Capítulo 7 – A carta
Aurora
Eu
estava com muito medo, não sabia se tinha medo da Senhorita Patson ou se tinha
medo daquilo que ela tinha medo. Sua expressão era de total pânico, sua pele
que aparentava ser lisa, agora estava totalmente deformada por rugas.
Era
como se ela tivesse envelhecido pelo menos dez anos, em alguns minutos. Olho
para meus amigos e noto que estão tão apavorados quanto eu, nada que nós
fizéssemos parecia o certo.
-Eu
não vou falar de novo, liberem a entrada. – Sua voz ganhou um tom de desespero.
– Aurora, eu sei quem levou sua mãe, eu posso ajudar a salvá-la, mas eu preciso
que me deixem entrar.
Sou
invadida por um sentimento totalmente desconhecido por mim, meu corpo inteiro
responde as súplicas dela com muita voracidade, eu perco meus sentidos e tudo
que consigo fazer é pedir para Erika que desfaça o feitiço.
-Nem
pensar, ela não me parecia muito amedrontada hoje. – Erika olhava pra a mulher
com cara de pânico. – O que poderia acontecer em alguns minutos que mudou tanto
ela?
Meu
corpo queimava como se uma corrente elétrica estivesse passando por mim nesse
momento.
-Erika,
por favor, ela sabe do paradeiro da minha mãe. – Por um momento esqueço-me da
professora e meu foco vai inteiramente para Erika. – Se seus pais fossem levados,
você não ia querer saber do paradeiro deles, mesmo que fosse por uma pessoa da
qual não confia?
Houve
um silêncio, eu sabia qual era a resposta, mas aquele momento não estava se
tratando dos pais dela, e sim da minha mãe, ela nem me conhecia direito, muito
menos minha mãe, eu sabia que se estivesse no mesmo lugar que ela eu iria com
certeza hesitar. Mas não havia tempo para ficar parada.
Eu
precisava de um plano, e um plano que seja rápido. Meu corpo ainda estava
queimando por dentro, e então eu percebo, eu estou pronta para fazer meu
primeiro feitiço, e tudo indicava que meu primeiro feitiço seria um
contra-feitiço para a barreira mágica de Erika.
Concentro-me
o máximo que posso tudo o que eu faço a seguir é dizer:
-
Obrigada por ser tão útil.
Minhas
mãos estão firmes no meu peito, então rapidamente eu as solto e uma luz verde
emana do meu coração clareando toda a sala de estar. A sensação de queimação
dentro do meu corpo se esvai. A luz verde assim que alcança as extremidades da
casa se chocam com uma luz vermelha, o escudo de proteção da Erika. Assim que
as duas luzes se encostam, a luz vermelha se quebra como vidro.
A
professora entra e eu não penso duas vezes e faço com que minha luz verde se
transforme em um escudo de proteção novo.
O
sentimento que percorre dentro de mim é de total satisfação, eu não sei como eu
sabia o que fazer em relação ao escudo, mas meu corpo tinha certeza do que
fazia, parecia que eu sempre fiz esse tipo de coisa, e que eu estava
perfeitamente acostumada.
Eu
olho para todos, e todos me fitam cm uma cara assustada. Derek e Erika não
fazem idéia do que fazer, mas a nossa professora parecia que já tinha o que
fazer.
-
Querem chá? – Ela falou como se nada estivesse acontece acontecendo. – É sério.
A história que eu vou contar é meio longa, por isso acho melhor conversarmos.
Depois
disso ela saiu em direção a cozinha e abriu o armário, ela sabia exatamente
onde pegar as canecas e onde tinham panelas. Ela pôs água para esquentar e
convidou todos nós a sentarmos nos bancos do balcão antigo.
Eu,
Derek e Erika sentamos em um lado do balcão e a professora do outro lado,
nenhum de nós confiava na mulher, mas era minha melhor chance de encontrar
minha mãe naquele momento.
-
Então, acho que agora está óbvio que eu não sou professora. – Ela dá uma parada
como se esperasse que déssemos risadas ou comentássemos algo, mas nada disso
foi feito. – Bem... A verdade é que eu sou como vocês.
-
Sério? – Erika falou em um tom de sarcasmo. – Isso nunca passou pela minha
cabeça, mesmo quando você estava fazendo aquela maçã flutuar.
-
A maçã não estava flutuando garota, - A mulher fala achando que era coisa mais óbvia
do mundo. – Eu dei asas para ela, asas de besouro.
Ninguém
sabia como responder à declaração da professora.
-Aliás,
me chamem de Becca. – Ela fala como se estivesse lendo meus pensamentos. – Eu
sou uma bruxa do clã da natureza e meu irmão também, acho que o conhecem,
afinal ficaram na detenção com ele.
Aquele
garoto, o garoto que eu não conhecia, era irmão de Becca. Um pensamento me veio
à mente, talvez existam mais bruxos do que eu imaginei.
-
Meu irmão mora aqui há um tempo, e eu estava procurando outros bruxos em outra
cidade, então ele me disse que sentiu uma grande presença de poder chegando a
Wave City ontem pela tarde. – Ela falava olhando para mim, como se contasse a
história apenas para mim. – Temos motivos para pensar que seja sua mãe
Aurora.
Então
pela primeira vez um pensamento me vem à mente, se eu era uma bruxa, minha mãe
também era. Mas eu não conseguia pensar nela como tal.
Eu
não sabia se confiava em Becca, mas ela era minha melhor chance de achar minha
mãe nesse momento.
-
Do que você estava correndo? – Pela primeira vez Derek falou desde que Becca
entrou. – Você parecia apavorada de quem você tem medo?
-
Eu não tenho medo de ninguém. – Ela fala, mas eu não acredito. – Quer dizer, eu
não tenho medo de ninguém que esteja vivo... Eu, em minha condição de bruxa da
natureza, posso controlar qualquer coisa que seja natural. Mas eu temo aquilo
que deixou de ser natural. Eu temo o Sobrenatural.
-Então
você estava com medo de um fantasma? – Erika fala, mas dessa vez eu não notei
nenhum tom de sarcasmo. – O fantasma de quem?
-
O fantasma do homem que amaldiçoou uma cidade inteira. O fantasma de um homem
que para esconder sua própria natureza, dos caçadores, matou dezenas de bruxas.
– Becca olhava fixamente para Erika. – O fantasma de Seth Howel.
-
É sério? É o mesmo Seth que meu ancestral conta no livro do sol? – Erika fala.
– Então toda a história é verdadeira? Existe mesmo uma maldição. E nós
precisamos salvar todos da cidade.
-
Não só da cidade... Pelo menos não mais. – Becca fala como se estivesse
esperado todos tirarem suas conclusões para falar. – A maldição original de
Seth era matar todos da cidade, mas então nosso ancestral em comum, James
Reynard, achou um meio para deter a maldição. Mas não por muito tempo. Ele
lançou um contra-feitiço temporário na maldição. O suficiente para manter a
maldição por nove gerações.
“Com
isso ele teve mais tempo para preparar seu filho Robert para deixá-lo mais
forte que qualquer outro bruxo, esse feitiço deveria ser repetido a cada
geração até chegar à nona, mas Robert não aguentou tanto poder e ficou com pena
de seus filhos.”
“Então
ele dividiu os poderes dele em cinco, e deu para cada um de seus filhos, Steven
ficou com o controle do tempo-espaço, Daniel com o controle da natureza, Sam e
Joseph com o poder do sol e da lua respectivamente e por fim Anya, sua filha
favorita, ficou com o poder que até hoje é desconhecido pelos outros clãs, mas
isso pode mudar hoje.”
“Aurora,
precisamos encontra o livro da sua família, segundo a lenda, seu clã é
especialista em contra-feitiços, coisa que pude presenciar minutos atrás,
talvez com o livro encontrássemos um meio de desfazer a maldição.”
Eu
podia não confiar na Becca, mas ela era a melhor chance de salvar a cidade e
minha mãe. Ela era a pessoa que eu conhecia que parecia ter o maior domínio sobre
a magia e a história de tudo isso. Eu precisava dela.
Não
pensei duas vezes, corri até o sótão, os outros me acompanharam. Comecei a
abrir uma caixa, todos fizeram o mesmo sem questionar. A primeira caixa que eu
abri tinha um monte de porcarias, bem porcarias agora, que meu namorado tinha
me dado.
A
segunda caixa possuía meu passado, minhas fotos com meu pai, minha mãe, meus
avôs, minha melhor amiga – ex-melhor amiga agora -, e algumas fotos minhas e do
meu ex-namorado. Enfim coisas antigas, de um passado que eu queria esquecer,
mas não podia.
Em
baixo de todas essas fotos havia algumas cartas, estou tentada a ler cada uma
delas, não que fosse ajudar em alguma coisa, mas a maioria das cartas era da
minha mãe, e nesse momento eu queria ouvir seus conselhos, mesmo que antigos.
A
primeira carta que abro é uma na qual minha mãe me mandou enquanto eu estava na
casa dos meus avôs, passando as férias há uns dois anos. A carta nunca fez sentido,
eu nunca consegui ler por conta da sua caligrafia, na época eu pensei que era
brincadeira da minha mãe, mas agora eu sei o que é.
Minha
mãe escreveu uma carta usando o colar da minha família, do meu clã. Uma coisa
me veio à mente.
-
Derek, me empresta seu caderno. – Ele fez uma cara esquisita e depois me
entregou o caderno, sua letra era similar a letra da carta. – É isso, enquanto
alguém usa o colar da família escreve nesse idioma. Olhem.
-
Não é tipo a descoberta do ano. – Erika me olha, e seu sarcasmo finalmente
volta.
-
Bem que eu tentei dizer é que minha mãe me mandou uma carta. – Falo e todos
esperam minha conclusão. – E a carta possui o estilo de linguagem similar ao do
caderno. Minha mãe escreveu essa carta enquanto usava o colar.
-
Temos que encontrar o colar agora. – Derek fala. – Temos que encontrá-lo agora.
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