Capítulo 10 – Ínvidos
Aurora
Acordo
ouvindo o som dos pássaros, em Nova Iorque isso não seria possível, o som dos
carros e a distância do Central Park não me deixaria ouvi-los pela manhã.
A
luz do sol está no meu rosto, mas eu não me incomodo, por enquanto. Fico
deitada por cerca de meia hora, sem me mexer, não queria acordar Erika.
Ontem,
quase o dia inteiro, ela foi completamente horrível comigo. Tudo que ela fazia
era para me atingir de uma forma ruim, mas ontem à noite nós nos entendemos,
foram quase dez minutos, e ela me tratou muito bem. Por um minuto me sinto
culpada pela mentira que contei a respeito do Nick Reynard.
Nick,
o garoto dos olhos verde-esmeralda. Os olhos parecidos com o de... Becca. A
garota que descende do mesmo bruxo que eu. Robert Reynard... Reynard. Ai Meu
Deus, como eu pude ser tão estúpida.
Levando-me
rapidamente, meus planos de tentar não acordar a Erika já eram. Joguei-me no
chão e sacudi o corpo dela.
-
É o Nick, - Falei o mais devagar que consegui, mas não era possível, meu
coração estava acelerado. – É o Nick, acorda.
-
O que? – Ela suspira e leva um tempo para ela assimilar tudo o que estava
acontecendo. – Nick está aqui? O que ele está fazendo aqui?
-
Não, ele não está aqui. – Sua cara de decepção me afeta, mas eu não hesito. – É
o Nick, ele é o irmão da Becca. Ele é o bruxo portador do amuleto da natureza.
-
O que? – Ela levanta e tenta se equilibrar, mas o estado de sono é maior e ela tomba
por cima da cama. Sento-me ao seu lado. – Tem certeza? Como chegou a essa conclusão?
Sonhou com isso?
-
Não, presta atenção. – Tento ais uma vez falar devagar. – Os olhos dos dois são
da mesma tonalidade e o sobrenome dele é Reynard, o mesmo sobrenome de James e
Robert, nossos antepassados.
-
Garota, calma. – Ela fala ainda tentando pensar. – Sab como sobrenome Reynard é
comum? E outra Becca é do clã da natureza, ela pode mudar a natureza dos seus
olhos e colocá-los da cor que quiser.
-
Tem razão, mas a Becca disse que o irmão dela estava na detenção conosco. – Eu tento
arrumar mais argumentos, mas agora que parei para pensar parecia um tipo no
escuro. – E pelo que eu sei Nick mora aqui há muito tempo, fato que Becca
confirmou sobre seu irmão.
Ela
para e pensa, seu rosto muda de expressões e vão de “essa garota está
completamente insana” para a expressão “talvez ela tenha razão”.
-
Está começando a fazer sentido. – Ela diz e mais uma vez ela tenta se levantar,
dessa vez tem sucesso. – Mas não vamos nos precipitar, se Nick é um bruxo ele
já deve saber disso há muito tempo, talvez há mais tempo que eu. Não vamos
falar nada pro meu pai até termos certeza, temos que fazer isso o mais sigiloso
possível.
Eu
não entendi o porquê do seu pai não poder saber, mas depois pensei direito.
Talvez se fosse verdade tudo isso, significaria que Nick estava mentindo, o que
faria o Sr. Grey ficar desconfiado, e o plano dela namorar Nick iria por água a
baixo.
Eu
sabia que não seria possível que Nick fosse ficar com a Erika, mas apenas eu
sabia. Esse não era um segredo para se revelar, pelo menos agora não.
Eu
apenas aceno com a cabeça em sinal de aprovação e Erika vai em direção ao
guarda roupa e joga uma blusa azul e um jeans escuro.
-
Se vira com isso. – Ela diz e depois sorri. – Não vou te emprestar uma
calcinha. Tem um banheiro aí em frente.
Abro
a porta do banheiro e me vejo em um corredor sem iluminação do sol, o que era
esquisito visto que são bruxos do clã do sol. Abro a porta do banheiro e me
vejo em um banheiro mais escuro ainda. Um ruído entra pelo meu ouvido e minha visão
fica turva. Tento me concentrar e esquecer isso.
Tiro
minha roupa e entro no Box do banheiro, ligo o chuveiro e fecho meus olhos. A
água estava quente. Muito quente. Abro meus olhos e me vejo tomando banho com
sangue. Tudo que consigo fazer é gritar. Fecho meus olhos tentando entender o
que estava acontecendo.
Sinto
uma mão me puxando para longe do chuveiro e uma toalha me cobre. Só percebo que
ainda estou gritando quando volto a abrir meus olhos. Ao meu lado estão Erika e
sua mãe. O banheiro agora estava
completamente iluminado e o ruído no meu ouvido acabou. Eu tinha imaginado tudo
isso, mas o que isso significava?
Erika
olha para sua mãe, e ela entende. A mulher sai do banheiro e nos deixa a sós.
-
O que aconteceu? – Erika falou, seu tom de voz era preocupado.
-
Nada, eu imaginei tudo. – Sinto-me completamente tola.
-
Aurora somos bruxas - Ela fala olhando diretamente em meus olhos. – nada nesse
mundo é fruto de mera imaginação, me conta exatamente o que aconteceu, meu pai
pode ajudar.
Ela
tem razão, não tinha o porquê de eu esconder essa história dela. Conto tudo
para ela, sobre a casa ficar escura, sobre minha visão ficar embaçada, sobre o
ruído agudo no meu ouvido e principalmente o banho no sangue quente.
Enquanto
eu falo, percebo que o banheiro que eu entrei não era o banheiro que eu estava
agora, esse banheiro era claro e ligeiramente pequeno. O banheiro que eu entrei
era escuro e enorme.
-
Termina de tomar seu banho. – Ela diz com firmeza. – Vou falar com meu pai, ele
sabe fazer feitiço de proteção mental.
Eu
concordo e ela levanta e vai embora, termino meu banho e saio do banheiro
pronta para ir à escola.
A
mãe e os irmãos da Erika já estão a comendo café da manhã. Olho para trás e
vejo Erika e seu pai. Ele levanta a mão e coloca na minha testa. Meus olhos são
obrigados a serem fechados, uma dor agonizante percorre meu corpo, e então me
sinto leve.
-
Foram os Ínvidos. – Não fazia ideia do que isso significava, o pai de Erika
continuou. – Eles têm colocado coisas na sua cabeça há anos. Isso vai ser difícil
de ouvir, mas talvez os dois últimos anos, com exceção do dia de ontem, podem
ter sido apenas imaginação sua.
Fico
paralisada, não sei o que fazer, nem o que dizer. O que será que aquilo
significava?
-
O que são ínvidos? – É talvez a última pergunta que me veio à mente, mas é a
única que não iria me fazer chorar.
-
Os ínvidos são um tipo de ser sobrenatural, eles não são um clã, eles não são
bruxos. – Ele tenta explicar, mas fico mais confusa ainda. – Eu não sei muito
sobre eles, mas o básico eu sei. Eles entram na cabeça de alguém, geralmente
com sentimento de inveja, por isso o nome, eles criam outras realidades. A
mentira foi quebrada da sua mente no momento que você entrou na cidade e conheceu
Derek. Talvez a presença de um bruxo tão perto de você tenha interferido nos
poderes deles. O que vimos agora foi à tentativa de se infiltrar novamente no
seu cérebro. Felizmente eu interferi a tempo, eles não vão mais entrar na sua
cabeça...
A
partir de certo momento eu parei de prestar atenção, os últimos dois anos da
minha vida foram pura imaginação. Fruto de seres que eu nem sei como se parecem
ou o porquê entraram na minha mente.
-
Depois da aula, se quiser é claro, posso ajudá-la a lembrar de tudo. – Ele falou
com calma, e me senti culpada por não prestar atenção em tudo que ele falou,
sorrio em concordância.
O
Som de uma buzina interrompe meus pensamentos. Erika abre a porta e posso ver
que é Derek, ele veio nos buscar de carro. Mas agora eu não tinha muita certeza
se eu estava preparada para ir à escola, eu não tenho certeza se quando eu sair
da casa de Erika eu estarei segura.
Erika
me puxa e sou obrigada a entrar no carro, Derek nos olha desconfiados.
-
O que aconteceu?
-
Longa história, - Erika diz, após perceber que eu não estava pronta para falar
nada. – Dirige que eu conto tudo.
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