domingo, 1 de junho de 2014

Solstício - Capítulo 1



Capitulo um – Mudanças



Aurora



 



 

                A vida em Nova Iorque era ótima, eu tinha amigos, emprego de meio período e até um namorado. Mas infelizmente minha mãe teve que se mudar para uma cidade pequena na costa oeste chamada Wave City. A princípio eu simplesmente odiei a idéia, mas depois tive que me contentar. Minha mãe acabou de se separar do terceiro marido, que era seu chefe, então tivemos mesmo que sair da cidade.
                Ela encontrou um emprego ótimo nessa nova cidade, tanto que eu não precisava mais trabalhar para comprar minhas coisas. E além de tudo a internet serve para comunicação. Eu estarei falando com meus amigos e meu namorado todos os dias via facebook.
                Estamos no carro e minha música favorita da banda Imagine Dragons começa a tocar no rádio. Eu gosto da minha mãe por que ela possui o mesmo gosto para música que eu. Nem preciso pedir para aumentar o volume, ela mesma o faz.
                Logo atrás de nós um caminhão nos segue, estamos de mudança e hoje chegaremos ao nosso destino. Finalmente depois de quatro logos dias de viagem.
                O sol está bem forte do lado de fora do carro. Mas eu não sinto, pois o ar-condicionado está ligado no máximo, assim como eu gosto. Talvez essa seja item mais difícil para eu me acostumar, o calor. Até porque, pelo que eu li na cidade, faz Sol quase trezentos dias por ano, um ponto que não posso reclamar já que em Nova Iorque a mudança de estação sempre me deixava doente.
                Meus pensamentos logo se transformam em sonhos, e neles eu vejo meu namorado terminando comigo, mas eu não fico abalada. Quer dizer não dá tempo, logo depois um garoto que eu nunca vi na minha vida, é sério se eu visse um garoto como esse na vida real eu não esqueceria, me consolava e dizia que tudo daria certo. Ele dizia que Wave City seria a melhor coisa para mim.
                Seus olhos verdes estavam me encarando com tamanha firmeza que eu quase acreditei, até ser acordada por minha mãe.
                - Querida chegamos. – Ela dizia com tamanho entusiasmo. – Essa será nossa nova casa, e espero que dessa vez, seja permanente.
                Eu me levanto do carro e vejo uma casa antiga recém reformada. Sua pintura em tom de verde claro estava perfeita e o jardim foi cuidado muito bem para nos receber. Minha mãe entrou na minha frente e logo a segui, a casa parecia ser maior por dentro, suas paredes eram inteiramente brancas e seu piso era de madeira clara. Ainda não havia nenhum móvel no recinto, mas logo pude imaginar como eu seria bem-vinda nessa casa.
                - Bem, Aurora pode subir e escolher seu quarto. – Minha mãe disse e me olhou com seus olhos escuros, dentro deles havia um brilho que eu nunca tinha visto antes. – O primeiro quarto a esquerda é o meu. Pode escolher qualquer outro. Essa casa possui quatro quarto, eu sei que é exagero, mas...
                Eu a deixo falando sozinha e subo as escadas com pressa, nem olhei todos os quartos, fui direto ao sótão, eu precisava subir mais uma escada, mas minha mãe foi bem clara ao dizer: “qualquer quarto”, bem eu tinha agora um quarto com o dobro do tamanho que eu tinha em Nova Iorque e com uma janela circular enorme se projetando para fora da casa.
                “Pra tudo ficar perfeito eu só preciso do Cameron aqui”. Eu pensei com todas as minhas expectativas eu imaginava como a vida seria perfeita se meu namorado estivesse aqui.
                - Aurora?... Aurora cadê você? – Era a voz da minha mãe, mas estava tão longe. – Auro... Te encontrei, minha filha o que faz aqui? – Era como se eu tivesse entrado em transe e só percebi quando minha mãe me tocou no ombro esquerdo.
                - Bem mãe, você disse qualquer quarto, e eu quero este. – Falei. Sua mão ainda apoiada no meu ombro. – Gostei do lugar, mal posso esperar pra você sair da cidade a negócios e eu poder fazer uma festa aqui para todos os meus novos melhores amigos. – Ela ri. A maioria das mães se preocuparia com esse tipo de declaração de sua filha de dezesseis anos, mas minha mãe sabia que mesmo em Nova Iorque eu não era do tipo que dava festa e tinha toneladas de amigos.
                - Certo então, me ajuda a arrumar tudo? – Falou ela com o típico olhar que ela faz sempre que me pede ajuda. – Pego pizza para o jantar... – Ela sabia mesmo como me convencer a fazer qualquer coisa.
                O tempo passou muito rápido, os homens que minha mãe havia contratado para carregar as coisas pesadas saíram de casa às cinco da tarde e eu e minha mãe ficamos ajeitando as coisas pequenas em seus devidos lugares.
                Como prometido ela pediu pizza para o jantar e enquanto eu esperava, eu subi para o meu novo quarto para arrumar minhas próprias coisas. Os móveis, os objetos e os meus livros eram os mesmos, mas meu quarto estava completamente diferente, era como estar em um programa de tevê que nos ajuda reformar o quarto.
                Encontrei algumas coisas que entraram em desuso para minha mãe e aproveitei para decorar meu novo quarto, que decidi chamar de sótão. Tinha um quadro antigo, parecido com as artes da coca-cola na década de sessenta. Luzes de natal que ajudaram a destacar minha estante com meus livros favoritos. E tinha também uma máquina de escrever que minha mãe queria jogar fora, mas eu sabia que com uma boa pintura, ela ia parecer nova.
                Às sete e meia minha mãe me chama para comer e me surpreendo com a rapidez que ela arruma a cozinha por completo.
                Esse será um ótimo recomeço, apenas nós duas, sem nenhum padrasto metido a rico para nos afastar, uma vida boa o suficiente para eu poder me acostumar com ela.
                A pizza acabou e minha mãe foi tomar um banho, enquanto isso e fiquei na sala observando tudo e pensando em como será o inicio das minhas aulas no meu novo colégio. Fico imaginando se encontrarei novos amigos, bons o suficiente para me aturarem. DING DONG. A campainha toca e eu corro para atender, era inútil, mas eu ainda tinha a sensação que Cameron iria aparecer.
                Mas não era ele. Era um garoto mais ou menos da minha idade, ele tinha uma torta na mão e ergueu a outra em minha direção.
                - Olá, meu nome é Derek McCall. – Ele me parecia familiar, eu já tinha o visto de algum lugar. – Bem vinda a Wave City.
                Eu sorrio de volta e ele mostra um sorriso largo e branco, como aqueles de comercial de pasta de dente.
                - Olá, seu Aurora, Aurora Collins. – Ele me entrega a torta e eu a seguro. – Quer entrar? – Eu sei, parece loucura convidar um desconhecido a entrar na casa, mas minha mãe tinha uma superstição que dizia que, todo mundo que trouxer comida para casa é bem vindo. E foi assim que ela casou três vezes.
                - Ah, não obrigado. – Falou ele, seus olhos verdes fitando o chão. – Está tarde, mas te vejo amanhã, vai estudar na Wave High School né?! Provavelmente é. Só temos essa escola por aqui. – Eu aceno com a cabeça em sinal de concordância. – Bom, então até amanhã, o ônibus passa aqui às sete e vinte.
                Ele sai apressado e então fecho a porta. Levo a torta até a cozinha e tiro uma fatia para mim. Como de costume eu levo a sobremesa pro meu quarto e me tranco. Coloco música pra tocar no meu Iphone e me deito.
                Assim que terminei de comer a torta, meu telefone toca. È uma mensagem do Cameron. O conteúdo da mensagem não poderia ser pior. Ele estava terminando comigo. Ele não me queria mais.
                Tudo o que pude fazer foi que uma adolescente normal faria. Olhar o perfil do Instagram dele para ver suas fotos recentes. E lá estava uma foto publicada à sete minutos, ele estava beijando minha melhor amiga. Ex-melhor amiga a partir de então.
                Tudo que pude fazer foi desligar as luzes e dormir, eu tenho um longo dia pela frente amanhã e o pior eu não sabia se a mudança tinha um efeito bom sobre mim. Antes eu tinha tudo, e agora eu só tenho uma casa velha e cheia cômodos vazios.
               
               
               
               
               

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