segunda-feira, 2 de junho de 2014

Solstício - Capítulo 3



Capítulo três – Os clãs



 



Erika



                Que droga de cidade é essa que faz calor o dia todo? Desde que me lembro nunca senti o frio da chuva sobre minha pele. Minha família acredita que a chuva pode fazer mal aos meus poderes já que somos uma família de bruxos da ordem do Sol.
                Desde sempre eu soube que eu era uma bruxa, só não podia contar a ninguém. Inúmeras vezes meus pais me contaram as histórias antigas sobre o meu clã, sobre como ele se originou e histórias antigas sobre Wave City, o berço dos bruxos do meu clã.
                Estou na parada de ônibus esperando o maldito ônibus aparecer para eu ir à maldita escola, onde eu não aprendo nada de importante para o meu futuro. Tudo que eu preciso aprender está em casa, dentro de um estúpido livro empoeirado com uma imagem de sol desenhada na capa.
                Existem cinco clãs, esses clãs foram divididos entre os cinco netos de James Reynard. São eles: o clã do sol, da lua, tempo-espaço, da natureza e o quinto meus pais não sabem dizer ao certo já que o quinto filho de James fugiu com o livro antes de contar sua essência para seus irmãos.
                Cada clã lida com a magia de uma forma e nenhum clã possui o mesmo tipo de poder, desta forma dividem-se em dois grupos: Os clãs do sol e da lua formam o clã onde seus poderes sãos afetados pelos sues respectivos cernes. E os clãs da natureza e do tempo-espaço formam o clã onde seus poderes afetam os meios.
                Meu pai disse uma vez que seus poderes só funcionam se possuírem um objeto que caracterize seu clã, eu nunca entendi isso, mas eu nunca conheci nenhum bruxo de outro clã para perguntar também.
                Quase esqueço que estou no meio da rua quando o maldito ônibus amarelo aparece na outra esquina, “Droga, mais um dia inútil”. Meus pais me obrigam a ir à escola para tentar despistar os caçadores de bruxas, ele diz que ainda existem muitos e que não são diferentes dos caçadores que matavam bruxas no passado.
                O ônibus para e entro nele, o veiculo mal começa a andar de novo e uma garota, do tipo que odeio, me chama.
                - Erika, você não vai acreditar. – Ela me olha com uma cara muito animada, e então eu simplesmente finjo interesse. – Derek McCall finalmente sentou com alguma garota no ônibus.
                - Sério? Qual o nome dela? – Agora sim fico interessada, o Derek é um dos poucos garotos que fazem alguma coisa e não fica só pensando em sexo.
                -Não sei, eu nunca a vi antes. – A garota parecia um pouco chateada. – Mas parece que ele está realmente afim dela.
                - Eu vou dar uma checada nisso. – Sigo em direção ao fundo do ônibus onde Derek fica sentado. – Qual é vadias? – Os dois olhavam para mim, pareciam que não tinham certeza se eu estava olhando para eles. – Quando escutei ali na frente que o Derek finalmente sentou com alguém no ônibus eu não pude acreditar. – Então meus olhos se dirigiram até o livro que Derek acabou de abrir, era igualmente parecido com o livro de feitiços que possuímos na minha casa. – Mas isso pode esperar. Que diabos estão fazendo com esse livro? Onde encontraram?
                - Você sabe qual o significado desse livro? – Ele fala e então eu entendo tudo, provavelmente os dois encontraram esse livro em algum lugar e só ficaram curiosos.
                - Me responda, onde encontraram esse livro? – Eu tento falar o mais baixo possível, mas minha voz está suficientemente alterada e meu sussurro vira quase um grito.
                - É da minha mãe. – Ele fala e seus olhos verdes ainda estão me observando. – Então agora me responda qual o significado desse livro?
                Eu quase não pude acreditar, mas meu colar com o símbolo de sol que eu sempre o tenho no meu pescoço lança um brilho, mas não me preocupo, apenas pessoas com sangue bruxo podem ver o brilho.
                Foi então que o brilho dourado do meu colar se junta com o brilho prateado do colar de Derek, e eu posso não ser a pessoa mais observadora do mundo, mas tenho certeza que a garota nova está olhando para o brilho de ambos os colares.
                “Dá para acreditar? Encontrei dois bruxos de clãs diferentes no mesmo dia”.
                Estávamos quase chegando à escola então eu me abaixo e tento falar com a voz mais baixa que consigo.
                - Certo vocês dois, guardem esse livro e não o deixem a mostra. – Estendi os braços em direção às mochilas deles. – Agora seus horários estão de acordo com os meus, por favor, tentem não chamar atenção, conversamos na hora do almoço.
                - Espera o que está acontecendo? – A garota pergunta, e pelo seu tom, tenho quase certeza que ela não sabe de nada a respeito da sua verdadeira linhagem.
                - Primeiro qual o seu nome? – Falo o mais baixo que posso, mas de novo, a voz saiu mais alta que eu pude. Não espero que ela me responda – E segundo, falaremos sobre isso no almoço, então, por favor, calada.
                - Meu nome é Aurora. – Falou ela um tanto sem jeito. – E tente ser um pouco menos cretina.
                Fico sem fala, ninguém em toda a escola falaria assim comigo, mesmo eu sabendo que essa era a verdade.
                - Talvez sejamos amigas. – Falei abrindo um sorriso. – Mas talvez eu te odeie o suficiente para te matar. O que acha?
                 O ônibus para e eu sou a primeira a sair dele, os outros dois estavam me seguindo.
                Para uma cidade tão pequena a escola era gigante. Talvez seja esse o motivo de possuirmos somente uma escola em toda a cidade, acho que é suficiente para todos os adolescentes de Wave city e para mais três outras cidades.
                - Aurora, me dá seus horários. – Ela me entrega um papel e neles vejo o número do armário. – Hm, esse armário é longe de mais de tudo. Acho que vai gostar do seu armário ao lado do meu.
                Não dou a chance para ela falar nada, então devolvo o papel com o seu novo número do armário e sua nova combinação.
                Vamos direto até os nossos armários e coloco meus livros dentro do armário deixando na minha bolsa somente o livro de aritmética, nossa primeira aula.
                Aurora está olhando toda a escola com extrema admiração.
                - O que foi? De onde você vem não existem escola? Nem adolescentes?
                - Não é isso, é que todos aqui parecem tão jovens... – Ela diz, e logo entendo tudo, espinhas, cabelos sem corte e o pior um gosto horrível para tudo. – Foi só eu que notei a diferença, ou mais alguém notou que só nós três parecemos ser feitos de cera?
                - É uma característica das bruxas, - Falei com um tom de voz baixo. – o que foi? Achou que seriamos verdes, com narizes pontudos e uma horrível verruga na ponta dele?
                - Meio que imaginei isso. – Derek falou e então finalmente percebi como vou encontrar os outros dois bruxos dos dois outros clãs. – É melhor irmos para a sala, você não podia trocar aritmética por artes pelo menos?
                - Não força garoto. – Foi tudo que eu falei.
                Depois de uma longa caminhada até a sala do Sr. Jones, um senhor idoso que estava a ponto de morrer do coração, noto que na verdade quem está sentado em sua cadeira é uma mulher ruiva, no quadro negro está escrito seu nome, REBECCA PATSON.
                - Sentem-se todos. – Sua voz era severa, mas ainda assim bem jovial. – Meu nome é Rebecca Patson e irei lecionar a disciplina de aritmética, o professor Jones está... Impossibilitado de dar aula, então seremos só eu e vocês por um longo tempo.
                - Hashtag medo. – Derek fala.
                - Sério? Não tem outra coisa pra falar? – Mas eu não me agüento e começo a rir. Sinto que com os dois eu não preciso subir o meu muro que me afasta de todos. – Hashtag sinistra.
                - Hashtag vamos sentar, do contrário a professora vai nos expulsar da turma. – Aurora fala, e meu sorriso desaparece.
                - Você sabe mesmo estragar uma boa piada. – Falei e então nós três nos sentamos na parte de trás da sala.
                Tenho muitas coisas na minha cabeça, muitas perguntas, e principalmente o meu medo acaba subindo cada vez mais. Juntamente com a história que meu pai me contou sobre a era das trevas de Wave City, ele me contou sobre a maldição que pode vir a acontecer durante a nona geração de bruxos.
E pelo o que eu pude contar, nós éramos a nona geração. Mas eu sempre pensei que eu seria a bruxa que iria acabar com a maldição, acho que vou ter que descobrir um pouco mais sobre eles.
               
               

               

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