quinta-feira, 12 de junho de 2014

Solstício - Capítulo 8



Capítulo 8 – Em chamas



Derek



 


                Todos olharam para mim e depois desviaram o rosto para Aurora, ela entende a mensagem e corre em direção a outro quarto. Todos nós vamos atrás dela na esperança de que ela saiba exatamente onde esteja o colar.
                Entramos de volta no quarto da mãe de Aurora, as coisas ainda espalhadas no chão. Ela procura no chão algo que possa nos ajudar.
                -Pessoal minha mãe tem um porta-jóias, é provável que o colar do meu clã esteja dentro dele. – Aurora diz sem olhar para os nossos rostos.
                Todos nós ajudamos a procurar, parecia não estar em nenhum lugar. Até que Aurora para de procurar e afasta o guarda-roupa, e lá estava entre a parede e o móvel uma pequena caixa de metal com uma fechadura.
                A mãe de Aurora percebeu a presença de alguém e escondeu as jóias dela, e pelo que parece quem entrou na casa estava procurando o mesmo que nós.
                - A chave não está aqui. – Aurora exclama de maneira pessimista. – E agora?
                - Isso não é problema para nós. – Erika avança em direção à Aurora e estende suas mãos em direção a caixa. – Não está funcionando, a fechadura não quer abrir.
                - Não funciona porque a mãe da Aurora enfeitiçou a tranca. – Ela olha para a caixa e depois para Aurora. – Acho que sabe o que fazer Aurora.
                Não precisou dizer mais nenhuma palavra, Aurora já tinha a mão sobre a caixa e entre seus dedos uma luz verde emanava, a caixa respondeu ao feitiço se abrindo e mostrando o que havia no seu interior.
                Algumas jóias, dinheiro e um colar semelhante ao meu. Mas havia divergências, o meu colar é de prata e seu pingente tem um formato de lua minguante. O colar de Erika é de ouro e tem formato de sol. E o colar que Aurora agora segurava tinha o formato em espiral e seu pingente era feito de esmeralda. Era realmente muito bonito, ele emanava uma luz própria enquanto Aurora o segurava e a luz foi se desfazendo aos poucos.
                - Isso me faz lembrar. – Erika fala e se vira para Becca. – Como é o seu colar, eu quero vê-lo.
                - Meu colar está com meu irmão, - Becca fala com a voz baixa. – quando eu o peguei ele não me reconheceu como portadora do poder que o colar possuía, ele reconheceu o meu irmão, meu irmão mais novo.
                - Portadora do colar? – Essa pergunta veio imediatamente à minha cabeça.
                - Quando Aurora pegou o colar ele começou a brilhar. – Ela faz uma pausa como se estivesse sentindo alguma dor. – Isso significa que o colar a reconheceu como portadora. Quando algum bruxo pega no colar pela primeira ver e o colar não brilha, o bruxo não é nobre o suficiente para portá-lo, ao invés do colar brilhar ele queima sua pele. – Becca nos mostra sua mão e vemos sua pele ainda com cicatrizes.
                - Meus pais me falaram sobre isso, - Erika fala. – Eles disseram que quando um bruxo tem mais de um filho, cabe ao colar escolhe-lo para ser o portador. Quando não se tem irmãos é certeza que o filho único será o portador.
                - Becca, que tipo de magia o seu clã consegue fazer? – A pergunta surge na minha cabeça. – Quer dizer pelo que eu entendi, eu e a Erika podemos fazer qualquer tipo de feitiço.
                - Vocês não podem fazer todos os tipos de feitiços, - Ela tenta explicar. – Os bruxos do clã do Sol e da Lua tem grandes poderes, mas são influenciados pelos mesmos, e possuem limitações. Vocês não podem desafiar as leis da natureza e nem do tempo-espaço.
                - Hoje no almoço eu lancei um feitiço que liberou os quatro elementos de uma única vez. – Eu falo tentando entender.
                - As leis da natureza não se aplicam dessa forma. – Becca continuou. – Um bruxo do clã da natureza consegue lidar com tudo que é natural e até modificá-los. Ao exemplo daquela maçã, eu dei asas e conciência a ela. Mas assim como vocês eu também tenho meus limites, eu não posso fazer feitiços como vocês fazem, ou contra-feitiços, ou controlar o tempo e o espaço.
                -Pessoal. – Aurora fala e lembro qual o verdadeiro objetivo de estarmos ali. – Estamos no meio de algo.
                Ela coloca o colar e abre a carta. Ela começa a ler silenciosamente, mas depois lê em voz alta:

“Junho de 2012. Minha doce Aurora,
                Tenho muito a te explicar, nem sei por onde começar. A verdade é que não somos uma família tradicional, e se você está conseguindo ler isso, significa que Ezra te encontrou e que você está a salvo. Peço que tome cuidado com...”
                A leitura foi interrompida, e por um momento não entendi porque, mas depois eu percebi, uma fumaça estava invadindo o quarto. A casa estava em chamas.
                Todos nós corremos para baixo, o sol já estava se pondo e agora não era nem dia, e nem noite. Eu e Erika não teríamos poderes para apagar o fogo.
                As chamas cobriam toda a sala e queimavam os móveis. Erika tentava usar seus poderes, mas não adiantava, eu tento ajudá-la, mas dá no mesmo.
                Então sinto a mão de Aurora na minha mão, e ela faz o mesmo com a mão de Erika.
                Instantaneamente a água jorra das minhas mãos e das mãos de Erika, era incrível o poder que Aurora tinha sobre nos dois.
                Mesmo com tanta água saindo às chamas foram difíceis de serem contidas, demorou uns cinco minutos para que o incêndio fosse contido.
                Descemos as escadas e pisamos no carpete úmido e queimado. Demos uma volta pela casa e somente a sala estava queimada, todo o resto da casa estava perfeitamente normal. O que tinha ocasionado o incêndio?
                Olho no canto da sala uma garrafa de cinco litros vazia, cheiro o interior e cheirava a gasolina.
                - O incêndio foi proposital. – Afirmo. – O escudo de proteção ainda está levantado, isso significa que quem incendiou a casa ainda está aqui.
                Olhamos em volta e notamos a falta de Becca.
                - A carta. – Aurora diz. – Ela sumiu.
                Automaticamente seguro a mão de Aurora e Erika faz o mesmo. Estamos no meio da sala agora e Becca estava sumida, isso faz dela a incendiária, ou uma vítima?
                Um tempo se passou e nada aconteceu, soltamos as mãos e no mesmo instante vi Aurora se debatendo. Ela estava sendo enforcada, alguma coisa estava puxando seu colar por trás, mas Aurora não o soltava.
                Ouço uma voz: “Libera a passagem”. Não era a voz de Becca, muito menos uma voz humana, tinha uma voz rouca e totalmente obscura.
                Aurora atende ao pedido da voz e baixa o escudo de proteção. Na mesma hora a coisa para de puxar a Aurora e tudo que eu escuto são passos pesados para fora da casa.
                Aurora estava bem, e se certificava se seu colar estava bem também. Uma marca fina e vermelha estava no seu pescoço agora, mas isso provavelmente não era o motivo para seu choro.
                Ela começa a chorar e eu entendo o porquê, ela acabou de perder sua mãe, e a única coisa que provavelmente levaria ao paradeiro da mãe dela. Tudo isso em uma tarde.
                Tudo que eu posso fazer é abraçá-la, ela me abraça de volta e sinto Erika nos abraçando também, poderíamos ficar ali por horas se não fosse à lembrança que ainda podíamos virar esse jogo.
                - Pessoal, as anotações da minha mãe, ainda estão lá em casa. – Falo o mais baixo que posso para não ser ouvido por alguém que eu não esteja vendo.
                Os olhos de Aurora se abrem e seu sorriso transpirava esperança.
                Erika pega na mão de Aurora e estala seus dedos, a sala que havia sido destruída pelo fogo, agora estava tão normal quanto antes. Aurora sorri ainda mais mostrando seus dentes brancos e alinhados.
                Corremos em direção da minha casa, e subimos o mais rápido possível até o meu quarto. Por sorte os papeis ainda estavam em cima da minha cama.

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