Capítulo 9 – A Hóspede
Erika
O
quarto de Derek não era como eu imaginava. Tudo era muito arrumado e com exceção
da sua cama, que estava ainda por fazer, se quarto não parecia habitado há
anos.
- Pessoal essas folhas são cartas. – Derek
diz, e depois para. Ele lê um pouco de cada folha e depois diz. – Posso notar
pela forma que é escrito.
-
Então leia. – Aurora quase o obriga em um tom de voz completamente autoritário.
-
Eu leria, se eu conseguisse. – Derek parecia um pouco confuso com a situação. –
Deve ter sido escrito por um bruxo de outro clã.
-
Deixe-me ver. – Pego as folhas e ciente que meu colar estava em meu pescoço eu
tento ler. – O bruxo que escreve isso também não é do meu clã. Aurora.
Aurora
entende e pega as folhas. Ela olha atentamente cada página, mas tenho certeza
que ela não compreende completamente nada.
-
Nada. – Ela só confirma aquilo que eu já suspeitava. – Deve ter sido de alguém
do outro clã. Talvez tenha sido alguém do clã da Becca.
-
Você não entendeu? – Perguntei sem acreditar que Aurora não houvesse
desconfiado. – Foi Becca que pôs fogo na sua casa, ela tentou te enforcar, ela roubou
a carta da sua mãe... Talvez tenha sido ela que a sequestrou.
Talvez
minhas palavras tenham sido duras de mais, mas Aurora não demonstrou qualquer
sinal de tristeza ou fraqueza. Eu poderia ter tocado em uma ferida aberta dela,
mas ela não daria o braço a torcer.
-
Então tenho uma idéia, precisamos procurar aquele garoto. – Aurora fala e eu instantaneamente
lembro. – O garoto da detenção, ela admitiu ser irmã dele, e disse também que
ele era o portador do colar. Temos que achá-lo e pedir ajuda, se ele não nos
ajudar ele terá problemas... São três bruxos contra um.
Eu
não sabia de onde essa Aurora vingativa tinha vindo, mas eu a adorei. De
repente me pego desejando que Aurora fosse sempre assim. Mas o sentimento de
culpa não me invade, muito menos o de compaixão, eu devia estar preocupada com
a mãe dela nesse momento, mas eu não estava.
Algo
me vem à mente, se a mãe de Aurora estava em perigo, meus pais também estavam.
-Temos
que ir para minha casa agora. – Eu surpreendo todos com a mudança repentina de
assunto. – Meus pais, eles podem estar em perigo agora.
Não
é preciso dizer duas vezes, os dois entenderam toda a situação e rapidamente
esqueceram o problema com as cartas e o irmão de Becca. Descemos as escadas e
saímos da casa de Derek muito rápido.
-
Temos que correr. – Falo ofegante.
-
Ou podemos dirigir, - Derek aponta para um carro conversível vermelho, tinha esquecido
o quanto ele era rico. Isso era em parte a causa de quase todas as meninas do
colégio desejar sair com ele. – tenho quase certeza que é mais efetivo.
Entramos
no carro, Derek e Aurora na frente e eu atrás, não dizemos mais nada até chegar
à minha casa. As luzes estavam acessas, eu ouvia as vozes dos meus irmãos mais
novos brigando e o cheiro de comida sendo feita estava forte. Ou seja, parecia
tudo normal, mas mesmo assim não acredito nisso e imagino que isso seja um
truque.
Corro
em direção da porta e vejo todos lá. Quando olho para trás vejo Aurora e Derek,
que tinham me seguido, no chão. Tinha esquecido o feitiço contra pessoas que
nunca entraram na casa.
Eu
o desfaço, com esforço por conta da lua. E peço desculpa aos dois pelo
ocorrido, e depois meu pedido de desculpas se apaga quando uma gargalhada rompe
da minha garganta ao ver seus narizes vermelhos.
Meu
pai para em minha direção, sua face completamente enfurecida, quando ele nota a
presença de Derek e Aurora sua expressão muda.
-
Pai, eles são... – Minhas palavras fogem de mim.
-
Eu sei minha filha, - Os olhos escuros dele percorrem em toda a sala. – a
garota, é melhor colocar o colar para dentro da camiseta, nunca se sabe onde um
caçador está até que você é morto por um.
Meu
pai tinha muito medo dos caçadores, eles mataram sua mãe e seu irmão, por sorte
não o mataram. Minha mãe vem correndo da cozinha e no caminho começa a gritar.
-
Detenção? Desde quando uma Grey vai parar na detenção? – Ela chega à sala e vê
Derek e Aurora. – Amigos? Você trouxe amigos para casa? Prazer podem me chamar
de Melissa, esse é meu marido Tim.
Vergonha,
esse era o único sentimento que eu conseguia sentir.
-
Melissa, esses são... Bruxos. – Meu pai fala e os olhos da minha mãe não mudam.
-
De qualquer forma, se precisarem de ajuda com qualquer coisa é só pedir. – Ela
fala enquanto vai para cozinha. – Enquanto vocês falam sobre bruxaria eu vou
fazer o jantar. Estão convidados os dois.
Derek
e Aurora estavam perplexos, eu também ficaria se não conhecesse minha mãe. Ela
é uma ótima pessoa, mas quando o assunto é bruxaria ela tenta não falar nada a
respeito, ela foge o máximo que pode do assunto e nunca é a primeira a tocar no
assunto.
-
Sua mãe, é legal. – Aurora diz.
-
Obrigada. – É tudo que eu falo.
Meu
pai nos pergunta tudo sobre o dia de hoje e eu conto toda a história. Eu lhe
digo sobre como encontre mais três bruxos de três clãs diferentes em um só dia.
Conto também sobre as cartas conto sobre alguém chamado Ezra que foi mencionado
na carta da mãe da Aurora. Meu pai diz que não conhece ninguém chamado Ezra e
um silêncio constrangedor para a conversa.
-
Então, - Aurora começa a falar e eu dou graças a Deus por ela ter cortado o
silêncio. – alguma idéia de onde minha mãe esteja.
-
Infelizmente não, - Meu pai fala e depois acontece outra pausa, mas logo é
cortada novamente. – ainda mais se tratando de um fantasma. Como vocês mesmos
disseram a garota estava fugindo do fantasma de Seth Howel. Eu não tenho
certeza se ela é realmente a vilã da história.
Eu
abro a boca para discutir, mas logo mudo de opinião, em todas as nossas discussões
meu pai sempre ganhava com todos os seus argumentos que pareciam terem sido
preparados há tempos.
-
Aurora, - Meu pai vota a falar. – enquanto sua situação atual não se resolve,
seria uma honra tê-la como hóspede, pode ficar no quarto com Erika.
-
Sem chance. – Eu falo e olho para a cara de Aurora, imediatamente me sinto
obrigada a retirar o que disse. – Foi mal, deve estar sendo difícil tudo isso,
você pode ficar.
-
Obrigada. – Então depois ela sussurra com o intuito de fazer somente eu
escutar. – Bipolar.
-
Amanhã depois da escola vocês vêem aqui para casa depois de falar com o irmão
de Becca. – Meu pai fala e sabe que tem a atenção de todos. – Precisamos pensar
em um contra-feitiço para acabar com a maldição. Tudo indica que está cada vez
mais próxima de se concretizar.
Minha
mãe nos interrompe para o jantar. Na mesa o assunto era outro, nada de
bruxaria, e sim “como foi seu dia?” Ou “seus pais deixam ficar até tarde fora
de casa?” Meu pai estava na mesa ao lado da minha mãe, ao lado dela estava eu e
Derek, do outro lado da mesa estavam meus irmãos Aysha e Sammy, e Aurora.
O
resto da noite foi focado na vida de Aurora em Nova Iorque, isso foi muito bom,
eu não tinha idéia que a vida deles eram daquela forma.
O
jantar acabou e fomos até a porta nos despedirmos de Derek, depois andamos para
o meu quarto no fim do corredor. Eu arrumo minha cama para Aurora e depois pego
alguns lençóis para improvisar uma cama para mim.
-
Eu durmo no chão. – Aurora diz.
-
Sem chance, você é a hospede. – Eu falo. – Além do mais, você vai ficar me
devendo no futuro.
-
Certo, - Aurora fala e um bocejo aparece. – qualquer coisa.
-
Quero ir para Nova Iorque quando tudo isso acabar. – Falo, mas percebo que
Aurora já adormeceu, desligo as luzes e me deito, tudo que consigo pensar é que
a partir de agora meu sonho era conhecer Nova Iorque.
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