Capitulo um – Mudanças
Aurora
A
vida em Nova Iorque era ótima, eu tinha amigos, emprego de meio período e até
um namorado. Mas infelizmente minha mãe teve que se mudar para uma cidade
pequena na costa oeste chamada Wave City. A princípio eu simplesmente odiei a
idéia, mas depois tive que me contentar. Minha mãe acabou de se separar do
terceiro marido, que era seu chefe, então tivemos mesmo que sair da cidade.
Ela
encontrou um emprego ótimo nessa nova cidade, tanto que eu não precisava mais
trabalhar para comprar minhas coisas. E além de tudo a internet serve para
comunicação. Eu estarei falando com meus amigos e meu namorado todos os dias
via facebook.
Estamos
no carro e minha música favorita da banda Imagine Dragons começa a tocar no
rádio. Eu gosto da minha mãe por que ela possui o mesmo gosto para música que
eu. Nem preciso pedir para aumentar o volume, ela mesma o faz.
Logo
atrás de nós um caminhão nos segue, estamos de mudança e hoje chegaremos ao
nosso destino. Finalmente depois de quatro logos dias de viagem.
O
sol está bem forte do lado de fora do carro. Mas eu não sinto, pois o
ar-condicionado está ligado no máximo, assim como eu gosto. Talvez essa seja
item mais difícil para eu me acostumar, o calor. Até porque, pelo que eu li na
cidade, faz Sol quase trezentos dias por ano, um ponto que não posso reclamar
já que em Nova Iorque a mudança de estação sempre me deixava doente.
Meus
pensamentos logo se transformam em sonhos, e neles eu vejo meu namorado
terminando comigo, mas eu não fico abalada. Quer dizer não dá tempo, logo
depois um garoto que eu nunca vi na minha vida, é sério se eu visse um garoto
como esse na vida real eu não esqueceria, me consolava e dizia que tudo daria
certo. Ele dizia que Wave City seria a melhor coisa para mim.
Seus
olhos verdes estavam me encarando com tamanha firmeza que eu quase acreditei,
até ser acordada por minha mãe.
-
Querida chegamos. – Ela dizia com tamanho entusiasmo. – Essa será nossa nova
casa, e espero que dessa vez, seja permanente.
Eu
me levanto do carro e vejo uma casa antiga recém reformada. Sua pintura em tom
de verde claro estava perfeita e o jardim foi cuidado muito bem para nos
receber. Minha mãe entrou na minha frente e logo a segui, a casa parecia ser
maior por dentro, suas paredes eram inteiramente brancas e seu piso era de
madeira clara. Ainda não havia nenhum móvel no recinto, mas logo pude imaginar
como eu seria bem-vinda nessa casa.
-
Bem, Aurora pode subir e escolher seu quarto. – Minha mãe disse e me olhou com
seus olhos escuros, dentro deles havia um brilho que eu nunca tinha visto
antes. – O primeiro quarto a esquerda é o meu. Pode escolher qualquer outro.
Essa casa possui quatro quarto, eu sei que é exagero, mas...
Eu
a deixo falando sozinha e subo as escadas com pressa, nem olhei todos os
quartos, fui direto ao sótão, eu precisava subir mais uma escada, mas minha mãe
foi bem clara ao dizer: “qualquer quarto”, bem eu tinha agora um quarto com o
dobro do tamanho que eu tinha em Nova Iorque e com uma janela circular enorme
se projetando para fora da casa.
“Pra
tudo ficar perfeito eu só preciso do Cameron aqui”. Eu pensei com todas as
minhas expectativas eu imaginava como a vida seria perfeita se meu namorado
estivesse aqui.
-
Aurora?... Aurora cadê você? – Era a voz da minha mãe, mas estava tão longe. –
Auro... Te encontrei, minha filha o que faz aqui? – Era como se eu tivesse
entrado em transe e só percebi quando minha mãe me tocou no ombro esquerdo.
-
Bem mãe, você disse qualquer quarto, e eu quero este. – Falei. Sua mão ainda
apoiada no meu ombro. – Gostei do lugar, mal posso esperar pra você sair da
cidade a negócios e eu poder fazer uma festa aqui para todos os meus novos
melhores amigos. – Ela ri. A maioria das mães se preocuparia com esse tipo de declaração
de sua filha de dezesseis anos, mas minha mãe sabia que mesmo em Nova Iorque eu
não era do tipo que dava festa e tinha toneladas de amigos.
- Certo então, me ajuda a
arrumar tudo? – Falou ela com o típico olhar que ela faz sempre que me pede ajuda.
– Pego pizza para o jantar... – Ela sabia mesmo como me convencer a fazer
qualquer coisa.
O
tempo passou muito rápido, os homens que minha mãe havia contratado para
carregar as coisas pesadas saíram de casa às cinco da tarde e eu e minha mãe
ficamos ajeitando as coisas pequenas em seus devidos lugares.
Como
prometido ela pediu pizza para o jantar e enquanto eu esperava, eu subi para o
meu novo quarto para arrumar minhas próprias coisas. Os móveis, os objetos e os
meus livros eram os mesmos, mas meu quarto estava completamente diferente, era
como estar em um programa de tevê que nos ajuda reformar o quarto.
Encontrei
algumas coisas que entraram em desuso para minha mãe e aproveitei para decorar
meu novo quarto, que decidi chamar de sótão. Tinha um quadro antigo, parecido
com as artes da coca-cola na década de sessenta. Luzes de natal que ajudaram a
destacar minha estante com meus livros favoritos. E tinha também uma máquina de
escrever que minha mãe queria jogar fora, mas eu sabia que com uma boa pintura,
ela ia parecer nova.
Às
sete e meia minha mãe me chama para comer e me surpreendo com a rapidez que ela
arruma a cozinha por completo.
Esse
será um ótimo recomeço, apenas nós duas, sem nenhum padrasto metido a rico para
nos afastar, uma vida boa o suficiente para eu poder me acostumar com ela.
A
pizza acabou e minha mãe foi tomar um banho, enquanto isso e fiquei na sala
observando tudo e pensando em como será o inicio das minhas aulas no meu novo
colégio. Fico imaginando se encontrarei novos amigos, bons o suficiente para me
aturarem. DING DONG. A campainha toca e eu corro para atender, era inútil, mas
eu ainda tinha a sensação que Cameron iria aparecer.
Mas
não era ele. Era um garoto mais ou menos da minha idade, ele tinha uma torta na
mão e ergueu a outra em minha direção.
-
Olá, meu nome é Derek McCall. – Ele me parecia familiar, eu já tinha o visto de
algum lugar. – Bem vinda a Wave City.
Eu
sorrio de volta e ele mostra um sorriso largo e branco, como aqueles de
comercial de pasta de dente.
-
Olá, seu Aurora, Aurora Collins. – Ele me entrega a torta e eu a seguro. – Quer
entrar? – Eu sei, parece loucura convidar um desconhecido a entrar na casa, mas
minha mãe tinha uma superstição que dizia que, todo mundo que trouxer comida
para casa é bem vindo. E foi assim que ela casou três vezes.
-
Ah, não obrigado. – Falou ele, seus olhos verdes fitando o chão. – Está tarde,
mas te vejo amanhã, vai estudar na Wave High School né?! Provavelmente é. Só
temos essa escola por aqui. – Eu aceno com a cabeça em sinal de concordância. –
Bom, então até amanhã, o ônibus passa aqui às sete e vinte.
Ele
sai apressado e então fecho a porta. Levo a torta até a cozinha e tiro uma
fatia para mim. Como de costume eu levo a sobremesa pro meu quarto e me tranco.
Coloco música pra tocar no meu Iphone e me deito.
Assim
que terminei de comer a torta, meu telefone toca. È uma mensagem do Cameron. O
conteúdo da mensagem não poderia ser pior. Ele estava terminando comigo. Ele
não me queria mais.
Tudo
o que pude fazer foi que uma adolescente normal faria. Olhar o perfil do
Instagram dele para ver suas fotos recentes. E lá estava uma foto publicada à
sete minutos, ele estava beijando minha melhor amiga. Ex-melhor amiga a partir
de então.
Tudo
que pude fazer foi desligar as luzes e dormir, eu tenho um longo dia pela
frente amanhã e o pior eu não sabia se a mudança tinha um efeito bom sobre mim.
Antes eu tinha tudo, e agora eu só tenho uma casa velha e cheia cômodos vazios.
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