sábado, 14 de junho de 2014

Solstício - Capítulo 9



Capítulo 9 – A Hóspede



 



Erika



                O quarto de Derek não era como eu imaginava. Tudo era muito arrumado e com exceção da sua cama, que estava ainda por fazer, se quarto não parecia habitado há anos.
                 - Pessoal essas folhas são cartas. – Derek diz, e depois para. Ele lê um pouco de cada folha e depois diz. – Posso notar pela forma que é escrito.
                - Então leia. – Aurora quase o obriga em um tom de voz completamente autoritário.
                - Eu leria, se eu conseguisse. – Derek parecia um pouco confuso com a situação. – Deve ter sido escrito por um bruxo de outro clã.
                - Deixe-me ver. – Pego as folhas e ciente que meu colar estava em meu pescoço eu tento ler. – O bruxo que escreve isso também não é do meu clã. Aurora.
                Aurora entende e pega as folhas. Ela olha atentamente cada página, mas tenho certeza que ela não compreende completamente nada.
                - Nada. – Ela só confirma aquilo que eu já suspeitava. – Deve ter sido de alguém do outro clã. Talvez tenha sido alguém do clã da Becca.
                - Você não entendeu? – Perguntei sem acreditar que Aurora não houvesse desconfiado. – Foi Becca que pôs fogo na sua casa, ela tentou te enforcar, ela roubou a carta da sua mãe... Talvez tenha sido ela que a sequestrou.
                Talvez minhas palavras tenham sido duras de mais, mas Aurora não demonstrou qualquer sinal de tristeza ou fraqueza. Eu poderia ter tocado em uma ferida aberta dela, mas ela não daria o braço a torcer.
                - Então tenho uma idéia, precisamos procurar aquele garoto. – Aurora fala e eu instantaneamente lembro. – O garoto da detenção, ela admitiu ser irmã dele, e disse também que ele era o portador do colar. Temos que achá-lo e pedir ajuda, se ele não nos ajudar ele terá problemas... São três bruxos contra um.
                Eu não sabia de onde essa Aurora vingativa tinha vindo, mas eu a adorei. De repente me pego desejando que Aurora fosse sempre assim. Mas o sentimento de culpa não me invade, muito menos o de compaixão, eu devia estar preocupada com a mãe dela nesse momento, mas eu não estava.
                Algo me vem à mente, se a mãe de Aurora estava em perigo, meus pais também estavam.
                -Temos que ir para minha casa agora. – Eu surpreendo todos com a mudança repentina de assunto. – Meus pais, eles podem estar em perigo agora.
                Não é preciso dizer duas vezes, os dois entenderam toda a situação e rapidamente esqueceram o problema com as cartas e o irmão de Becca. Descemos as escadas e saímos da casa de Derek muito rápido.
                - Temos que correr. – Falo ofegante.
                - Ou podemos dirigir, - Derek aponta para um carro conversível vermelho, tinha esquecido o quanto ele era rico. Isso era em parte a causa de quase todas as meninas do colégio desejar sair com ele. – tenho quase certeza que é mais efetivo.
                Entramos no carro, Derek e Aurora na frente e eu atrás, não dizemos mais nada até chegar à minha casa. As luzes estavam acessas, eu ouvia as vozes dos meus irmãos mais novos brigando e o cheiro de comida sendo feita estava forte. Ou seja, parecia tudo normal, mas mesmo assim não acredito nisso e imagino que isso seja um truque.
                Corro em direção da porta e vejo todos lá. Quando olho para trás vejo Aurora e Derek, que tinham me seguido, no chão. Tinha esquecido o feitiço contra pessoas que nunca entraram na casa.
                Eu o desfaço, com esforço por conta da lua. E peço desculpa aos dois pelo ocorrido, e depois meu pedido de desculpas se apaga quando uma gargalhada rompe da minha garganta ao ver seus narizes vermelhos.
                Meu pai para em minha direção, sua face completamente enfurecida, quando ele nota a presença de Derek e Aurora sua expressão muda.
                - Pai, eles são... – Minhas palavras fogem de mim.
                - Eu sei minha filha, - Os olhos escuros dele percorrem em toda a sala. – a garota, é melhor colocar o colar para dentro da camiseta, nunca se sabe onde um caçador está até que você é morto por um.
                Meu pai tinha muito medo dos caçadores, eles mataram sua mãe e seu irmão, por sorte não o mataram. Minha mãe vem correndo da cozinha e no caminho começa a gritar.
                - Detenção? Desde quando uma Grey vai parar na detenção? – Ela chega à sala e vê Derek e Aurora. – Amigos? Você trouxe amigos para casa? Prazer podem me chamar de Melissa, esse é meu marido Tim.
                Vergonha, esse era o único sentimento que eu conseguia sentir.
                - Melissa, esses são... Bruxos. – Meu pai fala e os olhos da minha mãe não mudam.
                - De qualquer forma, se precisarem de ajuda com qualquer coisa é só pedir. – Ela fala enquanto vai para cozinha. – Enquanto vocês falam sobre bruxaria eu vou fazer o jantar. Estão convidados os dois.
                Derek e Aurora estavam perplexos, eu também ficaria se não conhecesse minha mãe. Ela é uma ótima pessoa, mas quando o assunto é bruxaria ela tenta não falar nada a respeito, ela foge o máximo que pode do assunto e nunca é a primeira a tocar no assunto.
                - Sua mãe, é legal. – Aurora diz.
                - Obrigada. – É tudo que eu falo.
                Meu pai nos pergunta tudo sobre o dia de hoje e eu conto toda a história. Eu lhe digo sobre como encontre mais três bruxos de três clãs diferentes em um só dia. Conto também sobre as cartas conto sobre alguém chamado Ezra que foi mencionado na carta da mãe da Aurora. Meu pai diz que não conhece ninguém chamado Ezra e um silêncio constrangedor para a conversa.
                - Então, - Aurora começa a falar e eu dou graças a Deus por ela ter cortado o silêncio. – alguma idéia de onde minha mãe esteja.
                - Infelizmente não, - Meu pai fala e depois acontece outra pausa, mas logo é cortada novamente. – ainda mais se tratando de um fantasma. Como vocês mesmos disseram a garota estava fugindo do fantasma de Seth Howel. Eu não tenho certeza se ela é realmente a vilã da história.
                Eu abro a boca para discutir, mas logo mudo de opinião, em todas as nossas discussões meu pai sempre ganhava com todos os seus argumentos que pareciam terem sido preparados há tempos.
                - Aurora, - Meu pai vota a falar. – enquanto sua situação atual não se resolve, seria uma honra tê-la como hóspede, pode ficar no quarto com Erika.
                - Sem chance. – Eu falo e olho para a cara de Aurora, imediatamente me sinto obrigada a retirar o que disse. – Foi mal, deve estar sendo difícil tudo isso, você pode ficar.
                - Obrigada. – Então depois ela sussurra com o intuito de fazer somente eu escutar. – Bipolar.
                - Amanhã depois da escola vocês vêem aqui para casa depois de falar com o irmão de Becca. – Meu pai fala e sabe que tem a atenção de todos. – Precisamos pensar em um contra-feitiço para acabar com a maldição. Tudo indica que está cada vez mais próxima de se concretizar.
                Minha mãe nos interrompe para o jantar. Na mesa o assunto era outro, nada de bruxaria, e sim “como foi seu dia?” Ou “seus pais deixam ficar até tarde fora de casa?” Meu pai estava na mesa ao lado da minha mãe, ao lado dela estava eu e Derek, do outro lado da mesa estavam meus irmãos Aysha e Sammy, e Aurora.
                O resto da noite foi focado na vida de Aurora em Nova Iorque, isso foi muito bom, eu não tinha idéia que a vida deles eram daquela forma.
                O jantar acabou e fomos até a porta nos despedirmos de Derek, depois andamos para o meu quarto no fim do corredor. Eu arrumo minha cama para Aurora e depois pego alguns lençóis para improvisar uma cama para mim.
                - Eu durmo no chão. – Aurora diz.
                - Sem chance, você é a hospede. – Eu falo. – Além do mais, você vai ficar me devendo no futuro.
                - Certo, - Aurora fala e um bocejo aparece. – qualquer coisa.
                - Quero ir para Nova Iorque quando tudo isso acabar. – Falo, mas percebo que Aurora já adormeceu, desligo as luzes e me deito, tudo que consigo pensar é que a partir de agora meu sonho era conhecer Nova Iorque.

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