Capítulo 8 – Em chamas
Derek
Todos
olharam para mim e depois desviaram o rosto para Aurora, ela entende a mensagem
e corre em direção a outro quarto. Todos nós vamos atrás dela na esperança de
que ela saiba exatamente onde esteja o colar.
Entramos
de volta no quarto da mãe de Aurora, as coisas ainda espalhadas no chão. Ela
procura no chão algo que possa nos ajudar.
-Pessoal
minha mãe tem um porta-jóias, é provável que o colar do meu clã esteja dentro
dele. – Aurora diz sem olhar para os nossos rostos.
Todos
nós ajudamos a procurar, parecia não estar em nenhum lugar. Até que Aurora para
de procurar e afasta o guarda-roupa, e lá estava entre a parede e o móvel uma
pequena caixa de metal com uma fechadura.
A
mãe de Aurora percebeu a presença de alguém e escondeu as jóias dela, e pelo
que parece quem entrou na casa estava procurando o mesmo que nós.
-
A chave não está aqui. – Aurora exclama de maneira pessimista. – E agora?
-
Isso não é problema para nós. – Erika avança em direção à Aurora e estende suas
mãos em direção a caixa. – Não está funcionando, a fechadura não quer abrir.
-
Não funciona porque a mãe da Aurora enfeitiçou a tranca. – Ela olha para a
caixa e depois para Aurora. – Acho que sabe o que fazer Aurora.
Não
precisou dizer mais nenhuma palavra, Aurora já tinha a mão sobre a caixa e
entre seus dedos uma luz verde emanava, a caixa respondeu ao feitiço se abrindo
e mostrando o que havia no seu interior.
Algumas
jóias, dinheiro e um colar semelhante ao meu. Mas havia divergências, o meu
colar é de prata e seu pingente tem um formato de lua minguante. O colar de
Erika é de ouro e tem formato de sol. E o colar que Aurora agora segurava tinha
o formato em espiral e seu pingente era feito de esmeralda. Era realmente muito
bonito, ele emanava uma luz própria enquanto Aurora o segurava e a luz foi se
desfazendo aos poucos.
-
Isso me faz lembrar. – Erika fala e se vira para Becca. – Como é o seu colar,
eu quero vê-lo.
-
Meu colar está com meu irmão, - Becca fala com a voz baixa. – quando eu o
peguei ele não me reconheceu como portadora do poder que o colar possuía, ele
reconheceu o meu irmão, meu irmão mais novo.
-
Portadora do colar? – Essa pergunta veio imediatamente à minha cabeça.
-
Quando Aurora pegou o colar ele começou a brilhar. – Ela faz uma pausa como se
estivesse sentindo alguma dor. – Isso significa que o colar a reconheceu como
portadora. Quando algum bruxo pega no colar pela primeira ver e o colar não
brilha, o bruxo não é nobre o suficiente para portá-lo, ao invés do colar
brilhar ele queima sua pele. – Becca nos mostra sua mão e vemos sua pele ainda
com cicatrizes.
-
Meus pais me falaram sobre isso, - Erika fala. – Eles disseram que quando um
bruxo tem mais de um filho, cabe ao colar escolhe-lo para ser o portador. Quando
não se tem irmãos é certeza que o filho único será o portador.
-
Becca, que tipo de magia o seu clã consegue fazer? – A pergunta surge na minha
cabeça. – Quer dizer pelo que eu entendi, eu e a Erika podemos fazer qualquer
tipo de feitiço.
-
Vocês não podem fazer todos os tipos de feitiços, - Ela tenta explicar. – Os
bruxos do clã do Sol e da Lua tem grandes poderes, mas são influenciados pelos
mesmos, e possuem limitações. Vocês não podem desafiar as leis da natureza e
nem do tempo-espaço.
-
Hoje no almoço eu lancei um feitiço que liberou os quatro elementos de uma
única vez. – Eu falo tentando entender.
-
As leis da natureza não se aplicam dessa forma. – Becca continuou. – Um bruxo
do clã da natureza consegue lidar com tudo que é natural e até modificá-los. Ao
exemplo daquela maçã, eu dei asas e conciência a ela. Mas assim como vocês eu
também tenho meus limites, eu não posso fazer feitiços como vocês fazem, ou
contra-feitiços, ou controlar o tempo e o espaço.
-Pessoal.
– Aurora fala e lembro qual o verdadeiro objetivo de estarmos ali. – Estamos no
meio de algo.
Ela
coloca o colar e abre a carta. Ela começa a ler silenciosamente, mas depois lê
em voz alta:
“Junho de 2012. Minha doce
Aurora,
Tenho
muito a te explicar, nem sei por onde começar. A verdade é que não somos uma
família tradicional, e se você está conseguindo ler isso, significa que Ezra te
encontrou e que você está a salvo. Peço que tome cuidado com...”
A
leitura foi interrompida, e por um momento não entendi porque, mas depois eu
percebi, uma fumaça estava invadindo o quarto. A casa estava em chamas.
Todos
nós corremos para baixo, o sol já estava se pondo e agora não era nem dia, e nem
noite. Eu e Erika não teríamos poderes para apagar o fogo.
As
chamas cobriam toda a sala e queimavam os móveis. Erika tentava usar seus
poderes, mas não adiantava, eu tento ajudá-la, mas dá no mesmo.
Então
sinto a mão de Aurora na minha mão, e ela faz o mesmo com a mão de Erika.
Instantaneamente
a água jorra das minhas mãos e das mãos de Erika, era incrível o poder que
Aurora tinha sobre nos dois.
Mesmo
com tanta água saindo às chamas foram difíceis de serem contidas, demorou uns
cinco minutos para que o incêndio fosse contido.
Descemos
as escadas e pisamos no carpete úmido e queimado. Demos uma volta pela casa e
somente a sala estava queimada, todo o resto da casa estava perfeitamente
normal. O que tinha ocasionado o incêndio?
Olho
no canto da sala uma garrafa de cinco litros vazia, cheiro o interior e
cheirava a gasolina.
-
O incêndio foi proposital. – Afirmo. – O escudo de proteção ainda está
levantado, isso significa que quem incendiou a casa ainda está aqui.
Olhamos
em volta e notamos a falta de Becca.
-
A carta. – Aurora diz. – Ela sumiu.
Automaticamente
seguro a mão de Aurora e Erika faz o mesmo. Estamos no meio da sala agora e
Becca estava sumida, isso faz dela a incendiária, ou uma vítima?
Um
tempo se passou e nada aconteceu, soltamos as mãos e no mesmo instante vi
Aurora se debatendo. Ela estava sendo enforcada, alguma coisa estava puxando
seu colar por trás, mas Aurora não o soltava.
Ouço
uma voz: “Libera a passagem”. Não era a voz de Becca, muito menos uma voz
humana, tinha uma voz rouca e totalmente obscura.
Aurora
atende ao pedido da voz e baixa o escudo de proteção. Na mesma hora a coisa
para de puxar a Aurora e tudo que eu escuto são passos pesados para fora da
casa.
Aurora
estava bem, e se certificava se seu colar estava bem também. Uma marca fina e
vermelha estava no seu pescoço agora, mas isso provavelmente não era o motivo
para seu choro.
Ela
começa a chorar e eu entendo o porquê, ela acabou de perder sua mãe, e a única
coisa que provavelmente levaria ao paradeiro da mãe dela. Tudo isso em uma
tarde.
Tudo
que eu posso fazer é abraçá-la, ela me abraça de volta e sinto Erika nos
abraçando também, poderíamos ficar ali por horas se não fosse à lembrança que
ainda podíamos virar esse jogo.
-
Pessoal, as anotações da minha mãe, ainda estão lá em casa. – Falo o mais baixo
que posso para não ser ouvido por alguém que eu não esteja vendo.
Os
olhos de Aurora se abrem e seu sorriso transpirava esperança.
Erika
pega na mão de Aurora e estala seus dedos, a sala que havia sido destruída pelo
fogo, agora estava tão normal quanto antes. Aurora sorri ainda mais mostrando
seus dentes brancos e alinhados.
Corremos
em direção da minha casa, e subimos o mais rápido possível até o meu quarto.
Por sorte os papeis ainda estavam em cima da minha cama.
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