Capítulo dois – O livro
Derek
Meu
quarto está completamente escuro, não faço a menor idéia de que horas são, mas
uma coisa eu tenho certeza. Eu não estou sozinho no meu quarto.
Talvez
eles finalmente voltaram, meus pais estão me preparando para o retorno deles
desde que eu me lembro.
As
cortinas se abrem e percebo que já é de manhã e na verdade quem estava no
quarto comigo era minha madrasta, Elleonor.
-Bom
dia, querido. – Fala ela com a voz simpática de sempre, e se senta na minha
cama. – Está na hora de levantar, já soube que finalmente casa ao lado foi
ocupada?
-
É eu soube. – Falei com a voz rouca. – Fui deixar uma das suas deliciosas
tortas para os novos moradores ontem à noite.
-
Hm – Ela não parecia preocupada com a torta, mas algo a incomodava. – Viu
algo... Diferente na casa? Algo que te lembre qualquer coisa?
-
Não eu só entreguei a torta para a Aurora e depois me despedi, foi algo muito
rápido, eu não fiquei olhando para dentro da casa de uma garota. O que ela iria
pensar? Provavelmente que sou um ladrão ou um estuprador.
-
Uma garota é? – Ela muda seu tom de voz. Em um segundo sua voz muda de maternal
para a voz de uma estudante do colegial que adora uma boa fofoca. – E ela é
bonita? Ela ficou encantada com esse seu topete sempre bem arrumado? – Ela se
endireita na cama para bagunçar meu cabelo, que mesmo eu tendo acabado de
acordar tinha a certeza de estar bem penteado. – Ou ficou maravilhada com seus
músculos? Sério Derek, você precisa de uma namorada.
-
Elle, você falando desse jeito eu vou ficar apaixonado. E então terá que largar
meu pai. – Esse tipo de conversa pode parecer estranho, mas é como se Elleonor
e eu fossemos muito próximos. Desde que minha mãe morreu, ela tem segurado a
barra do meu pai, e isso me faz muito feliz, e além do mais, ela não parece uma
mulher que quer tirar a memória da minha mãe de mim. – E é sério. Quando você
vai parar com essa conversa de namorada?
-
Nunca. – Ela abre um sorriso e levanta. Quando chegou à porta do meu quarto ela
parou. – Seu pai quer falar com você, acho que finalmente Edgar acha que você
está pronto.
Eu
estou pronto... Isso é tudo que eu sempre quis ouvir. Seria a respostas para
todas as minhas perguntas. Quando eu pergunto algo do passado do meu pai ele
sempre me vem com uma estória de que quando eu estiver pronto eu saberei de
tudo. Aconteceu o mesmo com a morte da minha mãe.
Levanto-me
rápido e vou ao banheiro escovar meus dentes. O espelho a minha frente mostrava
um adolescente que não aparentava ter a idade que tem. Eu sempre acordo com o
cabelo bem penteado, sem nenhuma espinha na cara e bem digamos que eu só escovo
os dentes por status, por que eu nunca tive uma única cárie.
Vou
ao meu guarda-roupa e coloco a primeira camisa que encontro, uma blusa que
minha mãe me deu no meu aniversário de quatorze anos, eu tenho ela até hoje por
que da primeira vez que a usei foi o melhor dia da minha vida. Basicamente
naquele dia eu fiz fogo com as mãos. Outra coisa que meu pai me explicaria
hoje.
Calço
meus sapatos e pego minha mochila, então corro em direção a cozinha para falar
com meu pai.
-
Bom dia. – Ele fala para mim, sem tirar seus olhos do jornal. – Tenho que
conversar com você, me encontre no escritório depois do café da manhã.
Ele
se levanta e vai em direção ao escritório, enquanto eu como meu café da manhã
minha irmã de consideração, filha de Elleonor com outro cara, de quatro anos de
idade está assistindo desenhos. Elle senta ao meu lado e comemos algumas
panquecas.
-
Seu pai parece um pouco nervoso hoje, - Elle fala em tom de sussurro. – Acho
que o que tem para te contar é muito importante.
Eu
não falo nada, apenas sorrio para ela e me levanto. Vou em direção ao
escritório do meu pai.
-
Pai, estou aqui. – Falo num tom nervoso, suas rugas estão mais fundas que de
costume.
-
Meu filho, eu gostaria de falar sobre sua mãe, na verdade sobre a família dela.
– Eu apenas me sento, há anos eu o pergunto por que nunca conheci ninguém da
família dela. – Eu não sei como começar, eu acho na verdade que não tem como
começar essa conversa de forma simples então... Sua mãe e a família dela era
constituída por wiccas. – Eu olho para ele com cuidado, tentando encontrar em
seu rosto, leves traços de humor. – Eu estou falando sério Derek, acho que você
lembra muito bem quando fez fogo com as mãos.
-
Lembro pai, mas isso é loucura, - Falei quase gaguejando. – Quer dizer, wiccas
nãos são como bruxos? Eu não sou nenhum bruxo.
-
Tire suas próprias conclusões, eu não estou falando que eu acredito nisso tudo,
mas foi o ultimo desejo da sua mãe. – Ele baixou a cabeça e logo depois
levantou e pegou uma caixa que estava na estante de cima. – Dentro desta caixa
estão suas respostas, as respostas das perguntas que você tem me feito há anos,
eu só poderia te entregar isso quando os verdadeiros donos da casa ao lado
ocupassem a casa. E acho que isso aconteceu ontem.
-
O que Aurora tem a ver com isso? – Pergunto sem saber o nexo que há entre a
minha mãe e minha nova vizinha.
-
Receio que terá que encontrar as repostas sozinho.
Abro
a caixa e nela está contido um livro com uma capa ântica e nele há desenhado
uma lua. Abro o livro e noto que ele está em outra língua, cm símbolos que eu
nunca tinha visto antes.
-
Esse livro não está nem em português. Como eu saberei de alguma coisa?
-
Acho que seu primeiro passo é falar com a garota, Aurora, a esse respeito. – A
voz que eu escutei não era do meu pai, era de Elle. – Desculpa nunca ter te
contado, mas seu pai fez uma promessa, e eu tinha que respeitá-la.
Eu
não sabia o que fazer, mas pelo menos tinha algo que pertenceu a minha mãe, eu
tinha algo que me aproximava da memória que eu tinha dela. Peguei o livro e
coloquei-o dentro da minha mochila. O resto dos papeis que estavam dentro da
caixa eu tive que esquecê-los por um momento e levá-los até meu quarto.
Eu
coloco a caixa em cima da minha cama, mas ela cai, revelando em baixo dos
papeis um colar de prata com o mesmo desenho contido na capa do livro, uma lua
minguante.
Pego
o colar e coloco em volta do meu pescoço, um brilho exala dele e das minhas
próprias mãos, e então acaba, estou começando a achar que essa coisa de
bruxaria é realmente séria.
Desço
correndo as escadas e Elle resmunga algo do tipo “você ainda vai cair dessas
escadas um dia”. Então abro a porta da frente e vejo que ainda são sete e dez,
o ônibus ainda não passou.
Imediatamente
eu vejo Aurora na esquina esperando no ponto e ando em sua direção para me
juntar a ela.
-
Hey, bom dia. – Ela diz um pouco distraída. O vento, mesmo que pouco, faz seus
cabelos loiros dançarem. – Derek certo?
-
Yeah, como vai? – Eu tinha que falar com ela sobre o livro, sobre minha mãe e
por último, mas não menos importante sobre a grande notícia de hoje, eu sou um
bruxo e acho que ela também é. Será que ela sabe?
-
Bem... Muito bem. - Ela diz, mas tenho certeza que está tentando esconder algo,
se seus olhos não estivessem cobertos por um par de óculos escuros, eu
provavelmente poderia saber se estava escondendo algo.
Não
conversamos mais nada pelo resto dos minutos em que esperamos o ônibus na
calçada. Quando ele finalmente chegou, nós dois subimos e sentamos um ao lado
do outro. Geralmente eu não gosto que ninguém sente ao meu lado, por que
geralmente são garotas da escola que só estão a fim de ver meus lábios pregados
nos delas. Acredite isso um dia cansa.
-Bem,
Aurora, eu tenho algo para te perguntar. – Falo, depois de alguns minutos, em
tom baixo para que ninguém me escute. – Reconhece esse livro?
Ela
olha para o livro que eu acabo de tirar da bolsa, mas não é a voz dela que eu
escuto.
-
Qual é vadias? – Era a Erika Grey. – Quando escutei ali na frente que o Derek
finalmente sentou com alguém no ônibus eu não pude acreditar. – Então ela
finalmente olha para o livro. – Mas isso pode esperar. Que diabos estão fazendo
com esse livro? Onde encontraram?
-
Você sabe qual o significado desse livro? – É tudo o que consigo dizer.
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