Solstício - Capítulo 5
Capítulo
5 – EsclarecimentosDerek
- Somente quem estiver usando o
colar do seu clã respectivo ao livro consegue ler o que está escrito. –
Ela fala em um tom de superioridade e ri, mais uma vez, sua risada me lembrava
das risadas de vilãs de filmes antigos. -Qual é? É meio óbvio não? Eu diria até
um tanto clichê. A gora que ela tocou no assunto, a
verdade era que parecia mesmo um pouco clichês de mais. Eu olho o livro e leio
com calma a primeira página.“Este diário pertence à Lucca Reynard, caso esteja lendo significa
que se meteu em um grande problema, ou é da minha família.” As primeiras dez páginas continham a
história que seu avô havia contado a respeito de um acontecimento que aconteceu
aqui mesmo em Wave City. Aparentemente um padre que era um bruxo das trevas
lançou uma maldição sobre a cidade e Jenna relata que seu avô salvou a cidade
fazendo com que a maldição fique contida por nove gerações. -Porque esse tal de James Reynard não
acabou com a maldição de uma só vez. – Perguntei, olhando instintivamente para
Erika. – Ele não deveria ter poder o suficiente para eliminar com a maldição de
uma única vez? - James era um bruxo excelente, mas
nem todas as maldições são retiradas de algo ou alguém assim tão facilmente. –
A garota olha para mim com uma cara feliz. Algo aconteceu nos corredores
durante a aula de aritmética, desde que voltou de lá ela está com um humor
diferente, nem quando a Sra. Patson deu a detenção a ela, o seu sorriso foi
abalado. – Para desfazer um feitiço por completo, precisa-se de anos, e isso
ele não possuía, para nossa sorte, nós temos mais uns três ou quatro anos de
trabalho. Fico pensando nisso, então é isso que
deve ser nosso foco agora? Temos que salvar uma cidade de uma maldição lançada
há duzentos e vinte e cinco anos? Olho para Aurora e sua expressão era
ilegível, sem dúvidas ela estava pensando em alguma forma de salvar a cidade. - Olha pessoal, eu vou entender se
vocês não quiserem me ajudar. –Erika fala agora em um tom sério, mas ainda
assim seu sorriso não some de sua face. –
Eu e minha família trabalhamos nisso a muito tempo, e não vamos desistir, sei
que isso tudo deve estar sendo difícil de assimilar, mas preciso da ajuda de
vocês, com mais dois bruxos, meus poderes irão se elevar, assim como o de vocês. Não era verdade aquilo que ela estava
dizendo, não era difícil de assimilar, não era difícil de acreditar, muito
menos difícil de entender. Eu estava completamente confiante na história, como
se tudo ao meu redor sempre tivesse me dito que eu era bruxo, mas eu nunca
havia reparado. Eu me sinto na verdade, completamente estúpido por nunca ter
percebido nada, ou pelo menos ter forçado uma explicação dos meus pais no dia
em que fiz fogo com minhas próprias mãos. Ela levanta da mesa e faz sinal para
que nós a acompanhemos. Saímos do refeitório e andamos por um corredor
amontoado de alunos de todas as séries. Estávamos em direção a saída lateral
esquerda da escola, a saída que dava em direção ao campo de futebol americano. Saímos e fomos direto ao campo. Em
horário de almoço o campo estava completamente vazio, com exceção talvez do técnico
dentro dos vestiários. - Certo Derek, vamos tentar treinar alguns
feitiços. – Ela para no meio do campo, onde havia uma bola que tinha sido
esquecida. – Aurora, infelizmente até nós sabermos qual o seu cerne não posso
te treinar. - Aurora assente com a cabeça. – Derek, me passa seu livro e seu
colar, preciso ver que tipos de feitiços você usa. Eu obedeci, mas totalmente hesitante. Ela pega o livro e me diz que meu
primeiro feitiço é controlar qualquer um dos quatro elementos. Eu escolho fogo,
eu já havia feito algo parecido antes, talvez não fosse muito diferente fazer
agora. - Fogo, certo. – Ela olha para o
livro. – Foi a minha primeira escolha também, nossos livros são bem parecidos.
Certo, Derek, seu clã é mais fraco durante o dia, mas ainda assim você pode
lançar alguns feitiços. E só há uma regra, você não pode interferir na
natureza, de nenhum jeito, ou seu feitiço não ira funcionar. Não fazia sentido, seu eu quisesse por
fogo na bola, eu teria que mudar a sua natureza. De qualquer forma eu tento da
primeira vez. Nada aconteceu, então eu tento fazer um sinal de mãos, nada
acontece. - Você tem que esvaziar a mente e
fazer dela um incêndio ao mesmo tempo, queime todas as lembranças ruins e jogue
as cinzas para fora de sua mente. Suas metáforas estavam cada ver menos
fazendo sentido para mim, e de qualquer forma penso em memórias ruins, penso na
morte da minha mãe, no dia em que recebi a notícia que ela tinha câncer e
pensei também no dia quem que minha namorada Juliet, me traiu com outro cara. Todas as lembranças juntas me fizeram
mal, eu estava triste, e com raiva ao mesmo tempo, eu precisava por tudo isso
para fora. Então eu finalmente entendi o que a Erika estava tentando dizer. Tento mais uma vez, dessa vez
completamente confiante em mim, fecho os olhos e minha mão vai em direção à
bola. Quando abro os olhos, a bola estava inteiramente intacta. Eu não tinha conseguido
nada, nem uma misera fagulha. Meus olhos começam a encher de
lágrimas, mas não suporto a ideia de não ter conseguido nada. Minha mão ainda
estava em direção à bola, e eu tentava com todas as forças fazer alguma coisa.
Qualquer coisa, agora eu estava pensando em terra, fogo, ar e água ao mesmo
tempo, qualquer coisa seria o suficiente para eu ficar bem comigo mesmo. Então sinto uma mão por cima do meu
ombro, e instantaneamente da minha mão sai água, um vento mais forte que o
normal sopra, a terra treme o suficiente para fazer uma rachadura do meu pé até
a bola, e a bola estava em chamas. Olho para a dona da mão sobre meu
ombro era Aurora, nós estava igualmente assombrados. Nós três ficamos em
silêncio. - Eu pensei que fosse um mito. –
Erika corta o silêncio, seu olhar estava fixo, não em mim, mas em Aurora. –
Ouvi histórias antigas que o clã de bruxos perdidos tinha o poder de dar força
a outros bruxos. Mas eu não achei que você fosse a herdeira de tal clã, e muito
menos, que o clã fosse real. Fomos cortados mais uma vez por um
silêncio fatal. - Clãs? – Eu e Aurora perguntamos
para Erika ao mesmo tempo. - Sim, o filho de James Reynard,
Robert, foi agraciado por seu pai com poderes acima do normal para um bruxo.
Robert não se dava bem com tamanho poder e quando viu que seus cinco filhos não
iriam aguentar, ele desenvolveu um feitiço para separar os poderes em cada um
dos filhos. “O filhos mais velho ficou com o clã
do tempo-espaço, pois era muito responsável e somente um bruxo de tal
maturidade conseguiria lidar com tal poder. O Segundo filho ficou com os
poderes da natureza, ele conseguia desafiar as leis da natureza e modifica-las.
O filho do meio e o seguinte ficaram com os poderes do sol e da lua
respectivamente, onde possuíam todos os poderes de um bruxo normal, mas não
poderiam desafiar a natureza, nem o tempo-espaço. E por último a única filha de
Robert, ficou com o poder de ilimitar os poderes dos irmãos, sendo assim ela
mesma o contrafeitiço. Os rumores ainda falam que a garota, que era a favorita
de Robert, era capas de desfazer essa e outras maldições com apenas um único
ingrediente. Mas nunca se soube qual seria esse ingrediente.” Enquanto Erika falava, eu e Aurora
ficamos nos olhando, nada daquilo parecia ser loucura de mais, e quando aurora
me tocou, era como se uma trava se soltasse dentro de mim e a magia fosse capas
de ser executada. - Depois da detenção nós precisamos ir
a casa para falarmos com meus pais. – Erika falava muito rápido. – Eles devem
saber como nos ajudar a desfazer a maldição. Mas antes de passarmos na minha
casa, Aurora você precisa ver se o livro da sua família está na sua casa. - Certo, vamos para minha casa assim
que sairmos da escola. – Aurora fala em um tom de voz doce, porém preocupado.
Seus olhos azuis estão olhando por todos os lados como se estivesse querendo
ter certeza de que ninguém estava vendo uma bala pegando fogo. Erika faz um gesto com as mãos e o
fogo, o vento forte e a terra rachada voltassem a ser apenas imaginação. Meu único pensamento era eu tenho que
aprender isso.
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