Capítulo três – Os clãs
Erika
Que
droga de cidade é essa que faz calor o dia todo? Desde que me lembro nunca
senti o frio da chuva sobre minha pele. Minha família acredita que a chuva pode
fazer mal aos meus poderes já que somos uma família de bruxos da ordem do Sol.
Desde
sempre eu soube que eu era uma bruxa, só não podia contar a ninguém. Inúmeras
vezes meus pais me contaram as histórias antigas sobre o meu clã, sobre como
ele se originou e histórias antigas sobre Wave City, o berço dos bruxos do meu
clã.
Estou
na parada de ônibus esperando o maldito ônibus aparecer para eu ir à maldita
escola, onde eu não aprendo nada de importante para o meu futuro. Tudo que eu
preciso aprender está em casa, dentro de um estúpido livro empoeirado com uma
imagem de sol desenhada na capa.
Existem
cinco clãs, esses clãs foram divididos entre os cinco netos de James Reynard.
São eles: o clã do sol, da lua, tempo-espaço, da natureza e o quinto meus pais
não sabem dizer ao certo já que o quinto filho de James fugiu com o livro antes
de contar sua essência para seus irmãos.
Cada
clã lida com a magia de uma forma e nenhum clã possui o mesmo tipo de poder,
desta forma dividem-se em dois grupos: Os clãs do sol e da lua formam o clã
onde seus poderes sãos afetados pelos sues respectivos cernes. E os clãs da
natureza e do tempo-espaço formam o clã onde seus poderes afetam os meios.
Meu
pai disse uma vez que seus poderes só funcionam se possuírem um objeto que
caracterize seu clã, eu nunca entendi isso, mas eu nunca conheci nenhum bruxo
de outro clã para perguntar também.
Quase
esqueço que estou no meio da rua quando o maldito ônibus amarelo aparece na
outra esquina, “Droga, mais um dia inútil”. Meus pais me obrigam a ir à escola
para tentar despistar os caçadores de bruxas, ele diz que ainda existem muitos
e que não são diferentes dos caçadores que matavam bruxas no passado.
O
ônibus para e entro nele, o veiculo mal começa a andar de novo e uma garota, do
tipo que odeio, me chama.
-
Erika, você não vai acreditar. – Ela me olha com uma cara muito animada, e
então eu simplesmente finjo interesse. – Derek McCall finalmente sentou com
alguma garota no ônibus.
-
Sério? Qual o nome dela? – Agora sim fico interessada, o Derek é um dos poucos
garotos que fazem alguma coisa e não fica só pensando em sexo.
-Não
sei, eu nunca a vi antes. – A garota parecia um pouco chateada. – Mas parece
que ele está realmente afim dela.
-
Eu vou dar uma checada nisso. – Sigo em direção ao fundo do ônibus onde Derek
fica sentado. – Qual é vadias? – Os dois olhavam para mim, pareciam que não
tinham certeza se eu estava olhando para eles. – Quando escutei ali na frente
que o Derek finalmente sentou com alguém no ônibus eu não pude acreditar. – Então
meus olhos se dirigiram até o livro que Derek acabou de abrir, era igualmente
parecido com o livro de feitiços que possuímos na minha casa. – Mas isso pode
esperar. Que diabos estão fazendo com esse livro? Onde encontraram?
-
Você sabe qual o significado desse livro? – Ele fala e então eu entendo tudo,
provavelmente os dois encontraram esse livro em algum lugar e só ficaram
curiosos.
-
Me responda, onde encontraram esse livro? – Eu tento falar o mais baixo
possível, mas minha voz está suficientemente alterada e meu sussurro vira quase
um grito.
-
É da minha mãe. – Ele fala e seus olhos verdes ainda estão me observando. –
Então agora me responda qual o significado desse livro?
Eu
quase não pude acreditar, mas meu colar com o símbolo de sol que eu sempre o
tenho no meu pescoço lança um brilho, mas não me preocupo, apenas pessoas com
sangue bruxo podem ver o brilho.
Foi
então que o brilho dourado do meu colar se junta com o brilho prateado do colar
de Derek, e eu posso não ser a pessoa mais observadora do mundo, mas tenho
certeza que a garota nova está olhando para o brilho de ambos os colares.
“Dá
para acreditar? Encontrei dois bruxos de clãs diferentes no mesmo dia”.
Estávamos
quase chegando à escola então eu me abaixo e tento falar com a voz mais baixa
que consigo.
-
Certo vocês dois, guardem esse livro e não o deixem a mostra. – Estendi os
braços em direção às mochilas deles. – Agora seus horários estão de acordo com
os meus, por favor, tentem não chamar atenção, conversamos na hora do almoço.
-
Espera o que está acontecendo? – A garota pergunta, e pelo seu tom, tenho quase
certeza que ela não sabe de nada a respeito da sua verdadeira linhagem.
-
Primeiro qual o seu nome? – Falo o mais baixo que posso, mas de novo, a voz
saiu mais alta que eu pude. Não espero que ela me responda – E segundo,
falaremos sobre isso no almoço, então, por favor, calada.
-
Meu nome é Aurora. – Falou ela um tanto sem jeito. – E tente ser um pouco menos
cretina.
Fico
sem fala, ninguém em toda a escola falaria assim comigo, mesmo eu sabendo que
essa era a verdade.
-
Talvez sejamos amigas. – Falei abrindo um sorriso. – Mas talvez eu te odeie o
suficiente para te matar. O que acha?
O ônibus para e eu sou a primeira a sair dele,
os outros dois estavam me seguindo.
Para
uma cidade tão pequena a escola era gigante. Talvez seja esse o motivo de possuirmos
somente uma escola em toda a cidade, acho que é suficiente para todos os
adolescentes de Wave city e para mais três outras cidades.
-
Aurora, me dá seus horários. – Ela me entrega um papel e neles vejo o número do
armário. – Hm, esse armário é longe de mais de tudo. Acho que vai gostar do seu
armário ao lado do meu.
Não
dou a chance para ela falar nada, então devolvo o papel com o seu novo número
do armário e sua nova combinação.
Vamos
direto até os nossos armários e coloco meus livros dentro do armário deixando
na minha bolsa somente o livro de aritmética, nossa primeira aula.
Aurora
está olhando toda a escola com extrema admiração.
-
O que foi? De onde você vem não existem escola? Nem adolescentes?
-
Não é isso, é que todos aqui parecem tão jovens... – Ela diz, e logo entendo
tudo, espinhas, cabelos sem corte e o pior um gosto horrível para tudo. – Foi só
eu que notei a diferença, ou mais alguém notou que só nós três parecemos ser
feitos de cera?
-
É uma característica das bruxas, - Falei com um tom de voz baixo. – o que foi? Achou
que seriamos verdes, com narizes pontudos e uma horrível verruga na ponta dele?
-
Meio que imaginei isso. – Derek falou e então finalmente percebi como vou
encontrar os outros dois bruxos dos dois outros clãs. – É melhor irmos para a
sala, você não podia trocar aritmética por artes pelo menos?
-
Não força garoto. – Foi tudo que eu falei.
Depois
de uma longa caminhada até a sala do Sr. Jones, um senhor idoso que estava a
ponto de morrer do coração, noto que na verdade quem está sentado em sua
cadeira é uma mulher ruiva, no quadro negro está escrito seu nome, REBECCA
PATSON.
-
Sentem-se todos. – Sua voz era severa, mas ainda assim bem jovial. – Meu nome é
Rebecca Patson e irei lecionar a disciplina de aritmética, o professor Jones
está... Impossibilitado de dar aula, então seremos só eu e vocês por um longo
tempo.
-
Hashtag medo. – Derek fala.
-
Sério? Não tem outra coisa pra falar? – Mas eu não me agüento e começo a rir.
Sinto que com os dois eu não preciso subir o meu muro que me afasta de todos. –
Hashtag sinistra.
-
Hashtag vamos sentar, do contrário a professora vai nos expulsar da turma. –
Aurora fala, e meu sorriso desaparece.
-
Você sabe mesmo estragar uma boa piada. – Falei e então nós três nos sentamos
na parte de trás da sala.
Tenho
muitas coisas na minha cabeça, muitas perguntas, e principalmente o meu medo
acaba subindo cada vez mais. Juntamente com a história que meu pai me contou
sobre a era das trevas de Wave City, ele me contou sobre a maldição que pode
vir a acontecer durante a nona geração de bruxos.
E pelo o que
eu pude contar, nós éramos a nona geração. Mas eu sempre pensei que eu seria a
bruxa que iria acabar com a maldição, acho que vou ter que descobrir um pouco
mais sobre eles.
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