota/Johnny Depp/Lobisomem pulou em minha direção. Eu me abaixei e ela passou
direto. Ainda de costas pra mim e desorientada eu grito:
- Você tem que
olhar para mim enquanto eu te mato. De outra forma não haverá nenhuma graça.
A besta olha
para mim e eu levanto minha foice. Foram segundos até eu ver sua cabeça rolando
pelo chão. Os olhos ainda abertos, porém feridos. A garota começou a
desaparecer. Matei a vadia.
Num salto,
como se todos tivessem acordado de um pesadelo, eles levantam e vão a minha
direção.
***
Ponto de vista do Chrystian ***
- Você tem que
olhar para mim enquanto eu te mato. De outra forma não haverá nenhuma graça. –
Falou clícya, e segundos depois ouço um som metálico como se ela tivesse
acertado em cheio alguma parte do corpo da garotinha.
Minha visão
voltou imediatamente, foi meio difícil acostumar no início. Fomos todos em
direção a Clícya.
- Parabéns
matou uma garotinha sozinha. - Falei para Clícya. Diferente de qualquer reação
que eu esperava Ela sorrio. Deve ter sido a coisa mais sincera que ela já vez
desde o sentimento de ódio que ela tem por mim.
Então passou
pela minha cabeça que ela estava feliz não por ter salvo todos, mas por ter superado
um medo, afinal ela não iria ver a fobia se não tivesse superado seu medo.
- Clícya – Eu falei.
– Você tinha medo do escuro? – A expressão da garota mudou completamente,
- Não idiota. –
Falou ela com cara de raiva. – Sou filha de Hades, eu posso ver no escuro.
A porta se
abriu.
- Acho que eu
devo agradecê-la então por ter me salvado. – Falou um homem. – Minha filha.
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